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Nove remédios contra o câncer chegam ao SUS: veja quem pode receber

Tratamentos para mama, próstata, pulmão, rim e outros tumores começam em 20 centros do país. Veja como funciona e o que depende do médico.

6 min de leituraPublicado em 22/10/2026
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Nove remédios contra o câncer chegam ao SUS: veja quem pode receber

O Ministério da Saúde começou a oferecer, nesta semana, nove medicamentos contra o câncer no SUS, para 13 indicações que incluem mama, próstata, pulmão, rim, estômago, tireoide, leucemia e linfomas.

A oferta começa em 20 centros de tratamento, em 17 unidades da federação, e a previsão é beneficiar mais de 116 mil pessoas.

Antes de sair correndo para a Unidade Básica de Saúde, vale um aviso: esses remédios não são entregues lá. Eles chegam por etapas, nos centros de tratamento, e só entram em cena quando a equipe médica avalia que combinam com o seu caso.

Por que isso é novidade se alguns remédios já estavam no SUS?

Vários desses medicamentos já tinham sido incorporados ao SUS, ou seja, aprovados oficialmente para fazer parte do sistema público, mas ainda não chegavam de fato aos serviços.

Segundo o Ministério da Saúde, muitos eram aguardados havia mais de dez anos. Sabe quando uma loja anuncia que vai vender um produto, mas ele não aparece na prateleira? Incorporar era o anúncio. Agora é o produto chegando.

A mudança vem de duas frentes ligadas à iniciativa Agora Tem Especialistas, lançada em 2025. Uma delas é a AF-Onco (Assistência Farmacêutica Oncológica), que definiu como cada medicamento do câncer chegaria à população.

O Ministério afirma que, até o fim do ano, serão 23 novos medicamentos oncológicos na rede pública, o que ampliaria em 35% as alternativas de tratamento. Esses nove são a primeira leva.

Quem poderá receber: as nove indicações, uma por uma

São nove medicamentos, e cada um serve para tipos específicos de tumor. Veja a lista divulgada pelo Ministério:

→ Trastuzumabe: câncer de estômago ou da junção esofagogástrica (a região onde o esôfago encontra o estômago). Ele já era usado no SUS para câncer de mama e agora tem o uso ampliado.

→ Abemaciclibe: câncer de mama inicial ou avançado, nos tumores RH+ ( aqueles que crescem estimulados por hormônios) e HER2 negativo (que não produzem em excesso a proteína HER2). Na rede privada, o Ministério cita que pode custar R$ 366 mil.

→ Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos (que nascem em células produtoras de hormônios).

→ Pazopanibe: câncer de rim de células claras metastático (quando já se espalhou para outros órgãos), uma nova indicação na rede pública.

→ Sunitinibe: câncer de rim de células claras metastático e GIST avançado ou metastático depois que o imatinibe deixou de funcionar. GIST é um tumor raro que surge na parede do aparelho digestivo.

→ Rituximabe: leucemia linfocítica crônica (no primeiro tratamento), linfoma folicular e linfoma difuso.

→ Abiraterona: câncer de próstata em diferentes situações, incluindo o resistente à hormonioterapia e o metastático.

→ Gefitinibe: câncer de pulmão de células não pequenas, já no primeiro tratamento.

→ TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide em pacientes com indicação de iodo radioativo.

Repare numa coisa: o Ministério explica que esses tratamentos atuam de formas diferentes, conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e o perfil de cada paciente.

Assim, entre os benefícios estão o aumento da sobrevida e a melhora da qualidade de vida. Há ainda indicações para depois da cirurgia, quando já não há sinal visível de tumor, com o objetivo de evitar que a doença volte.

Como o acesso funciona na prática: gradual e por indicação

20 centros de tratamento começam agora, em SP, PR, BA, CE, PE, PI, PA, AM, RJ, PB, DF, MG, GO, RO, RS, TO e SE. São 16 estados e o Distrito Federal, o que cobre todas as regiões do país.

A previsão do Ministério é estender a oferta aos demais centros até o fim do ano. Na divulgação oficial, porém, não consta a lista dos 20 centros, então quem trata em outro lugar ainda precisa confirmar a situação do seu serviço.

Um ponto importante: o tratamento é oferecido nos centros de tratamento do câncer, e não em UBS. O Ministério informa que o novo sistema é mais digital e integrado, com fluxos de solicitação, registro e controle dos tratamentos.

Isto ajuda a organizar quem recebe o quê, mas não elimina o passo principal: o medicamento só é usado quando o oncologista indica para aquele caso. Então o indicado é:

→ Converse com o oncologista sobre o seu tipo de câncer e o estágio, e pergunte se algum desses medicamentos faz sentido para você.

→ Pergunte ao serviço onde você se trata se ele já está na primeira etapa da oferta ou se entra na expansão prevista até o fim do ano.

→ Não procure esses remédios na UBS: eles não são distribuídos por lá.

→ Se você tem de 50 a 75 anos e nenhum sintoma, fique atento ao novo teste de rastreamento do intestino, que vamos explicar a seguir.

Ligando os pontos: o que mais mudou junto com os remédios

Remédio bom só ajuda quando o diagnóstico chega a tempo. Por isso o anúncio trouxe outras medidas.

A mais próxima do dia a dia é o teste imunoquímico fecal (FIT), que passa a ser usado no rastreamento do câncer de intestino.

Ele detecta sangue oculto nas fezes, aquele em quantidade pequena demais para ser visto a olho nu, que pode indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal.

O Ministério começa a distribuir 400 mil testes, de forma gradual nas UBS, a partir de novembro, em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.

A indicação é para homens e mulheres de 50 a 75 anos sem sintomas. Quem tiver resultado positivo segue para a colonoscopia (exame que olha o intestino por dentro) para confirmar.

Também entraram no pacote o custeio das cirurgias videotorácicas, feitas por pequenos cortes, com câmera, principalmente no câncer de pulmão; e o reajuste do valor pago pelos procedimentos.

Para medicamentos aplicados na veia, o repasse por procedimento passa a ser quatro vezes maior, e para os orais, o dobro. Por exemplo, a verba anual da iodoterapia, tratamento com iodo radioativo para câncer de tireoide, sobe 246%, de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões.

Há ainda um exemplo concreto de ganho de tempo: o Super Centro Brasil para o Diagnóstico de Câncer, em parceria com o A.C. Camargo Câncer Center, recebe lâminas de biópsia de vários estados. Em alguns estados, o resultado levava de seis a sete meses e, segundo o Ministério, caiu para oito dias.

O que esperar daqui para frente?

O Ministério informa que o impacto anual da compra desses nove medicamentos é de R$ 155,4 milhões, e de R$ 4 bilhões por ano para os 23 previstos. Também afirma que a oferta atenderá 100% da demanda por esses produtos.

São números do governo, e o acompanhamento nos próximos meses é que vai mostrar se a expansão chega a todos os centros no prazo.

Por enquanto, o recado é este: um tratamento que estava no papel começa a chegar ao paciente, em etapas, com indicação médica e em centros especializados.

💬 Você ou alguém da sua família já esperou por um tratamento que existia, mas não chegava? Conte-nos nos comentários como foi essa experiência.

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Fonte:

Brasi. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde inicia oferta no SUS de nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia em todas as regiões do país. Brasília, 20 out. 2026. Disponível aqui. Acesso em: 22 out. 2026.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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