Alerta vermelho para tempestades: os riscos à saúde além da chuva
Ciclone e frente fria elevam o risco de temporais no Sul; choque elétrico, ferimentos, água contaminada e geradores exigem atenção.

Um novo episódio de tempo severo coloca parte do Sul do Brasil sob alerta nesta segunda-feira (21). Com a formação de um ciclone extratropical próximo à Argentina e o avanço da instabilidade, áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná podem enfrentar chuva intensa, granizo e ventos fortes. Mas o perigo de um temporal não termina quando a chuva diminui.
Quedas de árvores e estruturas, fios elétricos, alagamentos, lama contaminada e falta de energia criam uma sequência de riscos que também envolve a saúde.
Por isso, saber como agir antes, durante e principalmente depois de uma tempestade pode evitar ferimentos, choques, intoxicações e doenças.
O que significa o alerta vermelho?
O alerta vermelho é a categoria de maior gravidade utilizada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e indica uma situação de grande perigo.
Para esta segunda-feira, a previsão divulgada aponta possibilidade de volumes de chuva superiores a 100 milímetros por dia, ventos que podem ultrapassar 100 km/h e queda de granizo nas áreas sob o aviso.
Quase todo o Rio Grande do Sul, além de setores de Santa Catarina e do Paraná, aparece entre as áreas de maior atenção.
No Rio Grande do Sul, onde a situação prevista é especialmente severa, há risco de queda de árvores, destelhamentos, danos a estruturas, interrupções de energia e alagamentos.
E é justamente aí que a previsão do tempo encontra a saúde. Uma árvore caída pode causar trauma. Um fio energizado em contato com a água pode provocar choque. Uma casa alagada pode expor moradores à água contaminada. E uma queda prolongada de energia pode levar ao uso de equipamentos que também exigem cuidados.
Água e eletricidade são uma combinação especialmente perigosa
Durante um alagamento, um dos riscos mais imediatos é o choque elétrico. A água pode conduzir eletricidade e ampliar a área de perigo ao redor de fios, equipamentos e instalações energizadas.
O Ministério da Saúde alerta que áreas inundadas aumentam significativamente o risco de acidentes elétricos, inclusive nas proximidades de sistemas como painéis solares.
Não entre em água alagada quando houver fios caídos, postes danificados ou possibilidade de equipamentos elétricos energizados.
Também não se deve tocar diretamente em uma pessoa que ainda esteja em contato com uma fonte elétrica. Nessa situação, aproximar-se sem segurança pode transformar uma vítima em duas.
Depois que a água baixar, a cautela continua. Equipamentos elétricos que ficaram molhados não devem simplesmente ser ligados para verificar se ainda funcionam. A avaliação da instalação e dos aparelhos deve ser feita com segurança, especialmente quando houve inundação significativa.
Gerador resolve um problema, mas pode criar outro
Quando falta energia por muitas horas, geradores portáteis podem parecer uma solução imediata. Existe, porém, um risco menos visível: o monóxido de carbono, ou CO, um gás tóxico produzido pela queima de combustíveis.
O problema é que esse gás não tem cor nem cheiro. Ou seja, uma pessoa pode respirar monóxido de carbono sem perceber que o ambiente está ficando perigoso. A intoxicação pode causar mal-estar e evoluir para quadros graves.
Geradores nunca devem funcionar dentro de casa, garagem, porão ou outro ambiente fechado ou parcialmente fechado.
O CDC recomenda que equipamentos desse tipo sejam mantidos do lado de fora e a pelo menos 20 pés, aproximadamente 6 metros, de portas, janelas e entradas de ventilação.
Atenção! Deixar a porta da garagem aberta não transforma a garagem em um ambiente externo. O gás produzido pelo equipamento ainda pode se acumular ou entrar na residência. Por isso, ventilação improvisada não substitui o uso do gerador ao ar livre e afastado da casa.
A enchente baixa, mas a água pode deixar riscos para trás
Outro cuidado começa justamente quando muita gente acredita que a pior parte passou. Água de enchente pode se misturar a esgoto, lixo e outros contaminantes. Por isso, água aparentemente limpa não significa água segura.
Entre as doenças associadas a enchentes está a leptospirose, infecção causada pela bactéria Leptospira. Ela pode estar presente na urina de animais infectados, principalmente roedores, e chegar às pessoas por meio do contato com água ou lama contaminadas.
A bactéria pode penetrar pela pele, inclusive quando ela permanece muito tempo imersa, e por mucosas, como olhos, nariz e boca. Cortes e arranhões aumentam a preocupação com a exposição.
Na prática, a orientação mais segura é evitar o contato desnecessário com água e lama de enchentes. Quando a entrada em uma área contaminada for inevitável, o Ministério da Saúde recomenda proteção com botas e luvas impermeáveis e que cortes ou arranhões sejam cobertos com material à prova d'água.
A água destinada a beber e preparar alimentos também merece atenção. Se houver suspeita de contaminação ou orientação das autoridades de saúde para tratamento da água, o Ministério da Saúde recomenda filtrá-la ou coá-la e seguir o método indicado de desinfecção ou fervura.
No tratamento com hipoclorito de sódio a 2,5%, a orientação oficial é utilizar 2 gotas por litro de água, misturar e aguardar 30 minutos antes do consumo.
Na falta do produto adequado, a alternativa indicada é filtrar ou coar e ferver a água por 5 minutos após o início da fervura.
Voltar para casa também exige cuidado
Depois de um temporal com alagamento, a vontade de entrar logo em casa, limpar tudo e tentar recuperar os objetos é compreensível. Mas esse retorno também é um momento de risco.
Entulhos e destroços podem esconder objetos cortantes, pregos, vidro e outros materiais capazes de provocar ferimentos. Ambientes atingidos por enchentes também podem abrigar animais peçonhentos, como cobras, aranhas e escorpiões, que procuram locais secos durante e depois da inundação.
Os alimentos precisam de atenção especial. O Ministério da Saúde orienta descartar alimentos que tiveram contato com água de enchente ou lama.
Mesmo quando a embalagem parece intacta por fora, determinados recipientes podem permitir a entrada de água contaminada.
Medicamentos que tiveram contato com a inundação também devem ser descartados.
Para visualizar melhor, pense que a casa não volta automaticamente a ser um ambiente seguro no momento em que a água desaparece. É preciso observar eletricidade, estrutura, água, alimentos, lama, objetos cortantes e possíveis animais antes de retomar a rotina.
Antes, durante e depois: o que fazer?
Algumas atitudes ajudam a reduzir a exposição aos principais riscos relacionados a temporais e enchentes:
→ Durante ventos fortes e tempestades, procure abrigo seguro e evite permanecer próximo a árvores, postes, estruturas metálicas e locais sujeitos a alagamento.
→ Não atravesse áreas inundadas quando não houver segurança sobre a profundidade da água, a correnteza ou a presença de eletricidade e outros perigos.
→ Se houver contato inevitável com água ou lama de enchente, proteja pés e mãos com botas e luvas impermeáveis e cubra ferimentos.
→ Descarte alimentos e medicamentos que tenham entrado em contato com água da inundação e siga as orientações locais sobre a segurança da água para consumo.
→ Se houver falta de energia e necessidade de gerador, mantenha o equipamento ao ar livre, longe de portas, janelas e entradas de ventilação. Nunca o utilize dentro de casa ou da garagem.
Quando procurar ajuda?
Ferimentos importantes, choque elétrico, dificuldade para respirar, perda de consciência ou suspeita de intoxicação exigem avaliação de urgência.
Depois do contato com água ou lama de enchente, também é importante observar o aparecimento de sintomas nos dias seguintes. A leptospirose pode surgir entre 1 e 30 dias após a exposição, sendo mais comum o início entre 7 e 14 dias.
Febre, dor de cabeça, calafrios, vômitos e dores musculares podem ocorrer. Dor na panturrilha é um sinal frequentemente associado à doença.
Se houver febre ou outros sintomas após contato com água ou lama de enchente, procure atendimento e informe que houve essa exposição. Essa informação ajuda a equipe de saúde a considerar doenças relacionadas às inundações durante a avaliação.
Em emergências, a população pode acionar a Defesa Civil pelo 199, o Corpo de Bombeiros pelo 193 e o Samu pelo 192.
O alerta meteorológico é sobre chuva, vento e granizo, mas a proteção da saúde depende também do que fazemos diante das consequências do temporal.
Muitas vezes, o perigo mais evidente está no céu. Outros, como eletricidade na água, contaminação e monóxido de carbono, podem ser bem menos fáceis de perceber.
Quando o temporal é severo, esperar o ambiente estar seguro antes de agir também é uma forma de cuidado.
💬 Você e sua família saberiam o que fazer se faltasse energia ou a água entrasse em casa durante um temporal? Informação compartilhada antes da emergência pode fazer diferença.
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Fontes:
Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Portal do Instituto Nacional de Meteorologia. Acesse aqui. Acesso em: 21 set. 2026.
Ministério da Saúde. Orientações à população em situação de enchentes. Acesse aqui. Acesso em: 21 set. 2026.
Ministério da Saúde. Leptospirose. Acesse aqui. Acesso em: 21 set. 2026.
Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Safety Guidelines: Returning Home After a Natural Disaster. Acesse aqui. Acesso em: 21 set. 2026.



