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Paralisia de Bell: quando um lado do rosto perde os movimentos

A condição ganhou atenção após o diagnóstico de Renato Albani. Entenda os sinais, a recuperação e por que a fraqueza facial súbita exige avaliação rápida.

9 min de leituraPublicado em 12/10/2026
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Paralisia de Bell: quando um lado do rosto perde os movimentos

O humorista Renato Albani revelou, que foi diagnosticado com Paralisia de Bell após acordar com parte do rosto dormente. Segundo relato divulgado pela CNN Brasil, ele procurou atendimento médico, realizou exames e descobriu que a alteração estava relacionada ao funcionamento do nervo facial.

O episódio trouxe visibilidade a uma condição que pode surgir de maneira inesperada e comprometer movimentos simples, como sorrir, piscar e falar.

Embora a Paralisia de Bell geralmente apresente boa recuperação, existe um cuidado fundamental: a perda repentina dos movimentos do rosto não deve ser considerada inofensiva antes de uma avaliação médica.

Isso porque alterações semelhantes também podem ocorrer em situações graves, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O que aconteceu com Renato Albani?

De acordo com a reportagem publicada pela CNN Brasil, Renato Albani contou que acordou sentindo metade do rosto dormente. A sensação foi comparada pelo humorista à anestesia utilizada em procedimentos odontológicos.

Após procurar atendimento e passar por exames, recebeu o diagnóstico de Paralisia de Bell, condição que compromete temporariamente o funcionamento do nervo responsável pelos movimentos faciais.

O humorista relatou dificuldades para realizar movimentos como assobiar e pronunciar determinados sons. Apesar dos incômodos, afirmou que estava bem e havia iniciado tratamento.

O caso chama atenção porque os primeiros sinais podem aparecer em atividades bastante comuns. Uma pessoa pode perceber que o sorriso ficou diferente, que um dos olhos não fecha completamente ou que os movimentos da boca estão desiguais.

Essas mudanças podem causar preocupação, especialmente quando surgem de forma inesperada. E existe uma razão para levar o sintoma a sério: nem toda paralisia facial é causada pela doença de Bell.

O que é a paralisia de Bell e por que o rosto perde os movimentos?

Essa condição é uma alteração neurológica que provoca fraqueza ou perda dos movimentos dos músculos faciais, geralmente em apenas um lado do rosto.

O problema envolve o nervo facial, também chamado de sétimo nervo craniano, responsável por transmitir os comandos do cérebro aos músculos que permitem sorrir, franzir a testa, fechar os olhos e realizar outras expressões.

Para entender melhor, imagine o funcionamento de uma conexão que leva instruções de um ponto a outro. O cérebro continua enviando os comandos, mas o nervo afetado não consegue transmiti-los adequadamente aos músculos.

Na Paralisia de Bell, acredita-se que uma reação inflamatória provoque inchaço no nervo facial. Como ele atravessa uma passagem estreita dentro do crânio, esse inchaço pode prejudicar seu funcionamento.

O resultado é a redução ou a interrupção dos movimentos de um dos lados do rosto.

A causa exata da paralisia de Bell ainda não é completamente conhecida. Uma das principais hipóteses envolve a reativação de vírus, especialmente os da família do herpes, capazes de desencadear uma resposta inflamatória.

Entretanto, isso não significa que todos os pacientes tenham uma infecção viral identificável. Em muitos casos, não é possível determinar exatamente o que provocou a alteração.

A condição pode atingir pessoas de diferentes idades, embora seja mais frequente em adultos. Algumas situações, como a gestação e determinadas condições de saúde, estão associadas a maior risco.

Os sintomas vão além da aparência do rosto

A manifestação mais conhecida da Paralisia de Bell é a assimetria facial, quando um lado do rosto apresenta movimentos diferentes do outro.

Entretanto, o nervo facial participa de outras funções além das expressões. Por isso, entre as manifestações mais comuns estão:

→ Fraqueza ou perda dos movimentos de um dos lados do rosto.

→ Dificuldade para sorrir, assobiar, franzir a testa ou fechar completamente um dos olhos.

→ Queda de um dos cantos da boca, podendo dificultar a alimentação e a retenção de líquidos.

→ Alterações no paladar, principalmente na percepção dos sabores.

→ Dor ou desconforto na região próxima ou atrás da orelha.

→ Ressecamento ou lacrimejamento excessivo do olho afetado.

→ Maior sensibilidade a determinados sons.

Os sintomas costumam surgir rapidamente, podendo evoluir ao longo de algumas horas e atingir maior intensidade em até 72 horas.

Algumas pessoas também relatam sensação de peso ou dormência na face. Entretanto, a principal alteração da Paralisia de Bell é a perda de força dos músculos, e não necessariamente a perda da sensibilidade da pele.

A intensidade varia. Enquanto alguns pacientes apresentam movimentos apenas enfraquecidos, outros podem perder quase completamente a capacidade de movimentar a metade afetada do rosto.

Paralisia de Bell ou AVC: por que não é seguro tentar diferenciar sozinho?

Uma das dúvidas mais importantes envolve a diferença entre a paralisia de Bell e o AVC, popularmente conhecido como derrame.

As duas condições podem provocar alterações na movimentação do rosto, mas possuem origens diferentes.

Na Paralisia de Bell, o problema está no nervo facial. Já no AVC, ocorre uma interrupção do fluxo sanguíneo em uma região do cérebro ou o rompimento de um vaso sanguíneo, comprometendo o funcionamento das células cerebrais.

Em muitos casos de Paralisia de Bell, toda a metade do rosto é afetada, incluindo a testa e a capacidade de fechar o olho.

Em determinados tipos de AVC, a fraqueza pode ser mais evidente na parte inferior do rosto, enquanto os movimentos da testa permanecem preservados.

Mas existe um detalhe decisivo: essa diferença não é uma regra segura para identificar a causa em casa.

Alguns AVCs também podem comprometer os movimentos de toda a metade do rosto. Além disso, nem sempre o derrame provoca vários sintomas ao mesmo tempo.

Por isso, observar se a pessoa consegue franzir a testa, sorrir ou fechar os olhos não é suficiente para descartar uma emergência neurológica.

O Ministério da Saúde orienta atenção especial aos seguintes sinais:

→ Fraqueza ou formigamento repentino no rosto, braço ou perna, especialmente de um lado do corpo.

→ Dificuldade súbita para falar, pronunciar palavras ou compreender o que outras pessoas dizem.

→ Alterações inesperadas na visão, em um ou nos dois olhos.

→ Perda repentina do equilíbrio, da coordenação ou dificuldade para caminhar.

→ Dor de cabeça muito intensa, de início súbito e sem causa aparente.

Se o rosto ficar torto ou surgir fraqueza facial de repente, procure atendimento de emergência imediatamente, mesmo que não existam outros sintomas.

No Brasil, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado gratuitamente pelo número 192.

Não espere os sintomas desaparecerem para buscar ajuda. Também é importante informar à equipe de saúde o horário em que a alteração começou ou quando a pessoa foi vista pela última vez sem sintomas.

Por que o tratamento nas primeiras 72 horas faz diferença?

Depois que outras causas de paralisia facial são avaliadas e o diagnóstico de Bell é estabelecido, o tratamento busca reduzir a inflamação do nervo, proteger estruturas vulneráveis e favorecer a recuperação dos movimentos.

Uma das principais opções são os corticosteroides, medicamentos que diminuem a resposta inflamatória do organismo.

Segundo o National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, esses medicamentos podem aumentar as chances de recuperação quando iniciados precocemente, preferencialmente nos primeiros três dias após o aparecimento dos sintomas.

O NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, também destaca que o tratamento apresenta melhores resultados quando começa nas primeiras 72 horas.

Isso não significa que o paciente deva tomar corticoides por conta própria. A indicação, a dose e a duração dependem da avaliação médica, pois esses medicamentos possuem contraindicações e podem provocar efeitos adversos.

Em determinadas situações, o profissional também pode considerar medicamentos antivirais. Entretanto, os benefícios adicionais dessa associação não são igualmente claros para todos os pacientes.

A proteção dos olhos é uma parte essencial do tratamento

Existe uma consequência da Paralisia de Bell que merece atenção especial: a dificuldade para fechar completamente o olho do lado afetado.

Normalmente, o movimento das pálpebras distribui as lágrimas pela superfície ocular e ajuda a protegê-la contra o ressecamento.

Quando esse mecanismo deixa de funcionar adequadamente, a córnea (camada transparente que recobre a parte da frente do olho) pode permanecer exposta. Com o tempo, essa exposição aumenta o risco de irritação, ferimentos e complicações que podem comprometer a visão.

Por isso, proteger o olho afetado é tão importante quanto tratar a inflamação do nervo facial.

Dependendo da necessidade, o profissional de saúde pode recomendar:

→ Lágrimas artificiais para manter a superfície ocular lubrificada.

→ Pomadas lubrificantes específicas, especialmente durante o período de sono.

→ Proteção adequada da pálpebra durante a noite, quando o fechamento natural estiver comprometido.

→ Avaliação oftalmológica quando houver sinais de irritação, dor, vermelhidão ou alterações na visão.

Essas medidas precisam ser orientadas individualmente. Improvisar curativos ou utilizar colírios sem indicação pode não oferecer a proteção necessária.

Se o olho não fecha completamente, é importante informar isso ao profissional desde a primeira avaliação.

A paralisia de Bell tem cura? Como acontece a recuperação?

A evolução da paralisia de Bell costuma ser favorável.

Muitas pessoas começam a apresentar melhora depois de algumas semanas e recuperam parte ou a totalidade dos movimentos faciais em um período que pode variar de semanas até aproximadamente seis meses.

Entretanto, o tempo de recuperação não é igual para todos.

A intensidade inicial da paralisia, o grau de comprometimento do nervo e a resposta ao tratamento podem influenciar a evolução.

Alguns pacientes recuperam completamente os movimentos. Outros podem apresentar fraqueza persistente, movimentos involuntários ou alterações na coordenação dos músculos faciais.

Uma dessas possíveis consequências é a sincinesia, nome dado à contração involuntária de um músculo durante outro movimento. Por exemplo, o olho pode se fechar parcialmente quando a pessoa tenta sorrir.

Nos casos em que a recuperação é incompleta, o acompanhamento especializado pode incluir reabilitação facial, com técnicas direcionadas à recuperação e ao controle dos movimentos.

É recomendado uma nova avaliação quando os sintomas não começam a melhorar após três semanas. Acompanhamento também é importante quando surgem novos sintomas ou quando a recuperação permanece incompleta.

Vale lembrar que a recuperação pode ser gradual. Pequenas melhoras na movimentação da boca, dos olhos e das expressões faciais podem surgir antes de o rosto recuperar sua função habitual.

A Paralisia de Bell não significa necessariamente uma perda permanente dos movimentos faciais. A maioria das pessoas apresenta recuperação importante, mas o acompanhamento adequado faz diferença na prevenção de complicações e na identificação de situações que exigem outros cuidados.

O caso do humorista também deixa uma mensagem que vai além do diagnóstico: mudanças repentinas no funcionamento do rosto merecem atenção, mesmo quando não há dor intensa ou outros sintomas evidentes.

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Fontes:

CNN Brasil. Renato Albani é diagnosticado com paralisia de Bell; neurologista explica. Publicado em 9 out. 2026. Disponível aqui. Acesso em: 12 out. 2026.

National Institutes of Health (NIH). Bell's Palsy. Informações clínicas do National Institute of Neurological Disorders and Stroke. Disponível aqui. Acesso em: 12 out. 2026.

Ministério da Saúde. Acidente Vascular Cerebral (AVC). Governo Federal, Brasil. Disponível aqui. Acesso em: 12 out. 2026.

MedlinePlus. Bell palsy: Medical Encyclopedia. National Library of Medicine, Estados Unidos. Atualização: 4 maio 2026. Disponível aqui. Acesso em: 12 out. 2026.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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