Pular para o conteúdo

HomeEducação em Saúde

Alerta nos termômetros e nos hospitais: El Niño ameaça voltar ainda este ano

Cientistas indicam mais de 80% de chance para o retorno do fenômeno e alertam que impactos vão muito além do calor, afetando a nossa saúde.

5 min de leituraPublicado em 01/07/2026
WhatsAppLinkedIn
Alerta nos termômetros e nos hospitais: El Niño ameaça voltar ainda este ano

O monitoramento meteorológico nacional e internacional acendeu uma luz amarela que exige a nossa atenção imediata.

Instituições de peso apontam que existe uma probabilidade superior a 80% de formação de um novo fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com grandes chances de persistir até o início de 2027.

Cientistas explicam que o El Niño é um evento oceânico e atmosférico de grande escala que aumenta a temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial e bagunça a circulação dos ventos e das chuvas pelo mundo.

Para o brasileiro, essa mudança climática não representa apenas dias mais quentes ou abafados, ela mexe diretamente com o bem-estar e serve como um forte gatilho para o aumento de internações e de problemas de saúde pública em todo o país.

A grande engrenagem que mexe com o país

A atmosfera da Terra funciona como uma imensa máquina interligada, onde uma peça alterada no oceano muda o funcionamento de todo o resto.

No Brasil, as consequências dessa alteração costumam seguir um roteiro conhecido, mas perigoso.

Os estados da Região Sul passam a ter uma tendência muito maior de chuvas acima da média, temporais frequentes, inundações e deslizamentos de terra.

Enquanto isso, as regiões Norte e Nordeste enfrentam o caminho oposto, sofrendo com uma redução drástica das chuvas, secas severas, estresse hídrico, que é quando a demanda de água é maior do que a capacidade dos reservatórios, e um aumento alarmante nas queimadas.

Já no Centro-Oeste e Sudeste os efeitos são mais variáveis, marcados por extremos de calor, frentes frias e tempestades.

image

Quando a água traz o perigo para perto

Nas regiões atingidas pelo excesso de chuvas, os riscos começam no momento das enchentes e se arrastam por semanas após a água baixar.

Olhando de perto, funciona mais ou menos assim: as inundações lavam as ruas e trazem para a superfície lama e microrganismos perigosos.

O contato ou a ingestão dessa água suja abre as portas para surtos de doenças graves como a leptospirose, infecção transmitida pela urina de roedores, além de hepatite A e diarreia aguda.

Para piorar, o mofo gerado pela umidade e a aglomeração de pessoas desalojadas em abrigos provocam uma explosão de infecções respiratórias e crises severas de asma e bronquite.

O ar seco e as cortinas de fumaça

Do outro lado do mapa, onde a seca castiga, o sofrimento do corpo humano acontece pelo ar e pela sede.

A falta de chuva diminui os rios e prejudica o abastecimento básico, a higiene e a segurança alimentar.

Além disso, o tempo seco facilita os incêndios florestais, que lançam toneladas de fumaça e fuligem tóxica na atmosfera.

Se a gente parar para analisar, respirar essa fumaça equivale a inalar veneno diariamente.

Esse material particulado fino agrava problemas pulmonares crônicos e entra na corrente sanguínea, aumentando drasticamente o risco de eventos fatais, como o Acidente Vascular Cerebral, o famoso derrame, e o infarto agudo do miocárdio.

O mosquito ganha o ambiente perfeito

As memórias do último El Niño, ocorrido entre 2023 e 2024, deixaram lições epidemiológicas valiosas e preocupantes.

Naquele período, as Américas viveram a maior epidemia de dengue da sua história, ultrapassando a marca absurda de 13 milhões de casos registrados.

O Ministério da Saúde esclarece que o calor extremo proporcionado pelo fenômeno acelera o ciclo de vida e a reprodução do mosquito Aedes aegypti.

Com temperaturas mais altas, os ovos do mosquito eclodem muito mais rápido e as fêmeas picam mais vezes para se alimentar, multiplicando rapidamente os diagnósticos de dengue, zika e chikungunya.

O El Niño não age sozinho: A hora de prevenir é agora

A Fiocruz destaca um ponto essencial, o qual o El Niño altera as probabilidades do clima, mas os desastres só acontecem se as cidades não estiverem preparadas.

O fenômeno se soma a problemas antigos, como o desmatamento, a urbanização desordenada e a falta de saneamento. Por isso, a recomendação central para prefeituras e governos é antecipação.

Não se deve esperar a seca ou a enchente acontecer para agir. É preciso monitorar os dados climáticos em tempo real, estruturar abrigos seguros, garantir estoques de medicamentos e vacinas, e manter a população bem informada sobre como se proteger.

Guia de sobrevivência climática: Como proteger sua família?

Diante de mudanças tão drásticas no tempo, o cuidado com a saúde precisa virar rotina dentro de casa.

Não dá para controlar o clima do planeta, mas existem atitudes simples e certeiras que funcionam como um verdadeiro escudo para o nosso corpo.

Abaixo, separamos as principais recomendações dos especialistas para você se blindar contra os extremos do El Niño:

Nas enchentes, isole o perigo

Evite a todo custo o contato direto com a água da chuva acumulada nas ruas e com a lama que sobra após as cheias.

→ Se for inevitável fazer a limpeza do imóvel pós-inundação, proteja-se obrigatoriamente usando botas e luvas de borracha.

Na seca e na fumaça, hidrate e feche as portas

Force o hábito de beber água constantemente ao longo do dia, mesmo que você não esteja sentindo sede, para manter as vias aéreas úmidas e o organismo regulado.

→ Nos momentos em que a névoa de poluição e queimadas estiver mais densa no ar, feche completamente as portas e janelas de casa para criar uma barreira física protetora.

→ Suspenda totalmente a prática de exercícios físicos ou atividades intensas ao ar livre nesses dias poluídos.

No quintal, corte o ciclo do mosquito

→ Não faça vista grossa para nenhum potinho, calha entupida ou prato de planta que acumule água.

→ Além de eliminar a água, esfregue as laterais dos recipientes com bucha e sabão para remover os ovos que ficam colados na parede do plástico.

→ Dentro de casa, instale telas mosquiteiras em janelas e portas e adote o uso diário de repelentes corporais

Tirar dez minutos por semana para limpar o quintal quebra o avanço da dengue, da zika e da chikungunya antes que elas batam à sua porta.

Em tempos de extremos climáticos, a nossa capacidade de antecipar o perigo se torna uma ferramenta valiosa que temos para garantir que o risco do clima não se transforme em uma tragédia de saúde dentro do nosso lar.

📣 Se essa notícia foi útil e te ajudou a entender como se proteger, deixe seu gostei e compartilhe o link com alguém da família que precisa saber disso agora mesmo!

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
Cadastre-se na nossa newsletterReceba em primeira mão, todas as novidades e atualizações do Carteira de Saúde.
Carteira de Saúde © 2026 - Todos os direitos reservados