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Alimentos ultraprocessados invadem refeições no mundo inteiro e elevam risco de doenças

A dieta global mudou — e avisa-se: os ultraprocessados já comandam o prato!

3 min de leituraPublicado em 08/12/2025
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Alimentos ultraprocessados invadem refeições no mundo inteiro e elevam risco de doenças

Um abrangente estudo internacional publicado na revista The Lancet conclui que os alimentos ultraprocessados deixaram de ser opção para se tornar base da alimentação em muitos lugares do mundo.

A série de três artigos reuniu mais de 40 pesquisadores de diferentes países, entre eles a equipe do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP (Nupens).

Conforme os autores, há evidências robustas de que esses produtos industrializados, que incluem refeições prontas, refrigerantes, biscoitos, cereais matinais, fast food, entre outros, vêm substituindo alimentos frescos ou minimamente processados em dietas de pessoas de todos os continentes.

O que esse estudo descobriu?

↪︎ Em países como Espanha e China, a participação dos ultraprocessados na ingestão calórica diária quase triplicou nas últimas décadas.

↪︎ No Brasil, a representatividade desses produtos na dieta saltou de cerca de 10% nos anos 1980 para aproximadamente 23% atualmente.

↪︎ Em nações como Estados Unidos e Reino Unido, mais da metade da alimentação diária já vem desses produtos, nível que se mantém alto há décadas.

Os autores argumentam que não se trata apenas de modismo alimentar ou de escolhas individuais: a mudança nos hábitos decorre de um sistema alimentar global moldado por grandes corporações, cujo objetivo é o lucro.

Os ultraprocessados fazem tão mal

Quando alimentos ultraprocessados predominam na dieta, a qualidade nutricional cai, eles geralmente têm mais açúcar, gorduras saturadas, sal e calorias vazias, e menos fibras, vitaminas e minerais essenciais.

Além disso, a ciência já evidenciou que o consumo alto de ultraprocessados tem relação direta com maior risco de doenças crônicas.

Os estudos (metanálises) apontaram associações com obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado, problemas cardiovasculares, doenças renais, distúrbios intestinais, depressão e até morte prematura.

O relatório também destaca que essas dietas incentivam a ingestão excessiva de calorias, por causa da densidade energética, do sabor intenso e da textura macia dos alimentos, o que facilita o ganho de peso e gordura corporal mesmo quando a composição de macronutrientes (proteína, carboidrato, gordura) parece similar a uma dieta saudável.

Outro problema são os aditivos e ingredientes industriais usados nesses produtos, muitas vezes com pouco valor nutricional e potencial de risco à saúde.

Por que não adianta apenas “comer melhor” individualmente

Os autores da série enfatizam que culpar exclusivamente o consumidor seria um erro.

A ascensão dos ultraprocessados está diretamente ligada ao poder econômico e político da chamada “indústria dos ultraprocessados”, que investe em marketing agressivo, lobby político e em moldar os ambientes alimentares para favorecer seus produtos.

Por isso, são necessárias ações coordenadas de saúde pública para reduzir a produção, o marketing e o consumo desses alimentos, além de ampliar o acesso a alimentos frescos e saudáveis.

O problema vai além de escolhas individuais. A crescente dependência de alimentos ultraprocessados representa um desafio global de saúde pública um desafio que exige mudanças estruturais na produção de comida e nas políticas de alimentação.

Sempre que possível, optar por alimentos naturais ou minimamente processados (frutas, verduras, legumes, feijão, arroz, ovos, grãos integrais) ajuda não só a reduzir o risco de doenças, como também a fugir da “armadilha” das calorias fáceis e vazias.

As evidências estão aí, com respaldo de dezenas de estudos sérios ao redor do mundo. A hora de agir é agora — seja nas escolhas do dia a dia, seja cobrando políticas públicas mais firmes.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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