Alzheimer: novos riscos e novas esperanças
Estudos revelam papel de infecções, vacinas e lítio na luta contra a doença que desafia o mundo.

O Alzheimer, uma das doenças neurodegenerativas mais temidas do mundo, voltou ao centro das discussões científicas após a divulgação de estudos recentes em 2025.
As descobertas revelam tanto novos fatores de risco quanto caminhos promissores de tratamento, trazendo esperança para pacientes, familiares e profissionais de saúde.
Vírus comuns e o risco de Alzheimer
Recentemente, ganhou força a hipótese de que infecções virais podem desempenhar papel relevante no surgimento do Alzheimer.
Estudos internacionais mostram que vírus como herpes simples e varicela-zoster conseguem permanecer inativos no organismo por décadas; quando reativados, especialmente em situações de baixa imunidade, ativam processos inflamatórios no cérebro. Esse ambiente favorece o depósito de proteínas tóxicas, como a beta-amiloide e a tau, principais responsáveis pela destruição de neurônios.
Além disso, um estudo mostrou que pessoas vacinadas contra o herpes-zóster (Shingrix) tiveram redução de até 32% no risco de desenvolver demência, reforçando o papel preventivo das vacinas.
Infecções virais graves, como encefalite, e até o coronavírus também vêm sendo associadas ao aumento do risco de Alzheimer.
Um estudo americano com mais de 6 milhões de idosos constatou que aqueles que tiveram Covid-19 apresentaram até 80% mais chance de desenvolver Alzheimer em um ano. Pesquisadores acreditam que a inflamação sistêmica prolongada e alterações nos vasos sanguíneos cerebrais podem explicar parte desse efeito.
Avanço nas perspectivas de tratamento: Será que a cura do Alzheimer está próxima?
Do outro lado do cenário científico, resultados animadores vêm da Escola de Medicina de Harvard.
Uma pesquisa publicada em agosto deste ano demonstrou que a deficiência de lítio no cérebro pode ser um dos gatilhos da doença, tornando esse mineral fundamental para a saúde neuronal.
Em testes com camundongos, compostos de lítio conseguiram reverter sintomas do Alzheimer, restaurando memória e reduzindo placas beta-amiloide, sem causar toxicidade.
O estudo aponta que pessoas com o cérebro afetado pelo Alzheimer apresentam níveis muito baixos de lítio, e que a reposição controlada pode representar nova esperança terapêutica.
Complementando esse cenário, avanços em tratamentos já aprovados estão sendo celebrados, como o Kisunla (Donanemab), recentemente liberado no Brasil para retardar a progressão da doença em estágios iniciais.
O medicamento mostrou resultados superiores em atrasar o declínio cognitivo e reduzir as placas tóxicas no cérebro.
Ciência caminha para múltiplos caminhos de combate
Apesar dos avanços, ainda não existe cura definitiva para o Alzheimer. Pesquisadores reforçam que o futuro do tratamento deve envolver uma combinação de estratégias:
↪︎ Controle de infecções virais com vacinas e antivirais,
↪︎ Novos medicamentos modificadores da doença, como o Donanemab,
↪︎ Reposição de nutrientes essenciais para o cérebro, como o lítio.
A boa notícia é que, cada vez mais, fatores antes considerados inevitáveis começam a ser vistos como potencialmente modificáveis.
Esse novo cenário amplia a esperança de mudar o curso da doença e oferecer uma vida melhor a milhões de pessoas em todo o mundo.



