Andropausa: estudos revelam avanços e desafios da “menopausa masculina”
Pesquisas recentes mostram impacto hormonal, riscos metabólicos e novas possibilidades terapêuticas para homens após os 40.

A andropausa ou Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM) está recebendo atenção renovada graças a estudos recentes que sugerem: não só o envelhecimento influencia a queda da testosterona, como algumas terapias para perda de peso também podem ajudar a estabilizá-la.
Diferente da menopausa feminina, que costuma ser mais abrupta, a queda de testosterona na andropausa ocorre gradualmente, a partir dos 40 anos.
Um levantamento recente estima que até 25% dos homens acima de 40 anos no Brasil possam apresentar sinais da condição, como fadiga crônica, irritabilidade, ganho de peso abdominal e diminuição da libido.
A dimensão do problema
Segundo especialistas, a andropausa é subdiagnosticada no Brasil. Estima-se que mais de 21 milhões de homens estejam afetados pela DAEM, muitos sem saber que têm a condição.
Parte desse subdiagnóstico se deve ao estigma, uma vez que, muitos homens não conversam sobre sintomas como cansaço, queda de desejo ou instabilidade emocional.
Além disso, há alerta sobre o uso indiscriminado de testosterona. Médicos destacam que a reposição deve ser feita com cautela e acompanhamento, porque nem todo caso de queda hormonal exige tratamento “pesado”, além de ainda existir o risco de automedicação.
Medicamentos para obesidade e os níveis hormonais
Uma das grandes novidades vem de estudos apresentados no congresso da Endocrine Society (ENDO 2025).
Pesquisadores relataram que remédios à base de GLP-1, usados para tratar obesidade (como semaglutida, tirzepatida e outros), conseguiram elevar os níveis de testosterona em homens obesos, muitos deles com diabetes tipo 2.
De acordo com os dados, ao longo de 18 meses, a porcentagem de homens que apresentavam testosterona “normal” subiu de 53% para 77%. A melhoria nos níveis hormonais se associou diretamente à perda de peso desses pacientes.
Esse achado é bastante importante, pois sugere que, para alguns homens, cuidar da gordura corporal pode ter um efeito duplo, não apenas reduzir riscos metabólicos, mas também apoiar a saúde hormonal.
O que outras pesquisas encontraram?
Estudos nacionais ressaltam os impactos biológicos e sociais da andropausa. Uma revisão aponta que a queda da testosterona está associada à perda de massa muscular, alterações de humor, fadiga e até desafios na saúde preventiva.
Outra pesquisa mostra que, apesar de ser um processo natural, a andropausa traz consequências reais para a qualidade de vida e bem-estar masculino, e ainda é pouco debatida socialmente.
Além disso, pesquisadores discutem sobre o “hipogonadismo no envelhecimento masculino”, ou seja em como a deficiência de hormônios (como a testosterona) no idoso pode afetar não só a libido e a força muscular, mas também o humor e as capacidades cognitivas.
O que fazer se houver sintomas?
Diante desse cenário, especialistas recomendam:
↪︎ Observar sinais: se houver perda de energia, libido ou força, pode valer a pena investigar.
↪︎ Buscar médico: um urologista ou endocrinologista pode pedir exames para dosar a testosterona total e livre.
↪︎ Abordagem de estilo de vida: perder peso, especialmente a gordura abdominal, pode melhorar os hormônios naturalmente, agora, há evidência de que também pode se beneficiar do uso de certos medicamentos, sob supervisão médica.
↪︎ Tratamento hormonal com cautela: se houver indicação, a reposição de testosterona deve ser feita com acompanhamento, porque envolve riscos e não é para todo mundo.
A combinação de novos achados científicos com a alta prevalência estimada de andropausa coloca o tema em destaque.
O fato de medicamentos para obesidade poderem elevar a testosterona abre uma possibilidade interessante, a qual tratar a saúde metabólica pode, ao mesmo tempo, ajudar no equilíbrio hormonal.
Isso também reforça a importância de desmistificar a “menopausa masculina”, uma vez que, quanto mais homens conhecerem a condição, mais cedo poderão buscar acompanhamento e adotar estratégias para manter a qualidade de vida.



