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Anvisa apreende "emagrecedores naturais" falsos e testosterona falsificada

Ozempic Natural, Slim Turbo Premium e Slim CPS Dourado Gold são vetados; lote de Nebido também é apontado como falso.

6 min de leituraPublicado em 10/08/2026
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Anvisa apreende "emagrecedores naturais" falsos e testosterona falsificada

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, no início de agosto, a apreensão e a proibição total de três produtos vendidos como "emagrecedores naturais": Ozempic Natural, Slim Turbo Premium e Slim CPS Dourado Gold.

Nenhum deles tinha registro sanitário, ou seja, nunca passaram pela avaliação de segurança que a lei brasileira exige antes de um produto chegar ao consumidor.

Na mesma decisão, a agência também alertou para um lote falsificado do medicamento Nebido, à base de testosterona, hormônio usado sem indicação médica por quem busca ganho rápido de massa muscular.

Esse cenário escancara algo que já preocupa médicos e sanitaristas há tempos: a expansão de um mercado clandestino que se aproveita da fama de remédios como o Ozempic para vender qualquer coisa em nome do emagrecimento fácil.

O que a Anvisa decidiu?

A determinação está na Resolução-RE nº 3.055, assinada em 4 de agosto de 2026 e publicada dois dias depois no Diário Oficial da União.

O texto proíbe, de uma vez, a fabricação, a importação, a distribuição, a comercialização, a propaganda e o uso dos três produtos.

Além disso, a proibição não vale só para quem fabrica ou vende. Ela também alcança pessoas físicas e veículos de comunicação que ajudem a divulgar esses itens, o que inclui, na prática, perfis de redes sociais e sites que fazem propaganda desse tipo de produto.

Quando um produto tem registro na Anvisa, isso significa que alguém testou sua composição, verificou se as doses são seguras e confirmou que ele faz o que promete, dentro de certos limites.

Sem esse registro, não há absolutamente nenhuma garantia sobre o que está dentro do pote ou da ampola.

Foi exatamente essa lacuna que a agência identificou nos três produtos, uma vez que, as empresas responsáveis por fabricá-los nem sequer tinham a Autorização de Funcionamento (AFE), o documento que permite a uma empresa produzir medicamentos legalmente no país.

"Ozempic Natural": um nome que engana por completo

O caso do "Ozempic Natural" chama atenção pelo nome. Ele foi escolhido, evidentemente, para lembrar o Ozempic original, medicamento fabricado pela Novo Nordisk com o princípio ativo semaglutida, aprovado pela Anvisa para tratar diabetes tipo 2 e, sob prescrição médica, também usado no controle da obesidade.

Só que, segundo a Anvisa, o produto vendido como "Ozempic Natural" não tem relação nenhuma com o remédio original: nem com o fabricante, nem com a fórmula.

Normlamente, produtos com esse tipo de nome costumam ser formulados a partir de substâncias como berberina, psyllium, glucomanana ou linhaça, ingredientes que aparecem em suplementos alimentares comuns.

O problema é que não existe uma composição padronizada ou reconhecida para algo chamado "Ozempic Natural", o que significa que cada lote pode ter uma fórmula diferente, sem nenhum controle de qualidade por trás.

Os outros dois produtos apreendidos, Slim Turbo Premium e Slim CPS Dourado Gold, seguem a mesma lógica, onde há apenas promessas de emagrecimento rápido, sem qualquer selo de notificação ou cadastro sanitário que comprove segurança.

Testosterona falsificada: um risco de outra ordem

Enquanto os "emagrecedores" foram barrados por falta de registro, o caso do Nebido é diferente e, em certo sentido, mais grave: trata-se de um medicamento legítimo, mas de um lote especificamente falsificado.

O lote identificado como KT0S5T4 foi apontado como fraudulento pela própria Grünenthal do Brasil, empresa detentora do registro do produto no país.

Segundo a fabricante, o padrão de impressão das informações variáveis da embalagem, como número de lote e validade, não corresponde ao processo real de produção.

O Nebido é indicado para casos específicos de reposição hormonal masculina, mas tem sido usado, fora dessa indicação e sem orientação médica, por pessoas que buscam ganhar massa muscular rapidamente.

Um lote falsificado de um hormônio como a testosterona é particularmente perigoso, pois sem controle de fabricação, não há como saber a concentração real da substância, se há contaminantes, ou se a esterilidade do produto injetável foi preservada.

É o tipo de risco que pode passar despercebido até o momento em que já causou dano.

Por que esse mercado cresce tão rápido?

Se a gente parar para analisar o cenário mais amplo, esse caso não é um episódio isolado. Ele surge dentro de um contexto de sucesso comercial dos medicamentos para obesidade baseados em análogos de GLP-1, como a semaglutida, que se tornaram um fenômeno global nos últimos anos.

Esse sucesso tem um efeito colateral previsível, onde quanto mais um remédio vira sinônimo de solução rápida para o peso, mais gente cria versões falsas, "naturais" ou "genéricas" dele para vender sem esforço, sem estudo e sem responsabilidade.

E esse movimento acontece justamente num momento em que a obesidade segue crescendo no mundo. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial de Obesidade, a proporção de adultos brasileiros vivendo com obesidade saltou de 12,2% em 2003 para 26,8% em 2019, com projeção de chegar a 31% em 2025.

No cenário global, o mesmo levantamento estima que o mundo passará de 524 milhões de adultos com obesidade em 2010 para 1,13 bilhão até 2030.

Há sinais de estabilização em algumas nações desenvolvidas, sobretudo na Europa, mas Ásia e África seguem registrando o crescimento mais acelerado, associado ao aumento do consumo de alimentos ultraprocessados.

Assim, a demanda por soluções rápidas só tende a aumentar, e junto dela, infelizmente, a oferta de produtos irregulares que tentam surfar nessa onda.

O que fazer se você já usou ou comprou algum desses produtos?

Interrompa imediatamente o uso de qualquer um dos produtos citados (Ozempic Natural, Slim Turbo Premium, Slim CPS Dourado Gold) ou do Nebido do lote KT0S5T4.

→ Não tente identificar sozinho se o produto que você tem em casa é "seguro" comparando embalagens ou rótulos: sem análise laboratorial, não há como confirmar isso.

Guarde a embalagem e a nota fiscal, se tiver: elas ajudam caso você precise denunciar o ponto de venda.

→ Denuncie a compra à Anvisa pelo canal Fale com a Ouvidoria ou pelo telefone 0800 642 9782, informando onde e como adquiriu o produto.

Desconfie de qualquer anúncio que prometa emagrecimento rápido sem receita, sem acompanhamento médico e com desconto agressivo: é justamente esse tipo de discurso que sustenta esse mercado clandestino.

No fim das contas, o caso dos "emagrecedores naturais" e da testosterona falsificada não é sobre um produto ruim isolado. É sobre um sistema inteiro que se aproveita da pressa e da esperança de quem quer emagrecer ou ganhar músculo mais rápido.

E, como em toda fraude bem construída, o problema raramente aparece na primeira embalagem, ele aparece depois, quando já é tarde para reverter o dano.

Vale lembrar sempre da mesma frase: se promete resultado rápido demais e não exige receita nem acompanhamento, provavelmente não é seguro.

E você, já viu algum desses produtos sendo vendido por aí? Conta pra gente nos comentários!

📣 Se essa notícia te ajudou a entender o risco, deixe seu like e compartilhe com alguém que também pode estar sendo enganado por essas promessas.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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