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Apesar da queda, “um em cada cinco adultos” ainda fuma, alerta novo relatório da OMS

Organização Mundial da Saúde revela avanços no controle do tabaco, mas mostra que o cigarro continua presente na vida de milhões, inclusive no Brasil.

4 min de leituraPublicado em 13/10/2025
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Apesar da queda, “um em cada cinco adultos” ainda fuma, alerta novo relatório da OMS

No dia 6 de outubro de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um relatório que revela uma mistura de boas e más notícias sobre o uso do tabaco.

O documento mostra que, embora o número de fumantes esteja em declínio constante, o tabaco ainda atrai um em cada cinco adultos em todo o mundo.

Segundo a OMS, o consumo global caiu de 26,2% em 2010 para 19,5% em 2024, e as projeções indicam que a tendência de queda deve continuar até 2030. No entanto, o relatório alerta que os governos precisam intensificar as políticas de controle, para garantir que essa redução não estacione nos próximos anos.

O diretor-assistente da OMS para Promoção da Saúde, Jeremy Farrar, também reforçou o alerta: “Quase 20% dos adultos ainda usam tabaco e produtos de nicotina. Não podemos desistir agora.

Para a OMS, a indústria do tabaco está se adaptando rapidamente, migrando para produtos alternativos como vapes e cigarros aquecidos, o que torna o combate ainda mais desafiador.

Além disso, vale ressaltar que a nicotina é uma das substâncias mais viciantes conhecidas, capaz de alterar rapidamente o funcionamento do cérebro.

Com o uso contínuo, o cérebro passa a depender dessa substância para se sentir “normal”, levando à compulsão e tornando o abandono do tabaco um grande desafio, mesmo quando a pessoa reconhece os danos à saúde.

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A arma secreta: o pacote MPOWER

Para quem não está familiarizado, o relatório da OMS baseia-se em seis medidas comprovadas para combater o tabagismo, agrupadas sob o nome MPOWER:

↪︎ Monitorar o uso de tabaco e as políticas de prevenção

↪︎ Proteger as pessoas da fumaça do tabaco (ambientes livres de fumo)

↪︎ Oferecer ajuda para parar de fumar

↪︎ Warner (alertar) sobre os perigos do tabaco

↪︎ Enforce (fazer cumprir) proibições de publicidade, promoção e patrocínio

↪︎ Raise (aumentar) impostos sobre produtos de tabaco

Essas medidas, quando adotadas em sua forma ideal, reduzem significativamente tanto o número de fumantes quanto os danos à saúde pública.

O relatório afirma que, desde 2007, muitos países avançaram, mas poucos chegam ao nível máximo de aplicação dessas políticas.

De acordo com a OMS, mais de 6,1 bilhões de pessoas já estão protegidas por pelo menos uma dessas medidas, e 110 países exigem advertências gráficas nos maços de cigarro.

Vale notar que o Brasil é um dos poucos países que implementaram o pacote MPOWER na sua totalidade, ou seja, foi além por aplicar todas as seis medidas em “melhor prática”.

Foco no Brasil: avanços, desafios e impacto

No Brasil, o cenário segue positivo, mas ainda desafiador. A prevalência de fumantes adultos caiu para 9,1%, e a redução total desde 2010 chega a cerca de 35%.

Isso reflete décadas de campanhas educativas, ambientes livres de fumo, aumento de impostos e restrições à publicidade. No entanto, o uso de cigarros eletrônicos começa a preocupar, especialmente entre os mais jovens, o que pode comprometer esse progresso.

Apesar dos avanços, o impacto do tabagismo na economia e na saúde brasileira é enorme. Estima-se que o Brasil gaste R$ 67,2 bilhões por ano apenas com o tratamento de doenças relacionadas ao fumo, o equivalente a cerca de 7% de todo o orçamento da saúde.

Um alerta para jovens

Os números ainda impressionam: mais de 100 milhões de pessoas continuam fumando, sendo 86 milhões de adultos e ao menos 15 milhões de adolescentes de 13 a 15 anos.

A tendência recente de aumento no uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes é um dos pontos mais preocupantes do relatório.

A OMS estima que 10% dos jovens de 13 a 15 anos em todo o mundo utilizam algum produto de tabaco, uma taxa impulsionada pelo marketing agressivo, sabores atrativos e a falsa ideia de que o vape é “menos nocivo”.

Isso significa que um em cada dez adolescentes no mundo já usa algum tipo de produto de tabaco, o que preocupa especialistas e autoridades sanitárias.

Os cigarros eletrônicos estão alimentando uma nova onda de dependência da nicotina”, afirmou Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes Sociais da Saúde da OMS.

Eles são comercializados como redução de danos, mas, na realidade, estão viciando as crianças na nicotina mais cedo e correm o risco de minar décadas de progresso.”

No Brasil, especialistas já notam o mesmo fenômeno: o cigarro eletrônico se tornou o ponto de entrada para a dependência da nicotina entre adolescentes, revertendo parte dos ganhos obtidos com as políticas antitabaco nas últimas décadas.

A Sociedade Brasileira de Pediatria e o INCA alertam que essa tendência pode recriar uma nova geração de fumantes, desta vez disfarçada sob dispositivos modernos.

O novo relatório da OMS deixa claro que o tabagismo é mais do que um problema individual, é uma questão de saúde pública e de economia nacional. Fumar ainda é uma das principais causas evitáveis de morte no planeta, e mesmo quem não fuma pode sofrer com o fumo passivo.

Para manter o ritmo de redução, é essencial que governos mantenham políticas rígidas, que a população continue informada e que os jovens compreendam que o tabaco, sob qualquer forma, continua sendo uma armadilha disfarçada de novidade.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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