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AVC: o “derrame” que mata um brasileiro a cada seis minutos e afeta mais mulheres

Saiba por que elas estão mais vulneráveis, o que mudou no tratamento e como atitudes simples podem prevenir até 90% dos casos.

3 min de leituraPublicado em 22/10/2025
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AVC: o “derrame” que mata um brasileiro a cada seis minutos e afeta mais mulheres

No Brasil, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) mata uma pessoa a cada seis minutos. Até o início de outubro de 2025, foram registradas 64.471 mortes por doenças cerebrovasculares. No ano anterior, o total chegou a 85.457, superando até as mortes por infarto.

O AVC, popularmente chamado de “derrame”, acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido, chamado AVC isquêmico ou quando um vaso sanguíneo se rompe dentro do cérebro, chamado AVC hemorrágico.

Sem o sangue e, assim sem oxigênio e nutrientes, aquela região cerebral começa a “morrer”. O resultado pode ser perda de força, fala, visão ou coordenação.

Globalmente, o AVC segue entre as principais causas de morte e incapacidade. E um dado que chama atenção:

As mulheres correm risco maior do que os homens. Para as mulheres, o AVC é a terceira maior causa de morte, e cerca de 1 em cada 5 mulheres terá um AVC no decorrer da vida.

Por que as mulheres estão mais vulneráveis?

A explicação está, em parte, na hipertensão arterial, a famosa “pressão alta”. As mulheres apresentam uma maior predisposição à pressão alta, especialmente após a menopausa, quando há queda dos hormônios que ajudam a proteger o coração e os vasos sanguíneos.

E durante a gravidez, algumas podem desenvolver condições como pré-eclâmpsia, que também elevam o risco. Além disso, o uso prolongado de anticoncepcionais hormonais e o sedentarismo são fatores que aumentam ainda mais as chances de um AVC.

Em outras palavras, o corpo feminino passa por fases que mexem com o sistema cardiovascular e, se não houver cuidado, o perigo cresce em silêncio.

Evolução do tratamento

O tratamento do AVC evoluiu muito nos últimos anos. Hoje, a combinação de trombólise (tPA), quando há o uso de medicamentos que dissolvem coágulos, e da trombectomia mecânica, quando acontece a remoção do coágulo com cateter, tem salvado vidas e reduzido sequelas.

Tempo é cérebro, e quanto antes o tratamento começa, melhores as chances de recuperação.

Nos últimos anos, grandes estudos internacionais começaram a mostrar que nem todos os cérebros “morrem” na mesma velocidade. E com a ajuda de exames de imagem avançada, os médicos conseguem identificar se ainda existe uma área de cérebro “em sofrimento”, mas viva.

Assim, alguns pacientes podem se beneficiar de trombectomia mecânica até 16 ou 24 horas após o início dos sintomas. E da trombólise em até mais de 4,5 horas após o início dos sintomas, quando há boa viabilidade cerebral nas imagens.

Além disso, novas pesquisas sobre AVC têm explorado o uso de inteligência artificial para agilizar a análise de exames e indicar pacientes ao tratamento em tempo hábil, o desenvolvimento de drogas trombolíticas mais seguras e eficazes que o tPA tradicional e a aplicação de protocolos combinados para ampliar as chances de recuperação em janelas terapêuticas de tempo mais longas.

Também estão sendo testados dispositivos portáteis que ajudam equipes de ambulância a identificar rapidamente casos graves e encaminhar o paciente ao hospital certo.

Como prevenir e viver melhor?

A boa notícia é que 90% dos casos de AVC podem ser prevenidos, segundo a World Stroke Organization (WSO). As medidas são simples, mas exigem constância.

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O AVC não é uma doença exclusiva de idosos e pode atingir pessoas a partir dos 35 anos.

Com o controle dos fatores de risco e o reconhecimento rápido dos sintomas, é possível virar esse jogo. Cuidar da pressão, se movimentar e buscar ajuda na hora certa pode ser o que separa uma vida com sequelas de uma recuperação completa.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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