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Benefícios e riscos específicos do uso de canetas emagrecedoras para idosos

Entenda por que essa medicação exige avaliação médica detalhada, monitoramento contínuo e ajustes no estilo de vida para evitar complicações na terceira idade.

3 min de leituraPublicado em 13/01/2026
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Benefícios e riscos específicos do uso de canetas emagrecedoras para idosos

O uso de canetas emagrecedoras, dispositivos injetáveis que liberam medicamentos como semaglutida e tirzepatida para reduzir peso, tem se popularizado entre adultos em todo o país.

Embora sejam efetivas no tratamento de obesidade e em algumas condições associadas a doenças metabólicas, a aplicação dessa terapia em pessoas com 60 anos ou mais requer cuidados adicionais, segundo especialistas em geriatria e estudos internacionais.

Esses medicamentos, conhecidos tecnicamente como agonistas de receptores do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), reduzem a fome e retardam o esvaziamento do estômago, levando à perda de peso.

Nos idosos, porém, esse processo, que não distingue apenas gordura, pode impactar a saúde de formas que vão além da balança.

Por que os riscos aumentam com a idade?

Uma das principais preocupações dos geriatras é que o emagrecimento rápido pode acelerar a perda de massa muscular, um problema que já é comum com o envelhecimento.

E, quando esse problema é agravado, pode ocorrer a redução da força física e da capacidade de realizar atividades diárias. Essa condição é chamada de sarcopenia.

Entenda melhor sobre este assunto no nosso Guia "Sarcopenia: Estratégias para Proteger Seus Músculos na Velhice".

Outro ponto crítico é que efeitos colaterais digestivos, como náuseas, vômitos e diminuição da ingestão de alimentos e água, podem levar à desidratação e a desequilíbrios de eletrólitos no organismo, o que é particularmente perigoso em pessoas mais velhas.

Além disso, a perda rápida de peso pode trazer consequências inesperadas como redução da densidade óssea, aumentando o risco de fraturas, e desequilíbrio de glicose sanguínea em quem já faz uso de outros medicamentos para diabetes ou pressão arterial.

Não é para estética

Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), essas medicações devem ser indicadas apenas para casos bem definidos: obesidade clinicamente diagnosticada, diabetes tipo 2 ou apneia do sono associada ao peso corporal elevado.

Usá-las com fins estéticos ou para perder poucos quilos, sem avaliação médica, não é recomendado e pode trazer riscos à saúde.

O papel do acompanhamento multidisciplinar

Especialistas destacam que, quando há indicação apropriada, o uso de canetas emagrecedoras na terceira idade deve ser acompanhado por uma equipe que inclua:

Médico geriatra ou endocrinologista, responsável por avaliar riscos, ajustar doses e monitorar interações com outros medicamentos;

Nutricionista, para garantir que a alimentação continue adequada em nutrientes essenciais enquanto o apetite diminui;

Profissional de educação física ou fisioterapeuta, que pode orientar exercícios de resistência para preservar massa muscular.

Esse acompanhamento conjunto ajuda a minimizar efeitos indesejados e a promover um emagrecimento mais saudável, com foco em qualidade de vida e não apenas na redução de peso no curto prazo.

Alguns pontos que vale reforçar

Mesmo com acompanhamento, pesquisadores ressaltam que os dados sobre o uso de GLP-1 em idosos ainda são limitados.

Por isso, avaliações individuais, considerando doenças associadas, uso de múltiplos medicamentos, capacidade de administração das injeções e suporte familiar, são essenciais antes de iniciar o tratamento.

Profissionais também alertam para que pacientes e familiares estejam atentos a sinais de alerta durante o uso das medicações, como tonturas frequentes, fraqueza acentuada, queda de pressão ou sinais de desidratação, e busquem orientação médica imediatamente caso ocorram.

Canetas emagrecedoras representam um avanço terapêutico para o tratamento de obesidade e condições associadas em adultos. No entanto, em idosos, os potenciais benefícios precisam ser balanceados com riscos específicos dessa faixa etária.

O uso responsável passa pela indicação médica criteriosa, monitoramento contínuo e esforço conjunto de profissionais de saúde para garantir resultados que priorizem a saúde global e funcional da pessoa.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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