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Câncer colorretal pode crescer 21% no Brasil nas próximas décadas

Estudo aponta aumento de casos até 2040 e revela perdas bilionárias e milhões de anos de vida produtiva no país.

5 min de leituraPublicado em 16/03/2026
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Câncer colorretal pode crescer 21% no Brasil nas próximas décadas

O câncer colorretal, que atinge o intestino grosso (cólon) e o reto, deve crescer de forma significativa no Brasil nas próximas décadas. Estimativas apontam que o número de casos pode aumentar 21% entre 2030 e 2040.

Esse avanço está ligado principalmente ao envelhecimento da população, ao sedentarismo, à obesidade e ao maior consumo de alimentos ultraprocessados.

Além do impacto na saúde, a doença também traz consequências econômicas e sociais importantes. Estudos indicam que centenas de milhares de mortes por câncer colorretal já causaram perdas bilionárias ao país, com milhões de anos de vida produtiva perdidos.

Na prática, isso significa menos pessoas em idade ativa trabalhando e mais pressão sobre o sistema de saúde.

O que é o câncer colorretal?

O câncer colorretal é um tumor que surge no cólon ou no reto, partes do intestino grosso responsáveis por absorver água e formar as fezes.

Na maioria dos casos, ele começa como pólipos, pequenas lesões na parede do intestino que, com o tempo, podem se transformar em câncer.

Existem vários tipos de pólipos e muitos são considerados benignos com risco muito baixo. Além disso, a presença de mais pólipos no intestino e o tamanho deles (maiores que 1 cm) pode indicar maior risco de câncer colorretal, especialmente dependendo do tipo.

O tipo mais associado ao câncer é o adenoma ou pólipo adenomatoso. Ele é considerado uma lesão pré-cancerosa, ou seja, uma alteração que pode evoluir para câncer com o passar dos anos.

Para você ter uma ideia do tamanho do problema: cerca de 70% a 90% dos cânceres colorretais surgem a partir de adenomas, segundo revisões científicas e dados de sociedades médicas.

Mas é importante reforçar: nem todo adenoma vira câncer. Estudos indicam que menos de 10% dos adenomas avançados evoluem para câncer ao longo de muitos anos.

O processo entre o aparecimento do pólipo e o câncer costuma levar de 7 a 10 anos em média, podendo ser mais rápido ou mais lento dependendo do caso. É por isso que o rastreamento é tão importante.

O peso da doença no Brasil

Hoje, o câncer colorretal está entre os tipos mais frequentes no país. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 45 mil novos casos por ano no Brasil.

Estudos vêm alertando há alguns anos para o crescimento da incidência de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos. No Brasil, a projeção é que os casos aumentem cerca de 21% entre 2030 e 2040.

Além disso, muitos diagnósticos ainda acontecem tarde. Estudos indicam que mais de 65% dos casos são descobertos em estágios avançados, quando o tratamento se torna mais difícil.

Agora vem outro dado que chama atenção. Um estudo estimou que, entre 2001 e 2030, o câncer colorretal pode resultar em cerca de 635 mil mortes no país. Isso representa 12,6 milhões de anos potenciais de vida produtiva perdidos, além de cerca de US$ 22,6 bilhões em perdas de produtividade.

Em termos simples, é como se milhões de anos de trabalho e convivência social desaparecessem por causa da doença.

Por que os casos estão aumentando?

Especialistas apontam que o crescimento da doença está ligado a mudanças no estilo de vida da população. Entre os principais fatores estão:

→ Envelhecimento da população;

→ Sedentarismo;

→ Obesidade;

→ Consumo elevado de alimentos ultraprocessados.

Sabe aquele padrão alimentar cheio de produtos industrializados, como embutidos, snacks e refeições prontas? Pois é. Estudos mostram que a cada aumento de 10% no consumo de ultraprocessados, o risco de morte prematura pode subir cerca de 3%.

Esse tipo de alimentação costuma ter muito sal, gordura e aditivos químicos, o que pode favorecer inflamações e alterações no intestino ao longo do tempo.

O envelhecimento aumenta o risco porque o corpo acumula alterações nas células ao longo da vida. Já o sedentarismo contribui para inflamação no organismo e deixa o intestino mais lento, aumentando o tempo de contato com substâncias que podem favorecer o câncer.

Sinais de atenção

Nos estágios iniciais, o câncer colorretal muitas vezes não causa sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce. Quando aparecem, alguns sinais podem incluir:

Mudança persistente no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre);

Sangue nas fezes;

Dor abdominal frequente;

Perda de peso sem explicação;

Cansaço excessivo.

Mas atenção. Esses sintomas podem ter várias causas. O importante é observar quando eles persistem ou pioram. Na prática, é como um “alarme do corpo” que precisa ser investigado.

O papel do rastreamento

Como o câncer colorretal pode se desenvolver lentamente, exames de rastreamento são essenciais para identificar lesões antes que virem câncer.

Entre os principais exames estão:

Teste de sangue oculto nas fezes, que detecta pequenas quantidades de sangue invisíveis;

Colonoscopia, exame que permite visualizar o intestino e remover pólipos.

Muitas sociedades médicas recomendam iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos, mesmo sem sintomas, especialmente em pessoas de risco médio.

O que você pode fazer a partir de hoje?

Algumas atitudes simples ajudam a reduzir o risco da doença:

• Priorizar alimentos naturais ou minimamente processados;

Reduzir ultraprocessados e carnes processadas;

• Manter peso saudável;

• Praticar atividade física regularmente;

• Conversar com o médico sobre rastreamento a partir dos 45 anos.

Cuidar da saúde do intestino pode parecer um detalhe, mas faz uma enorme diferença ao longo da vida.

No fim das contas, vale a reflexão: será que estamos prestando atenção suficiente aos sinais que o nosso corpo dá?

💬 Você já ouviu falar em rastreamento do câncer de intestino?

Conte nos comentários o que te surpreendeu ou preocupou mais.

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Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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