"Câncer do 11 de setembro": tragédia que ainda acomete vítimas do ataque
Quase 50 mil pessoas que vivenciaram o atentado às Torres Gêmeas enfrentam cânceres ligados à exposição à poeira tóxica e substâncias perigosas no local.

Mais de duas décadas após o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, que destruiu as Torres Gêmeas nos Estados Unidos, um impacto silencioso e devastador segue afetando milhares de pessoas: o chamado "câncer do 11 de setembro."
Segundo dados recentes do Programa de Saúde do World Trade Center (World Trade Center Health Program), já foram certificadas 48,5 mil pessoas com câncer associado às exposições ocorridas naquele trágico dia.
Não são apenas as pessoas que estavam dentro dos prédios atingidos que adoeceram. Bombeiros, policiais, voluntários, vizinhos e trabalhadores do entorno também foram expostos à nuvem tóxica liberada pelo colapso, composta por uma mistura letal de cimento, asbestos, fumaça e combustíveis queimados.
Esta combinação inédita de substâncias químicas causou danos persistentes ao organismo, que só começaram a se manifestar anos depois.
O oncologista Stephen Stefani, da Oncoclínicas e Americas Health Foundation, explica que a presença de agentes como asbestos, benzeno, sílica e chumbo prejudicam os mecanismos naturais de correção celular do corpo, facilitando a mutação desordenada e o surgimento de tumores.
Epidemiologia e Casos Confirmados
Dos casos diagnosticados, 24,6 mil são de profissionais envolvidos no resgate e limpeza, como bombeiros e policiais, e 23,9 mil são sobreviventes civis.
Cerca de 65% das pessoas inscritas no programa têm pelo menos uma condição de saúde relacionada ao acidente. Como ressalta Stefani, "há mais vítimas do 11 de setembro depois do 11 de setembro do que no próprio dia."
Os cânceres mais comuns entre as vítimas estão entre:
↪︎ Câncer de pele não melanoma (15,5 mil casos)
↪︎ Câncer de próstata (10,9 mil)
↪︎ Câncer de mama feminina (4 mil)
↪︎ Melanoma de pele (3,2 mil)
↪︎ Linfoma (2,1 mil)
↪︎ Câncer de tireoide (2,1 mil)
↪︎ Câncer de pulmão e brônquios (1,6 mil)
Somente no último ano, o programa reconheceu 9,4 mil novos diagnósticos.

Foto: Nuvem de fumaça tomou sul de Manhattam após um dos prédios do World Trade Center desabar. Fonte: Jovem Pan.
Estudos científicos também apontam que os riscos para quem esteve exposto no local do ataque são significativamente maiores do que para a população geral, incluindo 19% mais casos de câncer de próstata e 81% mais casos de câncer de tireoide em socorristas e voluntários, além de aumento em leucemias e melanomas.
Impacto a Longo Prazo e Doenças Associadas
Além dos tumores comuns, também surgem casos de tumores raros como mesotelioma, relacionado à exposição ao asbestos, e cânceres de tecidos moles e do timo, mostrando a extensa agressão tóxica causada pela pulverização de substâncias mutagênicas no ar.
O programa também revela outros impactos na saúde das vítimas, incluindo rinossinusite crônica, refluxo gastroesofágico, asma e transtorno de estresse pós-traumático, ampliando a dimensão da tragédia silenciosa que se arrasta por décadas.
Em suma, o câncer do 11 de setembro é um lembrete sombrio de que o trauma vivido há mais de 20 anos continua vivo e presente no organismo daqueles que sofreram exposições tóxicas naquele dia fatídico, reclamando atenção, cuidado e vigilância constantes.



