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Carne vermelha e câncer: mito, verdade ou exagero?

Novo estudo desafia alertas antigos sobre os riscos da carne, mas especialistas pedem cautela e equilíbrio na dieta.

2 min de leituraPublicado em 08/09/2025
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Carne vermelha e câncer: mito, verdade ou exagero?

Por muito tempo, ouvimos que comer carne vermelha faz mal e pode até aumentar o risco de câncer. Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a classificar a carne vermelha como “provavelmente cancerígena” e a carne processada (como salsicha, bacon e presunto) como cancerígena.

Isso significa que havia indícios de que o consumo frequente poderia estar ligado ao câncer, especialmente o de intestino.

Mas um novo estudo, da Universidade Canadense McMaster, trouxe uma surpresa: ele sugere que a proteína de origem animal pode não aumentar o risco de câncer e, em alguns casos, até estaria ligada a um menor risco de morrer pela doença.

O que está por trás da polêmica?

Estudos antigos mostraram que substâncias presentes na carne e no modo de preparo (como churrascos em altas temperaturas) poderiam favorecer o surgimento de tumores.

O novo estudo, feito nos EUA, analisou milhares de pessoas e não encontrou aumento no risco de câncer entre quem comia carne regularmente. Pelo contrário, os pesquisadores observaram uma possível proteção.

O problema, segundo especialistas, é que esse tipo de estudo observa hábitos gerais de vida, e não prova causa e efeito. Além disso, fatores como qualidade da carne, quantidade consumida e acompanhamento com legumes, fibras e hábitos saudáveis fazem diferença.

Outro ponto levantado foi que o trabalho recebeu financiamento relacionado ao setor bovino, o que levou críticos a pedir cautela e transparência sobre potenciais conflitos de interesse.

Então, a carne é vilã ou mocinha?

A resposta ainda não é definitiva. A ciência da nutrição muda com frequência porque depende de estudos em diferentes países e populações.

O que se sabe até agora é que comer carne em excesso, principalmente as processadas, continua sendo um fator de atenção.

Estudos observacionais grandes, como o recente, são valiosos para levantar hipóteses e informar direções futuras, mas não costumam ser suficientes para mudar recomendações públicas por si só.

O espaço para o debate está aberto e não derruba todos os alertas já feitos. O melhor caminho continua sendo o mais simples: moderação, variedade e equilíbrio na alimentação.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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