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Cérebro com TDAH “desliga” mais durante tarefas, diz estudo

Pesquisa mostra que adultos com TDAH têm mais “ondas lentas”, ligadas a falhas de atenção, mesmo quando estão acordados.

3 min de leituraPublicado em 17/03/2026
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Cérebro com TDAH “desliga” mais durante tarefas, diz estudo

Um novo estudo publicado na revista JNeurosci revelou diferenças claras na atividade cerebral de adultos com e sem TDAH, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o TDAH afeta cerca de 5% das crianças e pode persistir na vida adulta em muitos casos.

O estudo mostrou que pequenos “apagões” no cérebro, parecidos com o sono, podem afetar a capacidade de manter o foco mesmo quando a pessoa está acordada.

A pesquisa liderada por Elaine Pinggal, da Universidade Monash, e buscou ainda entender se esse tipo de atividade cerebral diferente poderia explicar por que pessoas com TDAH têm mais dificuldade de concentração.

O que os cientistas encontraram?

Pesquisadores compararam a atividade cerebral de adultos com e sem TDAH enquanto eles realizavam tarefas que exigiam atenção prolongada.

Foram 32 adultos com TDAH que não usavam medicação e 31 adultos sem o transtorno (neurotípicos, ou seja, com funcionamento considerado padrão). Todos realizaram uma tarefa que exigia atenção contínua enquanto a atividade cerebral era monitorada.

Os resultados mostraram que o grupo com TDAH teve mais episódios dessa atividade cerebral semelhante ao sono durante a tarefa, "as ondas lentas".

Essas ondas são típicas do sono profundo. Ou seja, partes do cérebro entram em um estado parecido com “modo descanso” no meio de uma tarefa que exigia foco.

Assim, esses momentos estavam ligados a:

Mais falhas de atenção;

Respostas mais lentas;

Maior número de erros;

Sensação de sonolência.

Em outras palavras, é como se o cérebro “desse uma desligada rápida” no meio da atividade. Aqueles momentos em que a pessoa perde o fio da tarefa sem perceber.

O estudo sugere que o cérebro de pessoas com TDAH pode alternar mais rapidamente entre estados de atenção e estados semelhantes ao sono.

Segundo pesquisas complementares, esse fenômeno pode estar ligado a um desequilíbrio em neurotransmissores como a dopamina, substância que ajuda na motivação e foco.

Entretanto, os pesquisadores explicam ainda que esses episódios não são totalmente anormais. Na verdade, todo cérebro pode ter esses momentos quando está sob esforço mental intenso.

Pense como uma corrida longa: chega uma hora em que o corpo pede uma pausa. Com o cérebro, acontece algo parecido. A diferença é que, em pessoas com TDAH, esses “intervalos” acontecem com mais frequência, o que pode atrapalhar o foco e o desempenho.

O que já se sabia e o que o estudo acrescenta?

Estudos anteriores já mostravam que pessoas com TDAH têm dificuldade em manter atenção sustentada. Mas agora há um detalhe importante: o cérebro pode entrar em “micro-modos de sono” mesmo durante atividades.

Isso ajuda a explicar por que o TDAH não é apenas distração, mas uma condição neurológica real, com base biológica.

Além disso, outros estudos já indicam que em pessoas sem o transtorno, certos estímulos sonoros aplicados em momentos específicos do sono podem fortalecer as chamadas ondas lentas do cérebro.

Com isso, no dia seguinte, tende a haver menos episódios dessa atividade cerebral parecida com o sono enquanto a pessoa está acordada.

Assim, segundo os pesquisadores, um próximo passo seria testar se essas estratégias também funcionam em pessoas com TDAH. Se der certo, pode abrir caminho para novas formas de melhorar a atenção e o rendimento no dia a dia.

No fim das contas, o estudo ajuda a colocar luz em algo importante: o TDAH não é falta de esforço, e sim uma forma diferente de o cérebro funcionar.

Esses “apagões” de atenção têm base biológica e ajudam a explicar desafios reais do dia a dia. A boa notícia é que entender melhor esses mecanismos abre caminho para estratégias mais eficazes de tratamento e qualidade de vida.

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Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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