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Cérebros superaquecidos: Mudanças climáticas já afetam nossa saúde mental e cognitiva.

Na COP-30, na Amazônia, especialistas alertam que proteger o planeta é também proteger o cérebro.

3 min de leituraPublicado em 10/11/2025
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Cérebros superaquecidos: Mudanças climáticas já afetam nossa saúde mental e cognitiva.

A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP-30, começa hoje na Amazônia - Belém/PA e uma das discussões envolverá a centralidade à saúde e suas determinações socioambientais nas políticas climáticas.

Além disso, um alerta importante tem sido pauta central de discussões, antes mesmo da conferência: o aumento da temperatura global não afeta apenas oceanos, florestas e economias. Ele está afetando também o funcionamento do nosso cérebro.

O calor extremo altera nossa capacidade de raciocínio, aumenta o estresse, piora o sono e pode desencadear problemas de saúde mental. Parece exagero, mas a ciência já tem números preocupantes.

Calor extremo: o inimigo invisível da nossa saúde mental

Um estudo de Harvard acompanhou estudantes durante uma onda de calor e descobriu que, em dias muito quentes, o desempenho cognitivo foi até 13% mais lento, com 13% mais erros em testes simples. Em outras palavras, quando o clima está mais quente, o cérebro trabalha pior.

Pesquisas do Lancet Countdown on Health and Climate Change, observatório global que monitora como o clima afeta a saúde, mostram que há correlação entre ondas de calor e aumento de internações por ansiedade, depressão e até risco de suicídio.

Altas temperaturas prejudicam o sono, desregulam hormônios ligados ao humor e aumentam a inflamação no corpo, inclusive no cérebro.

No Brasil, a Fiocruz vem acompanhando esses efeitos e alerta que, com mais calor e eventos extremos, teremos mais:

• Exaustão térmica;

• Distúrbios do sono;

• Ansiedade e estresse;

• Piora de condições pré-existentes.

E não é só o calor. A fumaça de queimadas também afeta o sistema nervoso central. Estudos publicados mostram que micropartículas da fumaça podem chegar ao cérebro, provocando inflamação e piora da função cognitiva.

Saúde no centro da ação climática

Em carta aberta aos participantes da COP-30, a Fiocruz afirma: “A crise climática é, antes de tudo, uma crise de saúde.”

A instituição destaca que não é possível falar de clima sem falar das pessoas que adoecem devido às mudanças ambientais. Entre as principais recomendações apresentadas à COP-30, estão:

↪︎ Incluir a saúde como eixo central das decisões climáticas globais;

↪︎ Fortalecer a vigilância ambiental e sanitária em regiões vulneráveis;

↪︎ Reduzir queimadas e desmatamento por impactos diretos na saúde respiratória e mental;

↪︎ Criar sistemas de alerta para ondas de calor e eventos climáticos extremos;

↪︎ Ampliar o acesso à água potável e saneamento, já que o calor favorece surtos de doenças como dengue, cólera e leptospirose;

↪︎ Investir em cidades mais verdes, com sombra e circulação de ar

Segundo a carta, ignorar o impacto do clima na saúde é acelerar uma tragédia anunciada.

Não é futuro. Está acontecendo agora.

O IPCC, painel climático das Nações Unidas, já classifica o Brasil como área crítica.

Em 2023, o país enfrentou a maior onda de calor da história de registros. No Norte e no Centro-Oeste, hospitais chegaram a notificar aumento de atendimentos por desidratação, agravamento de doenças respiratórias e surtos de dengue.

E o futuro exige mudanças. De acordo com o Lancet Countdown, se o planeta passar de 2 graus acima dos níveis pré-industriais, o número de mortes por calor pode aumentar mais de cinco vezes até 2050.

A saúde do planeta é a nossa saúde

Os cientistas têm sido claros: agir pelo clima é agir pela saúde pública.

A COP-30 traz esperança porque, pela primeira vez, saúde está no centro da conferência. E é simbólico que isso aconteça no coração da Amazônia, um dos sistemas naturais mais importantes de regulação do clima do planeta.

Talvez seja a hora de enxergar o aquecimento global não só como uma ameaça distante, mas como algo pessoal. Algo que começa quando acordamos suando à noite, ou sentimos dificuldade de raciocinar durante um dia de calor extremo.

O clima está mudando. Nosso cérebro também.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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