CFM autoriza uso controlado da ozonioterapia para tratar feridas e dores
Conheça as condições específicas liberadas, o debate sobre a falta de evidência científica e os perigos do ozônio para a saúde humana.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou recentemente, por meio da Resolução CFM nº 2.445/2025, o uso da ozonioterapia como procedimento médico adjuvante para o tratamento específico de feridas e de dores musculoesqueléticas.
A resolução permite a aplicação da ozonioterapia no tratamento de feridas, como:
↪︎ Úlceras de pé diabético;
↪︎ Úlceras arteriais isquêmicas;
↪︎ Feridas infecciosas agudas;
↪︎ Úlceras venosas crônicas;
Em relação a dores musculoesqueléticas, a resolução libera a ozonioterapia como terapia auxiliar no tratamento de osteoartrite de joelho, por meio de injeção intra-articular, e na dor lombar causada por hérnia de disco, com injeções paravertebrais ou intradiscais em ambiente hospitalar.
A aplicação deve seguir critérios técnicos rigorosos, como:
↪︎ Diagnóstico médico prévio e exclusivo para indicação;
↪︎ Uso de técnicas seguras (bolsa plástica hermética, óleo ou pomada ozonizada);
↪︎ Registros detalhados em prontuário clínico da indicação, técnica, concentração, tempo, frequência e resultados;
↪︎ Equipamentos geradores de ozônio certificados pela Anvisa;
↪︎ Capacitação médica adequada para executar o procedimento.
O CFM destacou que permanece vetada a aplicação da ozonioterapia para outras condições clínicas, por falta de evidências científicas robustas que comprovem sua eficácia e segurança.
Mas afinal, o que é ozonioterapia e quais os riscos?
Trata-se de uma técnica que utiliza uma mistura de ozônio e oxigênio aplicada para estimular processos de cicatrização e alívio da dor.

Apesar da liberação recente para os usos específicos, sua prática gera polêmica no meio médico há décadas. Muitos especialistas e entidades médicas, como a Associação Médica Brasileira (AMB), criticam a terapia por não ter comprovação científica consistente de benefícios em humanos, considerando-a ainda experimental para a maioria das doenças.
Além disso, o gás ozônio é reconhecido como tóxico em concentrações elevadas, podendo causar efeitos adversos como irritação nas mucosas, problemas cardíacos, reações alérgicas e até complicações respiratórias graves, inclusive risco potencial de edema pulmonar em caso de inalação.
O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também mantêm orientações cautelosas, não aprovando equipamentos específicos para ozonioterapia médica além das aplicações estéticas e odontológicas.
Portanto, a regulamentação atual reforça uma postura de adoção controlada e monitorada da ozonioterapia, incentivando a continuidade de pesquisas científicas para avaliação dos riscos e benefícios reais.
A autorização do CFM marca uma flexibilização limitada, reconhecendo usos pontuais da ozonioterapia para feridas difíceis e dores musculoesqueléticas, mas reforça que a técnica não é uma solução milagrosa nem uma substituta de tratamentos médicos comprovados.
Pacientes e profissionais devem estar atentos aos riscos, buscar terapias com evidências científicas e considerar a ozonioterapia dentro do contexto da medicina baseada em evidências, com supervisão qualificada e informado consentimento.



