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Cientistas criam óvulos humanos a partir de células da pele e acendem nova esperança para a fertilidade

Experimento inédito transforma células da pele em óvulos e pode, no futuro, permitir que mulheres inférteis e casais homoafetivos tenham filhos com seu DNA.

3 min de leituraPublicado em 06/10/2025
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Cientistas criam óvulos humanos a partir de células da pele e acendem nova esperança para a fertilidade

Pesquisadores da Universidade de Ciências e Saúde do Oregon (EUA) alcançaram um feito histórico: conseguiram transformar células da pele humana em óvulos funcionais.

O estudo, publicado neste ano na revista Nature Communications, representa um avanço sem precedentes rumo a novas formas de tratar a infertilidade e ampliar as possibilidades de reprodução humana.

Como isso foi possível?

Para chegar a esse resultado, os cientistas retiraram o núcleo de uma célula da pele humana, onde está guardado o DNA completo da pessoa, com 46 cromossomos, e o inseriram em um óvulo doador que teve seu núcleo original removido.

Esse passo é essencial porque o óvulo doador funciona como uma “casca vazia”, preparada para receber o material genético da célula da pele.

No entanto, o DNA dessa célula contém o conjunto completo de cromossomos (46), enquanto um óvulo natural tem apenas metade (23), pois é feito para se unir ao espermatozoide e formar o par completo.

Para resolver isso, os pesquisadores aplicaram um processo inédito chamado “mitomeiose”, uma combinação entre os mecanismos de mitose (divisão celular normal) e meiose (divisão que forma células reprodutivas).

Esse método força a célula a descartar metade de seus cromossomos, fazendo com que o novo óvulo se comporte como se fosse natural.

O resultado foram óvulos artificiais que, ao serem fertilizados em laboratório com espermatozoides humanos, geraram embriões em estágio inicial.

No entanto, apenas cerca de 9% desses embriões chegaram a se desenvolver, e muitos apresentaram anomalias cromossômicas, ou seja, erros no número ou na estrutura dos cromossomos.

Avanço promissor, mas ainda distante da prática

Apesar do entusiasmo, os próprios autores do estudo reconhecem que a técnica ainda está longe de gerar bebês saudáveis.

Um dos maiores desafios foi garantir que a célula eliminasse exatamente metade do material genético, e em muitos casos, o processo acabou retirando cromossomos a mais, o que impediu o desenvolvimento normal dos embriões.

De acordo com os pesquisadores, será preciso pelo menos uma década de estudos para compreender totalmente como controlar essas divisões celulares e tornar o método seguro para uso em humanos.

Um futuro com novas possibilidades

Mesmo com as limitações, esse avanço abre portas para um novo capítulo na biologia e na medicina reprodutiva, uma vez que no futuro, a técnica poderá permitir que mulheres inférteis ou em idade avançada produzam seus próprios óvulos, e até que casais homoafetivos gerem filhos com o DNA de ambos.

Mais do que um experimento de laboratório, o estudo mostra que estamos começando a entender como recriar a vida a partir de uma simples célula da pele, algo inimaginável há poucos anos.

“É um estudo de prova de conceito, mas que mostra que estamos começando a entender como criar células reprodutivas humanas do zero”, afirmou um dos autores à imprensa científica internacional.

Esses achados representam um passo gigantesco para a humanidade, pois ampliam os limites do que é biologicamente possível e renovam a esperança de milhões de pessoas no mundo que sonham em formar uma família.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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