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Colesterol não é vilão, mas LDL alto merece atenção

Estudo recente reacende debate sobre metas de LDL e mostra menos infartos em pacientes de alto risco.

5 min de leituraPublicado em 07/05/2026
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Colesterol não é vilão, mas LDL alto merece atenção

O colesterol voltou ao centro da discussão porque muita gente trata o tema como briga de internet: ou é “vilão absoluto”, ou “não importa nada”, mas não é bem assim, a ciência mostra um caminho mais equilibrado.

O colesterol é necessário para o corpo, mas o excesso de LDL, conhecido como “colesterol ruim”, favorece placas nas artérias e aumenta o risco de infarto e AVC (Acidente Vascular Cerebral), principalmente em pessoas de maior risco.

O problema não é “ter colesterol”

Colesterol é uma gordura essencial para formar membranas das células, produzir hormônios e ajudar no funcionamento do organismo. O ponto delicado é como ele circula no sangue.

O LDL, sigla para lipoproteína de baixa densidade, funciona como uma espécie de “transporte” que leva colesterol pelo sangue, e não é ruim por existir.

O problema aparece quando ele circula em excesso. Nesse cenário, parte dessa gordura pode se infiltrar na parede das artérias. Com o tempo, esse acúmulo forma placas que endurecem e estreitam a passagem do sangue.

Pensa numa rua por onde passam caminhões carregados. Se esses caminhões começam a derramar carga nas laterais todos os dias, a pista vai ficando mais estreita.

Esse processo de excesso de gorduras circulando no sangue recebe o nome de dislipidemia (alteração nos níveis de colesterol e triglicérides).

E é justamente essa condição que aumenta o risco de aterosclerose e de problemas cardiovasculares, segundo o Ministério da Saúde. Ou seja, não é apenas “ter colesterol”, mas deixar esse desequilíbrio acontecer por muito tempo sem controle.

É importante sabermos que a aterosclerose não costuma avisar no começo. Não dá dor, não dá coceira, não aparece no espelho. Normalmente, a pessoa pode trabalhar, caminhar, dormir e seguir a vida enquanto a artéria vai estreitando aos poucos.

Quando essa placa cresce demais ou se rompe, pode bloquear o fluxo de sangue. A consequência pode ser infarto, AVC, doença vascular periférica e até morte súbita.

Menos LDL, menos risco: o que estudos indicam?

Um estudo recente chamado Ez-PAVE, publicado no New England Journal of Medicine e apresentado no congresso do American College of Cardiology, comparou duas metas de LDL em 3.048 pacientes que já tinham doença cardiovascular aterosclerótica (doença causada por placas nas artérias).

Um grupo buscou LDL abaixo de 55 mg/dL. O outro, abaixo de 70 mg/dL. Depois de 3 anos, eventos cardiovasculares importantes ocorreram em 6,6% do grupo com meta mais intensiva e em 9,7% do grupo com meta abaixo de 70 mg/dL.

Isso representou redução relativa de 33% no risco, principalmente por menos infartos não fatais e menos revascularizações (procedimentos para restaurar o fluxo de sangue).

O estudo ressaltou que esse resultado vale para pessoas com doença cardiovascular já estabelecida, não para todo mundo. Além de que, como o estudo foi conduzido com algumas limitações como em um único país (Coreia do Sul), não foi cego e acompanhou os pacientes por 3 anos, ele não consegue transformar 55 mg/dL em meta universal.

No entanto, ele fortalece a ideia de metas mais baixas para quem já tem alto risco, e isto é uma discussão que já vinha crescendo há anos. Além de que, já sabemos que LDL alto importa. A pergunta é qual meta faz sentido para cada perfil de risco.

A meta muda conforme o risco

Sabe aquele exame em que aparece “LDL”? Ele não deve ser lido sozinho, como se fosse nota de prova. O mesmo número pode ter significados diferentes em uma pessoa jovem sem fatores de risco e em alguém que já infartou, tem diabetes, fuma ou tem histórico familiar forte.

As diretrizes mais recentes da American Heart Association e do American College of Cardiology reforçam essa lógica:

→ Para prevenção primária, a meta pode ser menos rígida;

→ Para pessoas de alto risco, pode ficar abaixo de 70 mg/dL;

→ E para quem tem doença cardiovascular aterosclerótica e risco muito alto, a meta pode ser abaixo de 55 mg/dL.

Estilo de vida ajuda, mas nem sempre basta

Alimentação, atividade física, sono e abandono do cigarro são parte central da prevenção. Reduzir gordura trans e excesso de gordura saturada, comer mais vegetais e manter rotina ativa ajudam no controle do colesterol e do risco cardiovascular.

O Ministério da Saúde destaca ainda que a dieta equilibrada e exercício físico como pilares de prevenção.

Mas aqui vai um ponto importante: colesterol alto também pode ter influência genética. Então, não adianta culpar só “falta de força de vontade”. Em algumas pessoas, mesmo com bons hábitos, pode ser necessário medicamento, como estatinas, ezetimiba ou outras terapias, sempre com avaliação médica.

O que você pode fazer para proteger suas artérias?

1 - Faça exame de colesterol com regularidade, conforme orientação médica.

2 - Não interprete LDL sozinho. Leve em conta idade, pressão, diabetes, tabagismo, histórico familiar e eventos prévios.

3 - Reduza ultraprocessados, gordura trans e excesso de gordura saturada.

4 - Pratique atividade física de forma regular e segura.

5 - Não suspenda remédio por conta própria, especialmente se você já teve infarto, AVC ou colocou stent.

Procure atendimento médico se seu LDL vier alto repetidamente, se houver histórico familiar de infarto ou AVC precoce, ou se você já teve doença cardiovascular.

Procure urgência se tiver dor no peito, falta de ar súbita, fraqueza em um lado do corpo ou dificuldade para falar.

No fim, a melhor discussão não é “colesterol é bom ou ruim?”. A pergunta certa é: qual é o seu risco, qual é sua meta e o que precisa ser feito para proteger suas artérias antes que elas peçam socorro?

💬 E você, já olhou seu colesterol pensando no seu risco real, e não só no número do exame? Nos conte nos comentários!

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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