Pular para o conteúdo

HomeEducação em Saúde

Consumo elevado de adoçantes artificiais pode acelerar o declínio cognitivo

Pesquisa brasileira revela que adoçantes comuns, presentes em refrigerantes e produtos ‘diet’, podem acelerar o envelhecimento cerebral em até 1,6 anos.

3 min de leituraPublicado em 04/09/2025
WhatsAppLinkedIn
Consumo elevado de adoçantes artificiais pode acelerar o declínio cognitivo

Um estudo recente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) revela que o consumo elevado de adoçantes artificiais, como aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, sorbitol e xilitol, pode estar associado a um declínio mais rápido das funções cognitivas, como memória e fluência verbal.

A pesquisa acompanhou 12.772 servidores públicos brasileiros com idade média de 52 anos ao longo de oito anos, consolidando-se como a maior investigação já feita sobre o tema no país.

Segundo os resultados, as pessoas que consumiram as maiores quantidades desses adoçantes tiveram uma queda cognitiva 62% mais rápida, o que equivale a 1,6 anos de envelhecimento cerebral antecipado, em comparação com quem ingeria em menor quantidade.

Já os participantes em nível de consumo intermediário apresentaram um declínio 35% mais acelerado, correspondente a cerca de 1,3 anos de envelhecimento.

Os produtos onde esses adoçantes são geralmente encontrados incluem águas saborizadas, refrigerantes e bebidas energéticas diet, iogurtes e sobremesas de baixa caloria, além de versões em pó ou pastilhas para uso individual.

Aprofundando os achados do estudo

O efeito negativo do consumo dos adoçantes artificiais foi mais acentuado em pessoas com menos de 60 anos de idade, que apresentaram declínios mais rápidos na fluência verbal e cognição global.

Participantes com diabetes também mostraram maior sensibilidade aos efeitos adversos do consumo elevado de adoçantes.

Embora o mecanismo biológico ainda não esteja totalmente definido, estudos em animais sugerem que adoçantes artificiais podem causar neuroinflamação, alterar a microbiota intestinal e até levar à degeneração neuronal em regiões chave do cérebro, levando a hipóteses que conectam essas alterações ao declínio cognitivo.

O que dizem os especialistas?

Os autores do estudo, como a professora Claudia Kimie Suemoto (FMUSP), ressaltam que os resultados não comprovam causalidade, mas indicam uma associação preocupante que merece atenção.

Por outro lado, representantes da indústria de alimentos, como a British Soft Drinks Association e a International Sweeteners Association, destacam que adoçantes não calóricos são considerados seguros por autoridades de saúde, e afirmam que o estudo, por ser observacional, não prova um vínculo de causa e efeito direto.

Dicas e recomendações práticas

Para quem busca reduzir o uso de adoçantes artificiais, podemos considerar algumas orientações prudentes:

image

Perspectivas futuras

Os pesquisadores recomendam novos estudos, preferencialmente com rastreio por neuroimagem, para entender melhor os efeitos dos adoçantes no cérebro ao longo do tempo.

Além disso, há interesse em investigar alternativas de açúcar refinado e como diferentes populações podem responder de forma distinta ao consumo desses substitutos.

Contudo, esse estudo da USP reforça a necessidade de repensarmos o papel dos adoçantes artificiais em nossa dieta, especialmente quando se trata da saúde cerebral a médio e longo prazo.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
Cadastre-se na nossa newsletterReceba em primeira mão, todas as novidades e atualizações do Carteira de Saúde.
Carteira de Saúde © 2026 - Todos os direitos reservados