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Correr para acalmar: como a corrida reduz a ansiedade, segundo a ciência

Estudos mostram que correr ativa substâncias no cérebro que aliviam a tensão e ainda fortalece o emocional.

4 min de leituraPublicado em 19/11/2025
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Correr para acalmar: como a corrida reduz a ansiedade, segundo a ciência

Se você já ouviu alguém dizer que correr “acaba com a ansiedade”, pode dar algo de verdade nisso — e a ciência explica bem como isso acontece. Durante a corrida o cérebro libera uma série de substâncias químicas que promovem sensação de bem-estar e ajudam a controlar a ansiedade.

Um levantamento amplo, chamado de “Uma revisão exploratória da relação entre corrida e saúde mental” (traduzido), examinou 116 estudos e identificou que até sessões curtas de corrida (entre 10 e 60 minutos) estão associadas à melhora do humor, redução da ansiedade e de sintomas de depressão.

Mas não é só “suor”, é química também

Ao correr, seu corpo libera beta-endorfinas, que ajudam a reduzir a dor. O professor Marco Túlio de Mello, da UFMG, explica: “a beta-endorfina […] funciona como um gatilho para a liberação de dopamina”, neurotransmissor ligado ao prazer.

Além disso, há liberação de noradrenalina, serotonina e mais dopamina, substâncias que regulam nosso sistema nervoso. No caso de pessoas ansiosas, esses neurotransmissores podem estar “desregulados”, e o exercício ajuda a restabelecer o equilíbrio.

Outros sistemas importantes também entram em cena. O sistema opioide (relacionado às endorfinas) reduz a sensação de dor e tensão muscular, enquanto o sistema endocanabinoide regula o humor, o apetite e o estresse, contribuindo para a sensação de relaxamento típica de quem corre.

Superando desafios: não é só físico

Correr também acaba sendo um exercício mental, pois os primeiros minutos podem ser desconfortáveis, com a respiração acelerada, as pernas pesadas. Esse momento exige foco e resiliência, e superá-lo traz benefícios psicológicos.

Segundo a psicóloga do esporte Anna Vitória Renaux, “cada treino concluído reforça disciplina, superação e senso de competência” — especialmente para quem lida com a sensação de descontrole, típica da ansiedade.

A corrida é uma escolha poderosa porque é simples, não exige grande técnica, bastam um tênis, roupas confortáveis e vontade de sair. Isso torna a prática mais acessível e sustentável, o que é importante para que os efeitos positivos se mantenham a longo prazo.

Um efeito tão forte quanto remédio?

Uma pesquisa da Universidade Vrije, na Holanda, comparou os efeitos de sessões de corrida e antidepressivos em pacientes com ansiedade e depressão por 16 semanas. O resultado? Ambos os grupos melhoraram de forma semelhante.

Além disso, quem correu também teve ganhos na saúde física que não vieram com os remédios: melhor condicionamento, pressão arterial, frequência cardíaca.

Outros mecanismos pouco comentados

1 - BDNF e neuroplasticidade

Além dos neurotransmissores, estudos mostram que exercícios aeróbicos como a corrida também aumentam o nível de BDNF, um fator que ajuda o cérebro a se adaptar e se reorganizar (neuroplasticidade), o que está associado a uma maior resistência ao estresse psicológico.

2 - Redução da inflamação

A prática regular de corrida pode reduzir marcadores inflamatórios no corpo, e há evidências de que a inflamação crônica está relacionada a transtornos de ansiedade.

3 - Ritmo cardiaco e resiliência fisiológica

Pesquisadores também estudam como a variabilidade cardíaca (diferenças no intervalo entre batimentos) muda com a corrida. Isso pode refletir melhor regulação autonômica, ou seja, uma resposta fisiológica mais equilibrada ao estresse.

Quando a corrida pode “pesar demais”

Nem sempre mais é melhor. O levantamento citado no começo aponta que níveis muito altos de prática, como em corredores compulsivos ou maratonistas, podem ter efeito contrário ou seja, gerar estresse extra.

Também é importante manter equilíbrio: se a corrida começar a prejudicar outras áreas da sua vida (sono, relacionamentos, lazer) pode ser sinal de que algo está desequilibrado.

Como começar de forma segura?

↪︎ Comece devagar: sessões curtas de 20 a 30 minutos várias vezes por semana já podem trazer benefícios.

↪︎ Defina metas realistas: em vez de correr forte desde o início, é mais produtivo aumentar progressivamente o tempo ou a distância.

↪︎ Prefira correr ao ar livre sempre que possível: além dos efeitos químicos, a natureza pode ajudar a acalmar a mente.

↪︎ Considere correr em grupo: a socialização também traz efeitos positivos contra a ansiedade.

Se estiver em tratamento (com terapia ou medicação), converse com seu médico ou psicólogo antes de aumentar a intensidade ou frequência dos treinos.

Para ter mais informações sobre o assunto, aqui no Carteira de Saúde temos um guia interessante, com informações completas: Acesse aqui! Guia "Do Início à Linha de Chegada: Treinamento para Corredores".

A corrida surge como uma estratégia poderosa, acessível e natural para aliviar a ansiedade, ativando no corpo uma “fábrica de bem-estar” química e psicológica.

Traz controle, prazer e resiliência. E, para algumas pessoas, pode ser mais do que um hobby, pode se tornar um componente real de tratamento.

Mas atenção: não é substituto automático para tratamento médico ou psicológico nas formas graves de ansiedade, e o equilíbrio é essencial.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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