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Cresce o uso de testosterona por mulheres e entidades médicas alertam risco à saúde

Entidades médicas esclarecem que hormônio só é recomendado em um caso específico e podem ocorrer efeitos adversos sérios quando usado sem indicação clínica.

3 min de leituraPublicado em 11/12/2025
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Cresce o uso de testosterona por mulheres e entidades médicas alertam risco à saúde

Nos últimos meses, a demanda por tratamentos com testosterona entre mulheres tem crescido, impulsionada por promessas de aumento de libido, mais energia, melhora de desempenho físico e efeitos associados ao “rejuvenescimento”.

Essa tendência também tem sido fomentada nas redes sociais e em alguns consultórios que prescrevem o hormônio fora das orientações médicas tradicionais, sem comprovação científica sólida.

Em resposta a esse cenário, três importantes organizações médicas brasileiras, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) emitiram uma nota conjunta esclarecendo os riscos do uso de testosterona por mulheres e as situações em que a indicação é clinicamente válida.

Quando a testosterona é indicada para mulheres?

De acordo com as entidades médicas, a única indicação reconhecida cientificamente para prescrição de testosterona em mulheres é o tratamento do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH).

Esse transtorno refere-se à redução acentuada ou ausência persistente de desejo sexual por pelo menos seis meses, que causa sofrimento à pessoa afetada.

Antes de qualquer terapia hormonal, os especialistas recomendam investigar e tratar outras causas potenciais da diminuição da libido, como:

↪︎ Alterações hormonais como hipoestrogenismo (baixo estrogênio);

↪︎ Sintomas geniturinários da menopausa;

↪︎ Depressão e outros transtornos psiquiátricos;

↪︎ Efeitos colaterais de medicamentos;

↪︎ Obesidade e fatores psicossociais ou de relacionamento.

A nota também destaca que não existe um valor de testosterona “normal” universal para mulheres que permita concluir de forma simples que uma reposição hormonal é necessária.

Riscos do uso inadequado

Quando prescrita fora da indicação formal e sem acompanhamento clínico adequado, a testosterona pode trazer sérios efeitos adversos. Entre os mais comuns e preocupantes estão:

↪︎ Alterações na pele e no sistema capilar, como acne e queda de cabelo;

↪︎ Crescimento de pelos em padrões considerados masculinos;

↪︎ Aumento do clitóris e engrossamento irreversível da voz, mudanças que podem ser permanentes;

↪︎ Efeitos no fígado, incluindo toxicidade e risco potencial de tumores;

↪︎ Alterações de humor ou condições psicológicas;

↪︎ Infertilidade;

↪︎ Riscos cardiovasculares, como hipertensão (pressão alta), arritmias, tromboses, embolias, infarto e acidente vascular cerebral (AVC);

↪︎ Alterações desfavoráveis nos exames de colesterol e triglicerídeos, que podem afetar o coração a longo prazo.

Regulamentação e tendências

Entidades médicas e reguladoras reforçam que o uso de testosterona para fins estéticos, para melhorar composição corporal, desempenho físico, disposição ou “antienvelhecimento” não tem respaldo científico nem autorização legal no Brasil.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) veda esse tipo de utilização, e a Anvisa também não reconhece nenhuma formulação de testosterona para uso estético ou não terapêutico em mulheres.

Especialistas apontam que o corpo feminino naturalmente produz testosterona, mas em níveis muito menores do que o masculino, e que a queda do hormônio ao longo da vida é um processo gradual, não uma “deficiência” que exige reposição automática.

Como abordar a saúde hormonal feminina?

O ideal, segundo endocrinologistas e ginecologistas, é que qualquer avaliação hormonal seja realizada por um médico especialista, com base em história clínica detalhada, exames apropriados e diagnóstico claro.

O tratamento nunca deve ser iniciado apenas por dosagens isoladas de hormônio ou por objetivos estéticos.

Mulheres com queixas relacionadas à libido, energia ou bem-estar devem conversar com um profissional de saúde para avaliação completa e análise de causas subjacentes, que vão muito além dos níveis de testosterona no sangue.

Antes de iniciar qualquer tratamento hormonal, é fundamental buscar avaliação profissional qualificada, compreender as possíveis causas dos sintomas e priorizar terapias seguras, comprovadas e alinhadas às recomendações oficiais.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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