Dengue e Chikungunya voltam a preocupar: riscos crescem, mas medidas ganham força
Novo sorotipo da dengue e avanço do chikungunya aumentam risco de epidemias no Brasil.

O Brasil volta a enfrentar um momento de atenção em relação às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
A dengue, que já é conhecida pela maioria da população, ganha um novo elemento de risco com o ressurgimento do sorotipo 3 (DENV-3), que não circulava de forma significativa há quase duas décadas.
Isso preocupa especialistas porque grande parte dos brasileiros não tem imunidade contra esse tipo de vírus, aumentando as chances de surtos mais graves e hospitalizações.
Enquanto isso, o chikungunya, presente no país há cerca de dez anos, também está chamando atenção das autoridades de saúde. Apesar de muitas pessoas acharem que ele causa apenas sintomas passageiros, estudos recentes mostram que a doença pode deixar sequelas prolongadas, como dores articulares crônicas que impactam a qualidade de vida.
Essa característica torna o chikungunya especialmente desafiador para os serviços de saúde, já sobrecarregados por outras arboviroses.
Por que a situação é preocupante?
A dengue está presente no Brasil desde os anos 1980 e se consolidou como uma das maiores preocupações de saúde pública.
Nas últimas décadas, o país registrou sucessivas epidemias, com milhões de casos notificados e forte impacto sobre os serviços de saúde.
Em 2024, o Brasil bateu recordes de casos, e agora o ressurgimento do sorotipo 3 (DENV-3) reacende o alerta para um possível aumento na gravidade das infecções, já que infecções por diferentes sorotipos podem resultar em formas severas da doença, como a dengue hemorrágica.
Isso significa que até pessoas que já tiveram dengue antes podem estar em perigo.
O chikungunya foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2014 e, desde então, sua presença se espalhou rapidamente por todo o território nacional. Nos primeiros anos, os surtos foram marcados por alta incidência.
Em 2025, o mês de agosto apresentou um crescimento expressivo do número de casos, em relação ao registrado em agosto de 2024, e setembro já apresenta uma tendência de superar esse número novamente.
Outro ponto a ser destacaado é que o chikungunya é marcado por apresentar sintomas intensos, com destaque para as dores articulares incapacitantes.
Assim, a preocupação não é apenas com a transmissão atual, mas também com as consequências de longo prazo.
Muitos pacientes relatam dores persistentes que duram meses ou até anos, afetando a capacidade de trabalhar e realizar atividades diárias. Esses efeitos tornam a doença um problema de saúde pública que vai além do período imediato de infecção.
Medidas de prevenção e a fábrica de mosquitos
Diante desse cenário, as medidas tradicionais de prevenção continuam sendo fundamentais:
↪︎ Eliminar recipientes que acumulam água;
↪︎ Usar repelentes;
↪︎ Instalar telas em janelas;
↪︎ Estar atento a sintomas precoces para buscar atendimento médico.
Mas uma iniciativa inovadora também traz esperança. A recém-inaugurada fábrica de mosquitos com Wolbachia em Curitiba, a maior do mundo, pretende liberar mosquitos infectados com essa bactéria que impede o Aedes aegypti de transmitir vírus como dengue, zika e chikungunya.
A expectativa é que, nos próximos anos, a estratégia possa proteger até 140 milhões de brasileiros, reduzindo de forma significativa a circulação dessas doenças.
Dengue e chikungunya representam ameaças complementares e crescentes para a saúde no Brasil, exigindo tanto medidas individuais de prevenção quanto estratégias inovadoras em larga escala.
A chegada da fábrica de mosquitos com Wolbachia mostra que ciência e tecnologia podem ser aliadas importantes no controle dessas doenças, mas o engajamento da população continua sendo essencial para reduzir os riscos e evitar novas epidemias.



