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Dormir em horários irregulares pode dobrar risco ao coração

Estudo com 3,2 mil adultos viu efeito maior em quem passava menos de 8 horas por noite na cama.

4 min de leituraPublicado em 08/04/2026
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Dormir em horários irregulares pode dobrar risco ao coração

Dormir pouco já preocupa. Agora, um estudo inédito acrescenta mais uma peça a esse quebra-cabeça: dormir em horários muito irregulares também pode pesar para o coração.

A associação apareceu com mais força em pessoas que passavam menos de oito horas por noite na cama, o que ajuda a explicar por que rotina de sono não é detalhe, e sim parte da saúde.

O que o estudo encontrou?

Pesquisadores da Universidade de Oulu, na Finlândia, acompanharam 3.231 pessoas de meia-idade da coorte Northern Finland Birth Cohort 1966.

O sono foi medido por uma semana com monitor de atividade, e os desfechos de saúde foram acompanhados até 31 de dezembro de 2023. Nesse período, 128 participantes, ou 4% da amostra, tiveram eventos cardiovasculares importantes.

Entre quem dormia menos que a mediana do grupo, de 7 horas e 56 minutos por noite, a irregularidade no horário de dormir apareceu ligada a um risco cerca de duas vezes maior de eventos cardíacos importantes.

O mesmo aconteceu com a irregularidade no “meio do sono”, ou seja, o ponto entre a hora em que a pessoa dorme e a hora em que acorda. Já a irregularidade do horário de acordar, sozinha, não mostrou ligação clara com esse risco.

Esses eventos incluíam infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco), angina instável (dor no peito por redução do fluxo de sangue no coração), AVC, internação por insuficiência cardíaca (quando o coração perde força para bombear direito) ou morte por doença cardiovascular.

Em bom português: não estamos falando de um desconforto qualquer, mas de problemas sérios que exigem atendimento especializado.

Não é só quantidade. É ritmo também

Sabe aquele corpo que gosta de rotina? O sono funciona um pouco assim.

O relógio biológico, também chamado de ritmo circadiano, o sistema interno que organiza os horários de sono, fome, hormônios e energia ao longo do dia, trabalha melhor quando recebe sinais parecidos todos os dias.

Quando a hora de dormir vive mudando, é como tentar pegar um ônibus que nunca passa no mesmo horário: o organismo fica se reajustando o tempo todo.

A American Heart Association reforça que a saúde do sono não depende apenas do total de horas dormidas. Entram nessa conta a duração, a qualidade, o horário e a regularidade.

A entidade cita evidências de que a irregularidade do sono está associada a maior risco de doença cardiovascular, pressão alta, inflamação e obesidade.

Na prática, é assim: dormir em horários muito diferentes de um dia para o outro pode bagunçar pressão, metabolismo e liberação de hormônios.

É como tocar uma orquestra sem maestro. Cada instrumento até tenta acompanhar, mas o conjunto perde sincronia. Esse descompasso ajuda a entender por que coração, vasos sanguíneos e metabolismo podem sofrer com uma rotina de sono toda embaralhada.

Por que o efeito foi maior em quem dormia menos?

O estudo finlandês observou que o risco maior apareceu especialmente entre os participantes que passavam menos de oito horas na cama.

Isso conversa com orientações já conhecidas: o CDC informa que a maioria dos adultos precisa de pelo menos 7 horas de sono por noite, e a American Heart Association fala em 7 a 9 horas para a maior parte dos adultos.

Ou seja, quando a pessoa já dorme pouco, a irregularidade pode funcionar como uma segunda pancada no mesmo sistema.

Pensa comigo: se o corpo já recebe menos tempo para descansar, recuperar vasos, ajustar hormônios e baixar a pressão durante a noite, ficar mudando muito a hora de dormir pode piorar ainda mais o cenário. Não é garantia de que alguém vai infartar, claro.

Mas é um sinal de que o sono desregulado merece entrar na conversa sobre prevenção, junto com alimentação, atividade física e controle da pressão.

A mensagem principal não é “durma cedo a qualquer custo”. É “tente dormir em horários parecidos com frequência”. Segundo a National Sleep Foundation, horários consistentes de dormir e acordar estão associados a melhores resultados de saúde física e mental, inclusive para coração e metabolismo.

Isso vale especialmente para quem vive alternando dias muito puxados, finais de semana virando madrugada e manhãs de compensação.

Esse sobe e desce é o chamado “jet lag social” (quando a rotina da semana e a do fim de semana parecem fusos horários diferentes). Para o corpo, pode ser como ficar trocando o relógio da parede toda hora.

No fim das contas, o estudo reforça uma ideia simples: o sono não é um intervalo vazio do dia. Ele é parte do cuidado com o coração. E você, já reparou como seu corpo reage quando sua rotina de sono sai do eixo?

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Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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