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Dormir tarde aumenta risco de “vício” em redes sociais entre jovens

Pesquisa britânica aponta que os chamados “corujas” têm mais propensão a dependência de celulares, e que a solidão e ansiedade são os gatilhos.

4 min de leituraPublicado em 05/11/2025
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Dormir tarde aumenta risco de “vício” em redes sociais entre jovens

Nem todo jovem que dorme tarde vai se tornar dependente das redes sociais, mas um novo estudo britânico indica que aqueles que têm o hábito de adiar o sono, os chamados cronotipos “vespertinos” ou “corujas”, parecem correr mais risco.

São pessoas que naturalmente preferem ficar acordadas até mais tarde, mesmo quando precisam acordar cedo no dia seguinte.

Essa tendência pode estar ligada a um padrão biológico (cronotipo), o que significa que não se trata de “culpar” o jovem, mas de entender o contexto que o torna mais vulnerável.

A pesquisa, conduzida por especialistas das University of Portsmouth e University of Surrey, no Reino Unido, analisou o comportamento de 407 jovens entre 18 e 25 anos para investigar a relação entre horário de sono e uso de smartphones e redes sociais.

Os resultados mostraram que aqueles que dormiam mais tarde apresentaram níveis mais altos de uso problemático de tecnologia, um termo que não significa dependência clínica, mas descreve situações de risco, como:

↪︎ A pessoa sente ansiedade quando fica longe do celular;

↪︎ Deixa de cumprir tarefas por causa do uso excessivo;

↪︎ Checa notificações de forma compulsiva.

Por que isso importa?

O diferencial do estudo foi mostrar que o problema não está apenas em “ficar mais tempo online”, mas nas emoções que impulsionam esse comportamento.

Os pesquisadores descobriram que sentimentos de solidão e ansiedade funcionam como uma ponte entre o hábito de dormir tarde e o uso problemático das redes.

Em outras palavras, quanto mais solitários e ansiosos se sentiam os jovens, maior era a probabilidade de recorrerem às redes sociais e ao celular como forma de aliviar essas sensações, criando um ciclo difícil de quebrar: dormir tarde, sentir-se desconectado dos outros, compensar isso com mais tempo nas telas e, assim, reforçar o próprio padrão noturno.

Outro ponto importante é que esse comportamento afeta de forma significativa a rotina.

Dormir tarde já é conhecido por comprometer a qualidade do sono, aumentar o cansaço durante o dia e elevar o risco de sintomas depressivos. Agora, a pesquisa amplia essa preocupação ao incluir a dependência digital como parte do quadro.

Esses jovens não estão usando a tecnologia apenas porque ela está disponível”, explica a Dra. Wallinheimo, uma das autoras do estudo. “Eles a usam para tentar aliviar o desconforto emocional. A tragédia é que, muitas vezes, isso agrava seu sofrimento.”

Segundo os autores, até 40% dos jovens universitários britânicos podem apresentar sinais de uso problemático de redes sociais. E embora o estudo tenha sido feito com estudantes do Reino Unido, as conclusões chamam atenção para um fenômeno global, cada vez mais presente entre adolescentes e jovens adultos.

Caminhos práticos que ajudam

Apesar dos riscos, existem estratégias que ajudam a prevenir esse ciclo. Uma delas é reconhecer o próprio padrão de sono e entender que o cronotipo, a tendência natural de dormir e acordar mais tarde, tem influência biológica.

Outro passo é monitorar não apenas o tempo de tela, mas o impacto do uso nas emoções e no sono.

Além disso, criar rotinas de desconexão antes de dormir, reduzir o uso de telas no quarto e buscar atividades presenciais que estimulem o convívio social podem fazer diferença.

E quando a ansiedade ou o uso parecem sair do controle, procurar ajuda profissional é fundamental.

Para profissionais de saúde e educadores, o estudo reforça a importância de incorporar o tema do uso de redes sociais às orientações sobre higiene do sono e saúde mental.

Afinal, o problema não é simplesmente “usar demais”, mas a forma como o uso se relaciona com o bem-estar emocional e o ritmo biológico de cada um.

Contudo, dormir tarde e passar horas nas redes sociais pode ser um sinal de algo maior, que envolve sono, emoções e comportamento digital. Reconhecer esses padrões é o primeiro passo para quebrar o ciclo e recuperar o equilíbrio entre descanso, conexão e saúde mental.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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