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Essencial para a pele, contestado na internet: o que está por trás das críticas ao protetor solar

Recomendado por dermatologistas e órgãos de saúde, o protetor solar virou alvo de desinformação, mitos e teorias sem base científica nas redes sociais.

4 min de leituraPublicado em 29/12/2025
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Essencial para a pele, contestado na internet: o que está por trás das críticas ao protetor solar

O protetor solar é um dos principais instrumentos de proteção contra os efeitos nocivos da radiação ultravioleta (UV), segundo consenso de dermatologistas e órgãos de saúde pública.

É importante entendermos que a radiação UV é dividida em UVA e UVB. UVA penetra mais profundamente na pele e está ligada ao envelhecimento e ao câncer de pele, enquanto UVB é responsável por queimaduras solares.

Ambos podem causar danos celulares e aumentar o risco de câncer de pele ao longo do tempo. E o uso regular de protetor reduz esse risco de forma significativa.

No Brasil, o câncer de pele é o tipo mais comum entre todos os tumores malignos, representando cerca de 30% dos registros de câncer no país.

Assim, organizações como a Organização Mundial da Saúde recomendam a aplicação diária de protetor solar com amplo espectro (proteção contra UVA e UVB), mesmo em dias nublados, como parte de uma estratégia mais ampla de proteção solar que inclui roupas, chapéus e sombra.

Embora nenhum filtro bloqueie 100% dos raios UV, seu uso consistente diminui substancialmente o risco de câncer de pele e fotoenvelhecimento.

O que está por trás da desconfiança?

Nos últimos anos, um movimento informal nas redes sociais, às vezes chamado de “movimento antiprotetor solar”, tem ganhado força.

Essa tendência difunde a ideia de que os protetores solares seriam desnecessários ou até prejudiciais à saúde.

Alguns fatores contribuem para isso:

1 - Influenciadores sem formação científica promovendo teorias não comprovadas

Vídeos virais e postagens sugerem que certos ingredientes são “tóxicos” ou que remédios naturais substituem o protetor solar.

Esses conteúdos muitas vezes ignoram anos de evidências científicas e promovem alternativas sem eficácia comprovada.

2 - Confusão entre alergias individuais e segurança universal

Algumas pessoas relatam sensibilidade ou irritação ao usar certos produtos. Embora alergias a componentes pontuais sejam possíveis, isso não invalida os benefícios gerais do protetor solar.

Dermatologistas orientam que, em caso de reação, a pessoa procure um profissional para testar fórmulas alternativas.

3 - Ilusão sobre vitamina D e exposição solar

Argumenta-se frequentemente nas redes sociais que o protetor solar impediria a síntese de vitamina D, essencial para a saúde óssea.

Embora bloqueie parte da radiação UV, a exposição moderada e equilibrada ao sol, associada ao uso adequado de proteção, ainda permite níveis saudáveis de vitamina D.

Esse tema, entretanto, é frequentemente simplificado ou deturpado em conteúdos online.

Desinformação Crescente

A velocidade com que conteúdos são compartilhados nas redes sociais cria um fenômeno conhecido como “Infodemia”: uma sobrecarga de informações que mistura fatos comprovados com afirmações falsas ou enganosas.

Nesse contexto, algumas dinâmicas favorecem a desinformação:

↪︎ Apelo emocional: títulos sensacionalistas atraem cliques e visualizações, mesmo que contenham imprecisões.

↪︎ Falta de verificação: muitas postagens não citam fontes científicas ou são baseadas em experiências pessoais isoladas.

↪︎ Algoritmos das plataformas: favorecem conteúdos que geram engajamento, independentemente da veracidade.

Essas características podem criar uma percepção de que há um “segredo escondido” sobre o protetor solar, quando na verdade essa narrativa é fruto de interpretações equivocadas de dados ou de interesses comerciais.

O alerta dos especialistas

Dermatologistas e instituições de saúde alertam que rejeitar o protetor solar com base em informações imprecisas pode ter consequências sérias.

A incidência de câncer de pele continua alta em muitas partes do mundo, e a exposição solar sem proteção comprovadamente contribui para esse aumento.

Esses especialistas lembram que:

↪︎ Usar protetor solar corretamente, aplicado 30 minutos antes da exposição e reaplicado a cada duas horas ou após nadar, é uma das medidas mais eficazes para prevenção do câncer de pele.

↪︎ Protetores com amplo espectro e FPS 30 ou superior são recomendados para uso diário.

↪︎ Informar-se em fontes confiáveis, como sociedades de dermatologia e órgãos de saúde pública, ajuda a separar evidências científicas de boatos.

O protetor solar permanece amplamente recomendado pela comunidade médica e pela OMS como uma ferramenta essencial para reduzir danos causados pelo sol.

A crescente desconfiança nas redes sociais é um reflexo do ambiente digital atual, em que informações de baixa qualidade podem se espalhar rapidamente.

Saber diferenciar afirmações sem base científica de orientações respaldadas por evidências é fundamental para escolhas de saúde mais seguras e eficazes.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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