Exercício físico: a arma surpreendente na luta contra o câncer
Estudos comprovam que a atividade física reduz mortalidade, evita recidivas e potencializa tratamentos oncológicos.

É difícil imaginar que algo tão simples quanto caminhar todos os dias possa ter um impacto real na prevenção e no tratamento de uma doença tão temida quanto o câncer.
Mas é exatamente isso que a ciência tem mostrado: o exercício físico é uma arma poderosa – e muitas vezes subestimada – contra o câncer.
Nos últimos anos, diversos estudos de peso têm revelado que manter o corpo em movimento pode reduzir o risco de desenvolver vários tipos de câncer, melhorar a resposta ao tratamento, diminuir as chances de recidiva (o câncer voltar) e até aumentar as taxas de sobrevivência.
Quanto mais você se mexe, menor o risco
Um estudo realizado com mais de 85 mil adultos no Reino Unido mostrou que pessoas que se mantinham fisicamente ativas no dia a dia tinham até 26% menos chances de desenvolver câncer. E o mais surpreendente: não é preciso correr maratonas para obter benefícios. Atividades leves, como caminhar, fazer tarefas domésticas ou jardinagem, já mostraram efeitos positivos.
A pesquisa revelou que caminhar 7.000 passos por dia já diminui o risco em 11%, e quem caminha 9.000 passos tem uma redução de 16% no risco de desenvolver câncer.
“Esses dados reforçam que mesmo pequenas mudanças na rotina podem ter um impacto significativo na saúde a longo prazo”, afirmam os autores do estudo, ligado ao Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH).
Depois do diagnóstico, o exercício ainda ajuda
Para quem já recebeu o diagnóstico de câncer, o exercício também pode fazer toda a diferença.
Em 2025, um dos maiores congressos mundiais sobre câncer (ASCO) apresentou os resultados do CHALLENGE Trial, um estudo que acompanhou sobreviventes de câncer de cólon que participaram de um programa estruturado de atividades físicas.
Os resultados foram impressionantes:
↪︎ 28% menos risco de o câncer voltar;
↪︎ 37% menos risco de morte após 8 anos;
↪︎ Sobrevivência geral de 90% entre quem se exercitou, contra 83% no grupo que não praticou atividades;
“Em alguns casos, os efeitos do exercício superaram os resultados da própria quimioterapia”, comentou o oncologista canadense Kerry Courneya, um dos autores do estudo.
E como isso funciona?
O exercício atua em várias frentes no corpo:
↪︎ Melhora a circulação sanguínea, o que ajuda os medicamentos a chegarem melhor aos tumores.
↪︎ Reduz a inflamação crônica, que é um dos fatores que favorecem o crescimento do câncer.
↪︎ Fortalece o sistema imunológico, ajudando o corpo a identificar e combater células anormais.
↪︎ Controla o peso corporal, que está ligado ao risco de diversos tipos de câncer.
↪︎ Pode até provocar mudanças genéticas benéficas, como a ativação de genes que combatem o tumor.
Esses achados mudam paradigmas, pois enquanto recomendações antigas sugeriam repouso durante o tratamento, hoje a orientação é que todo paciente oncológico deve se manter ativo.

Cada vez mais médicos e pesquisadores têm defendido que a prescrição de exercícios físicos seja incluída nos protocolos de tratamento do câncer, ao lado de medicamentos, quimioterapia e radioterapia.
Segundo especialistas, o exercício não deve ser visto como “complementar”, mas sim como parte essencial do cuidado com o paciente.
A ciência deixa claro: mexer o corpo — mesmo em intensidade moderada — pode salvar vidas diante do câncer, reduzindo riscos e turbinando a resposta ao tratamento.



