Farmácia Popular: veja os 41 itens gratuitos e quem tem direito
De remédios para pressão e diabetes a fraldas e absorventes, veja quem tem direito e como retirar cada item de graça.

Desde fevereiro de 2025, o Programa Farmácia Popular do Brasil passou a oferecer, sem cobrar nada no balcão, 41 itens entre medicamentos e insumos usados no dia a dia por quem convive com hipertensão, diabetes, asma e outras nove condições de saúde.
A mudança ampliou para gratuidade integral algo que antes funcionava, em parte, por copagamento, que era quando o paciente pagava uma fração do preço.
Segundo o Ministério da Saúde, a lista, atualizada em 31 de agosto de 2026, cobre 12 indicações diferentes, do controle da pressão arterial à dignidade menstrual.
Só que nem tudo funciona da mesma forma: itens como fraldas geriátricas e absorventes têm público elegível específico e pedem uma autorização à parte, o que costuma gerar confusão bem na hora de retirar o produto.
Entender essas regras evita idas e vindas desnecessárias à farmácia e garante que o benefício chegue a quem realmente tem direito.
Uma gratuidade maior, mas com letra miúda
Antes de fevereiro de 2025, o Farmácia Popular já existia, só que de um jeito mais limitado, onde alguns medicamentos saíam de graça e outros exigiam copagamento, sobretudo os usados no tratamento de doenças crônicas mais recentes na lista.
A partir daquele mês, o programa passou a garantir 39 medicamentos e dois insumos totalmente gratuitos, voltados à Atenção Primária à Saúde, ou seja, o primeiro nível de cuidado, aquele oferecido nos postos de saúde e nas unidades básicas, pensado para prevenir e tratar as condições mais comuns antes que elas se agravem.
Para quem toma um remédio de pressão todo santo dia, ou usa insulina para controlar o diabetes, essa diferença entre "de graça" e "com copagamento" pesa no orçamento do mês inteiro.
É justamente por isso que a ampliação de 2025 foi tratada como uma das mudanças mais relevantes do programa desde sua criação, em 2011.
As 12 indicações cobertas hoje são: hipertensão, diabetes, diabetes associada a doença cardiovascular, asma, dislipidemia (colesterol alto), osteoporose, rinite, doença de Parkinson, glaucoma, incontinência urinária, dignidade menstrual e anticoncepção.
A lista completa, doença por doença
Aqui vai o retrato mais direto do que está disponível de graça em farmácias e drogarias credenciadas.

A concentração (miligramas ou microgramas) indicada é a que consta no elenco oficial, mas a apresentação exata (comprimido, aerossol, solução) pode variar conforme o produto cadastrado.

Vale um alerta sobre a asma: as apresentações da lista podem vir em aerossol ou em solução para inalação, e a concentração isolada não deve ser lida como uma orientação de dose.
Quem usa esses remédios continua precisando seguir a receita do profissional que acompanha o tratamento, e não o número que aparece na tabela.
Genérico é o que garante o remédio, a marca não
Aqui mora um dos pontos que mais confundem quem vai à farmácia pedindo pelo nome que está acostumado a ouvir.
O Farmácia Popular garante o acesso ao princípio ativo, ou seja, à substância que efetivamente trata o problema, não a uma marca comercial específica.
É como pedir "farinha de trigo" numa receita de bolo: tanto faz se o pacote é de uma marca ou de outra, o que importa é o ingrediente dentro dele.
Isso explica por que remédios popularmente conhecidos por nomes de marca, como "Glifage" (metformina) ou "Forxiga" (dapagliflozina), não aparecem assim no elenco oficial.
O programa cobre as apresentações cadastradas de metformina e de dapagliflozina, e a disponibilidade de cada marca específica depende dos produtos e códigos de barras registrados no programa, além do estoque de cada farmácia credenciada naquele momento.
Um caso parecido acontece com a insulina: o termo genérico "insulina humana 100 UI/mL", às vezes usado de forma simplificada, na verdade se refere a dois produtos distintos e ambos gratuitos: a insulina humana regular e a insulina humana NPH.
São formulações diferentes, com tempos de ação diferentes, e o profissional de saúde é quem define qual delas cabe em cada tratamento.
Já a dapagliflozina merece um cuidado a mais. Pelo Farmácia Popular, ela é destinada especificamente a pessoas com diabetes tipo 2 associado a doença cardiovascular e a partir de 65 anos, sempre com prescrição.
Essa regra não deve ser confundida com a dispensação pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, uma via diferente do SUS que segue outros critérios e pode alcançar pessoas de faixas etárias distintas, conforme o protocolo clínico da doença.
Fraldas e absorventes: o direito que exige documento extra
Se a maior parte da lista funciona de forma parecida (documento, receita, retirada na farmácia), dois itens fogem completamente desse roteiro: fraldas geriátricas e absorventes higiênicos.
Fraldas geriátricas são gratuitas para pessoas com incontinência urinária que se encaixem em pelo menos um destes grupos:
→ Pessoas com 60 anos ou mais;
→ Pessoas com deficiência.
Para retirar, é preciso apresentar documento oficial com foto e CPF, além de receita, laudo ou atestado que comprove a necessidade do insumo.
No caso de pessoa com deficiência, o documento precisa trazer o CID (o código que identifica a condição de saúde) correspondente.
Já os absorventes, distribuídos pelo Programa Dignidade Menstrual, não chegam a toda a população que menstrua, e esse é justamente o ponto que mais gera dúvida. Para ter direito, a pessoa precisa se enquadrar em pelo menos uma destas situações:
→ Ser estudante de baixa renda da rede pública;
→ Estar em situação de rua e/ou de pobreza;
→ Ter renda mensal de até R$ 208;
→ Estar cadastrada no Programa Bolsa Família.
Além do documento oficial com foto e CPF, é necessário apresentar a Autorização do Programa Dignidade Menstrual, que pode ser digital ou impressa e vale por 180 dias.
Essa autorização é emitida pelo aplicativo ou site Meu SUS Digital, na área "Dignidade Menstrual".
Quem tiver dificuldade para emitir sozinho pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), um CRAS, um CREAS, um Centro POP ou uma equipe de Consultório na Rua.
Vale um detalhe importante para famílias com adolescentes: menores de 16 anos podem retirar os absorventes sem precisar da presença do responsável legal.
Como funciona a retirada na prática?
Vamos analisar juntos como isso se traduz no dia a dia de quem vai à farmácia. Para a maior parte dos itens da lista, o caminho é retirar em uma farmácia ou drogaria credenciada, identificada pelo selo "Aqui Tem Farmácia Popular", levando:
• Documento oficial com foto e CPF;
• Receita médica dentro do prazo de validade, emitida pelo SUS ou por atendimento particular.
A receita precisa estar legível e trazer os dados do paciente, o nome do medicamento, a concentração, a posologia (como e quando tomar), a data e a assinatura e identificação de quem prescreveu.
Vale lembrar que estar na lista oficial não garante disponibilidade imediata em qualquer farmácia: a dispensação depende do estabelecimento credenciado, dos produtos cadastrados no programa e do estoque de cada loja naquele momento.
E quando o próprio paciente não pode ir buscar o remédio? O programa prevê a retirada por representante legal ou procurador, situação comum quando a pessoa está acamada ou impossibilitada de se deslocar.
Nesse caso, são exigidos a receita válida, documento com foto e CPF do paciente, documento com foto e CPF de quem vai retirar, e o documento que comprove a representação ou procuração.
Se você tem uma condição crônica (hipertensão, diabetes, asma, entre outras) e nunca ouviu falar que pode retirar o remédio de graça, procure uma UBS para confirmar se seu tratamento está na lista oficial.
O Farmácia Popular segue sendo uma das políticas públicas mais usadas por famílias brasileiras, mas o alcance dela depende de as pessoas saberem exatamente onde termina a regra geral e onde começam as exceções.
Conhecer essas exceções, como as de dapagliflozina, fraldas e absorventes, é o que separa quem consegue usar o benefício sem tropeços de quem sai da farmácia de mãos vazias por falta de um documento. No fim, gratuidade sem informação clara vale menos do que deveria.
E aí, esse remédio ou insumo que você usa está nessa lista?
Conte pra gente nos comentários se você já usou o Farmácia Popular e se teve alguma dificuldade na hora de retirar algum item.
📣 Se essa notícia foi útil, deixe seu gostei e compartilhe com alguém que também pode ter direito a esses medicamentos e insumos de graça!
Fontes:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa Farmácia Popular. Disponível aqui. Acesso em: 04 set. 2026.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Elenco de medicamentos e insumos do Programa Farmácia Popular do Brasil, atualizado em 31/08/2026. Disponível aqui. Acesso em: 04 set. 2026.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Meu SUS Digital: como emitir a Autorização do Programa Dignidade Menstrual. Disponível aqui. Acesso em: 04 set. 2026.



