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Faustão luta pela vida e reacende debate sobre doação de órgãos no Brasil

Apresentador se recupera de transplantes de fígado e rim em meio a recordes e desafios do sistema nacional de transplantes.

3 min de leituraPublicado em 11/08/2025
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Faustão luta pela vida e reacende debate sobre doação de órgãos no Brasil

O apresentador Fausto Silva segue internado no Hospital Israelita Albert Einstein desde 21 de maio de 2025 após uma infecção bacteriana aguda com sepse. Seu estado de saúde ainda é grave, mas os médicos relatam sinais de melhora.

Nos dias 6 e 7 de agosto, Faustão passou por dois procedimentos complexos: um transplante de fígado e um retransplante de rim. No dia 9, foi extubado e já não depende de aparelhos para respirar, além de conseguir caminhar com apoio no hospital.

Apesar da evolução positiva, especialistas reforçam que a situação exige atenção constante. O cardiologista Elisiário Júnior, destacou que pacientes submetidos a múltiplos transplantes e enfrentando sepse estão em um grupo de altíssimo risco, especialmente devido ao comprometimento do sistema imunológico.

A história de Faustão é também um retrato de um desafio nacional: enquanto ele luta pela recuperação após duas cirurgias complexas, milhares de brasileiros aguardam um órgão compatível.

São Paulo, onde o apresentador está internado, lidera o ranking de transplantes no país, mas ainda enfrenta longas filas, especialmente para o rim, o órgão mais transplantado em 2025.

Em 2024, foram 9.537 procedimentos, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, o rim foi o órgão mais transplantado, com 1.184 cirurgias, seguido por córnea (5.584), medula óssea (1.180) e fígado (650). A tendência se mantém em 2025: no primeiro trimestre, houve aumento de 16% nos transplantes renais, passando de 329 para 406.

No entanto, a demanda ainda é muito maior que a oferta. Somente em São Paulo, cerca de 20,8 mil pessoas aguardam um rim, enquanto 6,6 mil esperam por córnea e 848 por fígado. No Brasil inteiro, a fila chega a 78 mil pacientes, sendo o rim o mais solicitado (42.838), seguido por córnea (32.349) e fígado (2.387).

Como funciona a fila de espera?

A fila para transplante no Brasil é única, pública e gerida pelo SUS. Quando um órgão é disponibilizado, o sistema verifica a compatibilidade entre doador e receptor — levando em conta:

↪︎ Tipo sanguíneo;

↪︎ Tamanho do órgão;

↪︎ Tempo de espera ;

↪︎ Urgência do caso.

↪︎ No caso dos rins, também é analisada a compatibilidade imunológica.

Pacientes com pior estado clínico ou que estão há mais tempo aguardando têm prioridade, seguindo critérios técnicos e médicos estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes.

O papel da doação

Todo transplante começa com um ato de solidariedade: a autorização para doação.

No Brasil, a doação só acontece com o consentimento da família. Por isso, é fundamental conversar com parentes sobre o desejo de ser doador.

Segundo dados do Ministério da Saúde, cada doador pode beneficiar até oito pessoas com órgãos e dezenas com tecidos, como córneas e pele. No caso de Faustão, os órgãos foram obtidos através da rede nacional, que integra hospitais e equipes de captação em todo o país.

Nos últimos anos, o governo tem implementado ações para acelerar e ampliar o acesso aos transplantes. Graças a essas ações, o país bateu recorde em 2024, com mais de 30 mil transplantes realizados pelo SUS — um aumento de 18% em relação a 2022.

Mesmo assim, a fila de espera ainda é um dos grandes desafios, exigindo campanhas permanentes de conscientização sobre a importância da doação.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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