Lipedema afeta milhões de mulheres e ainda é pouco conhecido no Brasil
Sintomas dolorosos e falta de diagnóstico correto atrasam o tratamento; avanços na conscientização oferecem esperança.

O lipedema, cada vez mais reconhecido como uma doença complexa e crônica, tem ganhado maior atenção por seus impactos físicos e emocionais, além dos avanços na conscientização e tratamento.
A condição afeta entre 10% e 18% das mulheres no mundo e cerca de 9 milhões no Brasil, com prevalência de 12,3% das mulheres adultas brasileiras.
Uma curiosidade é que o lipedema amplamente visto como doença feminina, pode apresentar acometimento em homens, ainda que seja mais raro, o que reforça a importância de maior atenção clínica e mais estudos acerca do tema.
Um estudo evidenciou que o número de comorbidades aumenta conforme o avanço da doença. Apenas 7,9% das pacientes não tinham comorbidades, enquanto 26,8% possuíam 4 ou mais.

No Brasil, a doença ainda é pouco conhecida e frequentemente confundida com obesidade, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento.
Diferentemente da obesidade, a gordura típica do lipedema não responde a dietas ou exercícios.
A doença é progressiva e pode afetar a mobilidade e a qualidade de vida, gerando ainda baixa autoestima e quadro de ansiedade ou depressão. Seus principais gatilhos são hormonais e genéticos, surgindo frequentemente na puberdade, gravidez e menopausa.
A adoção oficial do código da CID-11 para lipedema, prevista para este ano, foi adiada para 2027 pelo Ministério da Saúde, que destaca a necessidade de capacitação dos profissionais e atualização dos sistemas para melhor atendimento.
Apesar de não ter cura, o tratamento multidisciplinar — que inclui fisioterapia especializada, drenagem linfática manual, exercícios como hidroginástica e caminhada lenta, uso de meias compressivas e dieta antioxidante — pode reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Pesquisas inovadoras no Brasil, como o estudo do IFSC/USP em São Carlos, testam uma nova combinação de tratamentos — a compressão pneumática intermitente aliada à fototerapia com luz laser — aplicada em sessões de curta duração para melhorar sintomas como inchaço e dor, além de estimular a circulação periférica. Essa abordagem experimental poderá abrir caminho para terapias mais eficazes e menos invasivas.
Além das terapias conservadoras, a cirurgia de remoção de gordura e pele (dermolipectomia) está disponível no SUS para casos selecionados, dentro da Política Nacional de Atenção Hospitalar de Média e Alta Complexidade.
O reconhecimento crescente da doença tem levado a mobilizações e eventos de conscientização em várias cidades brasileiras, com a participação de profissionais de saúde e influenciadoras, ampliando o conhecimento público e o apoio às pessoas com lipedema.
O avanço no entendimento do lipedema e o fortalecimento das redes de apoio representam um importante passo para que milhões de mulheres possam ter diagnósticos mais rápidos, tratamentos efetivos e melhor qualidade de vida em todo o Brasil.



