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Lipedema afeta milhões de mulheres e ainda é pouco conhecido no Brasil

Sintomas dolorosos e falta de diagnóstico correto atrasam o tratamento; avanços na conscientização oferecem esperança.

3 min de leituraPublicado em 23/07/2025
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Lipedema afeta milhões de mulheres e ainda é pouco conhecido no Brasil

O lipedema, cada vez mais reconhecido como uma doença complexa e crônica, tem ganhado maior atenção por seus impactos físicos e emocionais, além dos avanços na conscientização e tratamento.

A condição afeta entre 10% e 18% das mulheres no mundo e cerca de 9 milhões no Brasil, com prevalência de 12,3% das mulheres adultas brasileiras.

Uma curiosidade é que o lipedema amplamente visto como doença feminina, pode apresentar acometimento em homens, ainda que seja mais raro, o que reforça a importância de maior atenção clínica e mais estudos acerca do tema.

Um estudo evidenciou que o número de comorbidades aumenta conforme o avanço da doença. Apenas 7,9% das pacientes não tinham comorbidades, enquanto 26,8% possuíam 4 ou mais.

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No Brasil, a doença ainda é pouco conhecida e frequentemente confundida com obesidade, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento.

Diferentemente da obesidade, a gordura típica do lipedema não responde a dietas ou exercícios.

A doença é progressiva e pode afetar a mobilidade e a qualidade de vida, gerando ainda baixa autoestima e quadro de ansiedade ou depressão. Seus principais gatilhos são hormonais e genéticos, surgindo frequentemente na puberdade, gravidez e menopausa.

A adoção oficial do código da CID-11 para lipedema, prevista para este ano, foi adiada para 2027 pelo Ministério da Saúde, que destaca a necessidade de capacitação dos profissionais e atualização dos sistemas para melhor atendimento.

Apesar de não ter cura, o tratamento multidisciplinar — que inclui fisioterapia especializada, drenagem linfática manual, exercícios como hidroginástica e caminhada lenta, uso de meias compressivas e dieta antioxidante — pode reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Pesquisas inovadoras no Brasil, como o estudo do IFSC/USP em São Carlos, testam uma nova combinação de tratamentos — a compressão pneumática intermitente aliada à fototerapia com luz laser — aplicada em sessões de curta duração para melhorar sintomas como inchaço e dor, além de estimular a circulação periférica. Essa abordagem experimental poderá abrir caminho para terapias mais eficazes e menos invasivas.

Além das terapias conservadoras, a cirurgia de remoção de gordura e pele (dermolipectomia) está disponível no SUS para casos selecionados, dentro da Política Nacional de Atenção Hospitalar de Média e Alta Complexidade.

O reconhecimento crescente da doença tem levado a mobilizações e eventos de conscientização em várias cidades brasileiras, com a participação de profissionais de saúde e influenciadoras, ampliando o conhecimento público e o apoio às pessoas com lipedema.

O avanço no entendimento do lipedema e o fortalecimento das redes de apoio representam um importante passo para que milhões de mulheres possam ter diagnósticos mais rápidos, tratamentos efetivos e melhor qualidade de vida em todo o Brasil.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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