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NR-1 e a epidemia silenciosa: A cada minuto, 01 trabalhador é afastado no Brasil

Nova norma promete mudar a forma como empresas cuidam do bem-estar dos trabalhadores, mas só entrará em vigor em 2026.

3 min de leituraPublicado em 20/08/2025
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NR-1 e a epidemia silenciosa: A cada minuto, 01 trabalhador é afastado no Brasil

No Brasil, um dado chama atenção: a cada minuto, um trabalhador é afastado do emprego por problemas de saúde mental.

Isso significa milhares de afastamentos por ano, com impacto direto não só para as empresas, mas também para a vida das famílias e para o sistema público de saúde.

Entre os principais motivos estão ansiedade, estresse, depressão e burnout – um esgotamento físico e emocional causado pelo excesso de demandas e pressões no trabalho.

Muitas vezes, esses problemas passam despercebidos até se agravarem, já que ainda existe preconceito em falar sobre saúde mental e buscar ajuda profissional.

Esse cenário é nacional, afetando todos os estados e diferentes profissões – de trabalhadores da saúde e da educação até motoristas de aplicativo, bancários e profissionais da indústria. Isso mostra que não se trata de casos isolados, mas de um problema estrutural que precisa de resposta urgente.

Uma dessas respostas vem da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que traz a obrigação de identificar, avaliar e controlar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como assédio moral, sobrecarga de tarefas e ambientes estressantes.

Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1)

Esta norma faz parte das normas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que regulam a segurança e saúde no trabalho. Ela existe desde a década de 1970, com atualizações ao longo dos anos.

Antes da atualização mais recente, a NR-1 já abrangia regras gerais, mas focava principalmente nos riscos físicos, químicos e biológicos, sem detalhar de forma expressa os riscos psicossociais.

Inicialmente, a atualização estava prevista para maio de 2025, mas o governo federal adiou sua entrada em vigor para maio de 2026. O motivo foi a falta de respaldo legal para um período de “fiscalização apenas educativa” e a necessidade de dar mais tempo para as empresas se adaptarem às mudanças.

Até lá, é importante lembrar que:

↪︎ A fiscalização das condições de trabalho não foi suspensa – continua valendo a redação atual da NR-1 (em vigor desde 2022), além de outras normas como a NR-17 (ergonomia), que já permitem autuações relacionadas a riscos psicossociais.

↪︎ As empresas ganharam um prazo extra para se preparar, mas isso não significa que podem deixar para depois: é recomendável iniciar desde já o diagnóstico de riscos, capacitar equipes e estruturar políticas de prevenção em saúde mental.

Especialistas afirmam que a mudança pode ser um marco na legislação trabalhista, trazendo benefícios duplos:

↪︎ Protege os trabalhadores, reduzindo casos de afastamento e sofrimento psicológico, os quais se encontram em níveis críticos no Brasil.

↪︎ Favorece as empresas, que terão menos perdas com licenças médicas e mais produtividade em equipes saudáveis.

A atualização da NR-1 reforça a ideia de que saúde mental é parte da segurança do trabalho e não pode mais ser tratada como algo secundário.

Afinal, garantir o bem-estar no trabalho é também um passo essencial para construir relações mais humanas e sustentáveis no mercado brasileiro.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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