O diabetes acelerou e jovens são as novas vítimas silenciosas
No Dia Mundial do Diabetes, o alerta é sobre o avanço da doença no Brasil, o crescimento em crianças e adolescentes, e as boas notícias sobre prevenção.

Um levantamento recente aponta que o Brasil já tem cerca de 1 em cada 13 brasileiros vivendo com Diabetes Mellitus.
Como o dia 14 de novembro marca o Dia Mundial do Diabetes, as luzes se voltam para o que antes parecia doença de “idosos”, mas agora já atinge cada vez mais cedo as pessoas.
Nas últimas décadas, o perfil da doença mudou, pois até pouco tempo, muitos diagnosticados tinham por volta de 55 anos. Agora, casos surgem entre os 25 anos ou menos e até em crianças e adolescentes.
Estima-se que os atendimentos por diabetes tipo 2 nessa faixa cresceram cerca de 225% no Brasil. E esse salto está associado ao sedentarismo, obesidade e alimentação inadequada.
E embora o açúcar seja foco de atenção, especialistas avisam que a raiz do problema vai além: a resistência à insulina, o acúmulo de gordura corporal, a inflamação silenciosa e os hábitos de vida são determinantes.
O estágio de pré-diabetes: um alerta que pode virar rotina
Existe um “alerta” que aparece antes da doença avançar, chamado Pré‑diabetes.
O organismo começa a sofrer danos antes do diagnóstico formal. Assim, vasos sanguíneos, rins, coração e nervos já apresentam alterações muito antes de a diabetes “aparecer”.
Grandes estudos, como o Maastricht Study, mostram que essas lesões começam ainda na fase de pré-diabetes, o que explica por que tantos pacientes já chegam ao consultório com sinais iniciais de retinopatia, nefropatia ou risco cardiovascular mesmo sem terem recebido oficialmente o diagnóstico de diabetes.
Identificar essa fase de pré-diabetes pode permitir reverter o processo. Estudos mostram que com mudanças de alimentação, atividade física e controle de peso, a progressão para diabetes pode ser reduzida em mais de 50 %.
O Ministério da Saúde reconhece que o pré-diabetes “é um sinal de alerta do corpo” e pode evitar a evolução para complicações.
Complicações graves, e que poderiam ser evitadas
Quando o diagnóstico atrasa ou o controle não é adequado, a diabetes pode causar danos sérios que muitas vezes seriam evitáveis.
Um dos problemas mais conhecidos é o pé diabético, resultado da perda de sensibilidade e da má circulação, que facilita feridas difíceis de cicatrizar e aumenta o risco de infecções.
No Brasil, entidades médicas alertam que ocorrem mais de 28 amputações por dia relacionadas à doença. Feridas nos pés, calos, rachaduras ou machucados simples, se não tratados, podem evoluir rapidamente para esses quadros graves.
Além disso, a glicose alta por longos períodos afeta vasos sanguíneos e rins, abrindo caminho para doença renal, problemas cardíacos e alterações na retina que podem comprometer a visão.
O mais preocupante é que muitos desses danos começam anos antes do diagnóstico, reforçando a importância de acompanhamento regular e detecção precoce.
Novas soluções e o que cada pessoa pode fazer
Apesar do avanço da doença, a medicina tem dado passos importantes. As novas terapias, a exemplo da tirzepatida, que mostram resultados promissores no controle da glicose e no tratamento da obesidade, fator central para o diabetes tipo 2, e já apresentam eficácia até em jovens e adolescentes.
Ao mesmo tempo, especialistas reforçam que nenhum medicamento substitui a prevenção. Exames de rotina, especialmente para quem tem sobrepeso, histórico familiar ou estilo de vida sedentário, ajudam a identificar precocemente alterações glicêmicas.
Mudanças sustentáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso, cuidado diário com os pés e atenção à pressão arterial e ao colesterol, reduzem drasticamente o risco de complicações.

Para quem está no estágio de pré-diabetes, agir cedo pode não só evitar a progressão como também reverter o quadro, uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.



