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O futuro do tratamento do câncer de próstata já chegou, mas tudo depende do diagnóstico eficaz

Robôs, radioterapia de precisão e terapias personalizadas já estão mudando o tratamento no Brasil, mas tudo começa com um simples exame de rotina.

4 min de leituraPublicado em 11/11/2025
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O futuro do tratamento do câncer de próstata já chegou, mas tudo depende do diagnóstico eficaz

O câncer de próstata é o tipo de tumor mais frequente entre os homens brasileiros, excluindo o câncer de pele não melanoma.

Segundo o INCA, são estimados 73.000 novos casos por ano no Brasil até 2025, o que significa mais de 200 diagnósticos por dia. A boa notícia é que nunca houve tantas inovações no tratamento como agora.

Nesse contexto, as novas tecnologias têm um objetivo comum, o qual envolve promover diagnósticos mais inteligentes e tratar o câncer de forma eficaz, preservando a ereção, a continência urinária e a qualidade de vida do homem.

Identificar o que realmente precisa ser tratado

Antes, muitos homens passavam por biópsias desnecessárias apenas por causa de alterações no PSA, um exame de sangue usado para rastrear o câncer de próstata.

Agora, os serviços mais modernos utilizam PSA inteligente, que considera idade, histórico familiar e outros marcadores, além de algoritmos baseados em inteligência artificial para avaliar o risco real de câncer. Assim, o médico tem um painel que indica quem realmente precisa investigar mais.

Outra inovação é a biópsia por fusão, em que imagens do ultrassom se combinam com imagens detalhadas da ressonância magnética. O resultado é uma espécie de “GPS do tumor”, que aumenta a precisão, evita biópsias cegas e diminui o risco de complicações.

Cirurgia robótica: maior precisão, menor impacto no corpo

A cirurgia robótica continua sendo a inovação mais visível nos centros de tratamento. O urologista opera sentado diante de um console, controlando braços robóticos que executam movimentos milimétricos dentro do paciente, com visão 3D ampliada do campo cirúrgico.

Hospitais privados já fazem o procedimento há mais de 10 anos, mas o grande salto é o acesso no SUS. Hoje, instituições como o Hospital de Amor (Barretos-SP), o Hospital Pérola Byington e hospitais universitários da rede Ebserh já oferecem cirurgias robóticas para pacientes do SUS.

A cirurgia robótica contribui para:

• Menor sangramento;

• Menor tempo de internação;

• Melhor preservação dos nervos ligados à ereção e continência urinária.

A inovação aliada do tratamento certo para o paciente certo

Hoje, é possível direcionar a radiação com precisão para o tumor, reduzindo danos ao tecido ao redor com técnicas como IGRT (radioterapia guiada por imagem) e IMRT (radioterapia de intensidade modulada). Em muitos casos, o homem faz menos sessões e sente menos efeitos colaterais.

Para tumores avançados ou metastáticos, uma inovação que vem chamando atenção é a terapia com Lutécio-177 PSMA, uma radiação direcionada que localiza células tumorais no corpo e libera radiação diretamente nelas, também poupando tecidos saudáveis.

Além disso, já é realidade a oncogenômica, testes que analisam o DNA do tumor para definir o tratamento mais eficaz. Em alguns casos, mutações como BRCA1 ou BRCA2 tornam o paciente elegível para tomar medicamentos (inibidores de PARP) que atacam especificamente células com esse defeito genético.

Para tumores de baixo risco, hoje já existe a opção de não operar imediatamente. A vigilância ativa acompanha o paciente com exames periódicos (PSA, ressonância e biópsias), evitando procedimentos desnecessários.

Exames de rotina ainda são a maior inovação de todas

Por mais que a medicina tenha avançado com robôs, inteligência artificial e tratamentos personalizados, o maior impacto ainda vem do básico: o homem ir ao consultório.

PSA anual, toque retal e acompanhamento preventivo permitem diagnosticar o câncer de próstata quando ele ainda está no início, muitas vezes antes de causar qualquer sintoma.

Isso faz toda a diferença no tratamento, pois quanto mais cedo o tumor é identificado, maiores são as chances de cura, e mais opções o paciente tem, inclusive as menos invasivas.

As inovações estão mudando a forma como o homem enfrenta o diagnóstico. O foco não é apenas tratar o câncer, mas manter a potência sexual, o controle urinário e o bem-estar.

Assim, a tecnologia salva, mas o exame de rotina é o que abre a porta para que todas essas tecnologias possam ser usadas a tempo.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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