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OMS aprova, pela 1ª vez, uso global de “canetas emagrecedoras” como parte do tratamento da obesidade

A nova diretriz da OMS reconhece a obesidade como doença crônica e recomenda a terapia com agonistas de GLP-1 em adultos, mas alerta que remédio sozinho não basta.

4 min de leituraPublicado em 02/12/2025
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OMS aprova, pela 1ª vez, uso global de “canetas emagrecedoras” como parte do tratamento da obesidade

A Organização Mundial da Saúde oficializou sua primeira diretriz global para o uso de terapias baseadas em GLP-1 no tratamento da obesidade.

A organização definiu a obesidade como uma doença crônica e de longo prazo, abrindo caminho para que medicamentos usados até então sobretudo no diabetes, como semaglutida, tirzepatida e também liraglutida, sejam adotados como ferramenta de saúde pública contra o excesso de peso.

Com isso, a OMS envia um recado claro: a obesidade não é questão de estética ou estilo de vida, mas um problema de saúde sério que requer cuidados contínuos.

O que a diretriz recomenda?

→ A diretriz permite o uso prolongado (seis meses ou mais) de terapias com GLP-1 em adultos com obesidade:

Definidos pela OMS como aqueles com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², excetuando gestantes.

→ Além do remédio, recomenda que o tratamento seja combinado com terapia comportamental intensiva:

Orientação sobre dieta, atividade física, metas de saúde, acompanhamento regular e apoio profissional.

Isso porque, embora os medicamentos tenham eficácia, os benefícios tendem a ser maiores e mais duradouros quando acompanhados dessas mudanças.

→ A OMS reforça que remédios sozinhos não resolvem a epidemia global de obesidade:

É necessário um “ecossistema de cuidado”: políticas públicas, prevenção, promoção de ambientes saudáveis, cuidado contínuo e acesso justo.

Mudança de paradigma

Essas terapias, que incluem a semaglutida (usada nas marcas como Wegovy ou Ozempic) e a tirzepatida (como Mounjaro), foram desenvolvidas originalmente para tratar diabetes tipo 2.

Elas atuam “imitando” um hormônio natural, reduzindo o apetite, promovendo saciedade e retardando o esvaziamento do estômago, o que leva à diminuição da ingestão alimentar e consequente perda de peso.

Com essa diretriz, essas medicações deixam de ser vistas, oficialmente, apenas como “tratamento de diabetes” ou “moda” e passam a integrar um modelo de atenção à saúde da obesidade.

Especialistas afirmam que esse é um “ponto de inflexão” no enfrentamento da obesidade, com potencial para mudar a forma como serviços de saúde organizam prevenção e tratamento.

Avisos e desafios: por que a recomendação é condicional

A OMS classifica as recomendações como “condicionais”, o que significa que há benefícios, mas também incertezas e limitações a serem consideradas.

Entre os principais pontos a serem avaliados:

→ Falta de dados de longo prazo sobre segurança, manutenção dos resultados e efeitos após a interrupção do tratamento.

→ Alto custo e produção limitada dessas medicações, o que pode dificultar o acesso, causando desigualdades, especialmente em países de baixa e média renda.

Além disso, há preocupação com versões “manipuladas” ou falsificadas desses medicamentos, sem controle de qualidade, pureza ou eficácia, o que pode representar risco à saúde quando não há regulamentação rigorosa.

No Brasil, por exemplo, a agência reguladora local já adotou novas normas sanitárias para esses medicamentos, exigindo retenção de receita e controle especial desde junho de 2025.

O que há de novo: um olhar mais amplo sobre obesidade e saúde pública

Um dos aspectos mais inovadores da diretriz da OMS é a ênfase em transformar a obesidade em um problema de saúde e de equidade global.

A ideia de um “ecossistema de cuidado” inclui políticas públicas, prevenção, suporte contínuo, mudança no ambiente alimentar e de estilo de vida, e não apenas remédios.

Outra implicação importante é a inclusão recente dessas substâncias na lista de medicamentos essenciais da OMS para diabetes e agora a diretriz de obesidade pode pressionar governos e sistemas públicos de saúde a considerar a incorporação desses tratamentos em políticas públicas.

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A publicação da diretriz da OMS marca um momento histórico, o qual pela primeira vez, há orientação global para uso de agonistas de GLP-1 como parte do tratamento da obesidade. Ao mesmo tempo, a organização deixa claro que não se trata de um “remédio mágico”.

Para que a promessa se concretize, com acesso justo, seguro e integrado, será necessário mais do que canetas injetáveis: será preciso vontade política, regulação, educação em saúde, apoio multidisciplinar e sistemas preparados para oferecer cuidado contínuo.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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