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Outubro rosa: Prevenção e diagnóstico precoce salvam vidas no combate ao câncer de mama

Estima-se 73.610 novos casos este ano no Brasil; campanhas reforçam exame e autocuidado para frear o avanço silencioso da doença.

4 min de leituraPublicado em 03/10/2025
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Outubro rosa: Prevenção e diagnóstico precoce salvam vidas no combate ao câncer de mama

O Outubro Rosa 2025 chega com um alerta urgente: o câncer de mama continua sendo o tipo de câncer que mais afeta mulheres no Brasil, além de ser também o que mais mata dentro das neoplasias femininas.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são esperados 73.610 novos casos só neste ano. Em 2023, mais de 20 mil mulheres perderam a vida para a doença, e a taxa ajustada de mortalidade chegou a 11,71 óbitos por 100 mil mulheres.

A realidade é dura, uma vez que, em 22 anos, a mortalidade por câncer de mama aumentou 86,2% no país. Esse crescimento reflete o envelhecimento da população, hábitos de vida pouco saudáveis e, principalmente, o diagnóstico tardio, que ainda é um dos maiores inimigos no combate à doença.

Nem tudo são más notícias. Segundo o Inca, nos últimos três anos houve melhora no tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento, especialmente na Região Sul, onde mais mulheres começaram a tratar a doença em até 60 dias após a confirmação.

Outro foco das autoridades de saúde é aumentar a cobertura da mamografia para 70% das mulheres com idade recomendada. Hoje, a realidade varia bastante: enquanto alguns estados do Norte têm cobertura de apenas 5,3%, o Espírito Santo alcança cerca de 33%.

Fatores que aumentam o risco do câncer de mama

Entender os fatores de risco é essencial para agir cedo. Entre os principais estão:

↪︎ Envelhecimento;

↪︎ Histórico familiar de câncer de mama (especialmente com mutações genéticas conhecidas);

↪︎ Exposição hormonal prolongada (menarca precoce, menopausa tardia ou uso contínuo de hormônios);

↪︎ Sedentarismo;

↪︎ Excesso de peso e alimentação inadequada;

↪︎ Consumo de álcool.

Entretanto, há formas de reduzir esses riscos. Manter uma rotina de atividade física, controlar o peso, limitar o consumo de bebidas alcoólicas e, quando possível, amamentar, são atitudes que podem ajudar a proteger a saúde das mamas.

A importância da detecção precoce

A prevenção verdadeira também envolve detectar o câncer cedo, quando as chances de cura ultrapassam 90%.

Observar regularmente as mamas e procurar atendimento médico ao notar caroços, secreções, mudanças de formato ou coloração da pele são passos simples e fundamentais.

No Brasil, a recomendação atual é que mulheres de 50 a 69 anos, sem sintomas, façam mamografia a cada dois anos. Já aquelas com maior risco, por exemplo, com histórico familiar, devem ter acompanhamento individualizado, que pode incluir começar os exames mais cedo ou associar ultrassonografia.

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Um dado que preocupa:

Entre 2018 e 2023, o Brasil registrou 173.690 mortes por câncer de mama. Destas, cerca de 38.793 (22%) foram em mulheres com menos de 50 anos, idade que, em teoria, está fora da faixa recomendada para rastreamento.

Isso reforça um debate importante: será que precisamos revisar a estratégia atual e ampliar o público que tem acesso aos exames preventivos? Muitos especialistas acreditam que sim.

Novas armas e velhos desafios contra a doença

Nos últimos anos, a medicina tem avançado muito no tratamento do câncer de mama. As chamadas terapias-alvo, que atuam diretamente nas alterações moleculares do tumor, têm aumentado a sobrevida e melhorado a qualidade de vida das pacientes.

Um exemplo recente é o datopotamab deruxtecan, aprovado nos Estados Unidos em 2025 para casos específicos de câncer de mama metastático. Essa e outras drogas mais modernas indicam que o futuro do tratamento será cada vez mais personalizado, oferecendo soluções específicas para cada tipo de tumor.

Apesar dos avanços, muitos obstáculos persistem. O diagnóstico tardio ainda é frequente, o que reduz as chances de cura.

Há também grande desigualdade no acesso aos serviços de saúde. Em várias regiões do país, mulheres enfrentam longas filas para conseguir exames e iniciar o tratamento.

Além disso, a cobertura da mamografia ainda é baixa em muitas localidades, e nem todas as novas terapias estão disponíveis de forma ampla no Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo depois de aprovadas pelas autoridades sanitárias.

O que vem pela frente?

Para os próximos anos, o Brasil pode viver mudanças importantes no combate ao câncer de mama. Está em discussão a ampliação das faixas etárias incluídas nos programas de rastreamento, atingindo mulheres com menos de 50 anos ou acima de 69 que apresentem fatores de risco.

Também há esforços para melhorar a implementação das diretrizes clínicas em todo o país e garantir que regiões mais remotas tenham acesso aos mesmos protocolos utilizados nos grandes centros.

Além disso, novas tecnologias, como a inteligência artificial aplicada ao diagnóstico por imagem, prometem identificar lesões cada vez menores e mais precocemente.

O Outubro Rosa 2025 é mais do que uma campanha: é um chamado para a ação. Se você notar algo diferente no seu corpo, procure um médico. Se estiver na faixa recomendada, não adie a mamografia.

Cuidar da saúde das mamas é um ato de amor-próprio, e pode salvar sua vida. Quando o câncer é descoberto cedo, as chances de cura são muito maiores.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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