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Por que se esforçar e ainda assim não emagrecer? A complexa realidade da obesidade

Entenda os fatores que dificultam a perda de peso e as alternativas de tratamento.

3 min de leituraPublicado em 26/08/2025
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Por que se esforçar e ainda assim não emagrecer? A complexa realidade da obesidade

A obesidade é uma condição complexa, que vai muito além do simples cálculo de calorias ingeridas versus gastas.

Trata-se de uma condição considerada multifatorial porque resulta da interação complexa de vários fatores. Envolve predisposição genética, influências metabólicas, hormonais, comportamentais, e ambientais, como hábitos alimentares, níveis de atividade física, qualidade do sono, exposição a substâncias químicas e até experiências de vida precoce.

Essa combinação diversificada de elementos faz com que a obesidade não dependa apenas de comer demais ou se exercitar pouco, mas de múltiplos mecanismos biológicos e sociais que influenciam o peso corporal.

Dificuldades ao emagrecer

Muitos que se dedicam a dietas rigorosas e exercícios regulares podem ainda assim enfrentar dificuldades em emagrecer devido a mecanismos cerebrais, fatores genéticos e ambientais que influenciam profundamente o metabolismo e o comportamento alimentar.

No cérebro, áreas ligadas à recompensa e controle do apetite sofrem alterações na obesidade. Indivíduos obesos apresentam uma diminuição na função dos receptores de dopamina D2, essenciais para o circuito de prazer alimentar, causando um aumento do desejo por alimentos altamente palatáveis e uma menor sensação de satisfação ao comer.

Isso pode levar a um ciclo de hiperfagia (ingestão exagerada de alimentos), dificultando a redução do peso mesmo com esforço contínuo.

Além disso, há resistência cerebral à insulina, que afeta o controle do apetite e o uso de glicose pelo cérebro, intensificando a dificuldade do emagrecimento.

Fatores externos além da alimentação também mantêm a obesidade: poluição, sono inadequado, uso de certos medicamentos, sedentarismo, estresse crônico e até a composição da microbiota intestinal influenciam a regulação do peso corporal.

Diferenças genéticas podem modificar a eficácia das dietas, impactando desde o metabolismo basal, ou seja, a quantidade mínima de energia que o corpo precisa para manter suas funções vitais em repouso, até a absorção de nutrientes, explicando por que métodos que funcionam para alguns podem fracassar para outros.

Quando a dieta e o exercício não são suficientes

O tratamento da obesidade pode exigir, além da dieta e exercício, a utilização de medicamentos que modulam esses sistemas neurais e metabólicos, ou até a cirurgia bariátrica, especialmente nos casos de obesidade grave ou quando outras abordagens falham.

Essas intervenções são indicadas conforme o grau da obesidade, presença de comorbidades e resposta aos tratamentos.

É fundamental evitar culpar o indivíduo pela dificuldade em emagrecer, pois a fisiologia humana cria barreiras reais que exigem compreensão e suporte multidisciplinar.

Além disso, manter uma boa alimentação e a prática regular de exercícios são fundamentais para a saúde e para melhorar a composição corporal, mesmo quando o emagrecimento é difícil, pois ajudam a preservar massa magra, aumentar o metabolismo e reduzir riscos de doenças associadas à obesidade.

Esses hábitos garantem benefícios que vão além da balança, promovendo bem-estar físico e mental duradouros.

A obesidade é uma doença crônica que requer tratamento contínuo e empatia, para que as pessoas possam encontrar caminhos sustentáveis para melhorar a saúde e qualidade de vida.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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