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Quando o clima adoece: impactos das mudanças climáticas na saúde respiratória infantil

Especialistas alertam para o aumento de crises respiratórias em crianças diante de ondas de calor, poluição e enchentes.

3 min de leituraPublicado em 03/09/2025
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Quando o clima adoece: impactos das mudanças climáticas na saúde respiratória infantil

As mudanças climáticas estão afetando muito mais do que o planeta em si, elas já repercutem diretamente na saúde das crianças.

Um levantamento publicado no Jornal da Pediatria, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), mostra que doenças respiratórias em crianças estão se agravando em função do calor extremo, da poluição do ar e de fenômenos ambientais cada vez mais frequentes, como enchentes e queimadas.

Segundo o UNICEF, quase 60% das crianças e adolescentes, o que equivale a cerca de 40 milhões de pessoas, estão expostos a mais de um risco climático ou ambiental, como ondas de calor, inundações e falta de água.

Esses fatores criam um ambiente perfeito para o aumento de crises respiratórias, especialmente entre quem já sofre com asma, bronquite ou alergias.

O que os especialistas estão dizendo?

Para o pneumopediatra Fabio Muchão, do Hospital Israelita Albert Einstein, o aumento da temperatura e da umidade interfere diretamente nas vias aéreas. “A mucosa respiratória fica mais sensível e inflamada, o que agrava doenças como a asma”, explicou.

Outro problema são as casas que sofrem com enchentes e ficam úmidas, muitas vezes com mofo. “Mesmo crianças sem histórico de doenças respiratórias podem ter crises alérgicas nesses ambientes”, alerta a pediatra Marilyn Pereira, da SBP.

A pediatra Elizabeth, em artigo para o Medscape, reforça que fenômenos extremos, como fumaça de queimadas e ondas de calor, combinados à poluição urbana, tornam o ar ainda mais tóxico. Isso se reflete em aumento das internações hospitalares por problemas respiratórios.

Já o pediatra Felipe Monti Lora, do Sabará Hospital Infantil, lembra que o impacto é de longo prazo: uma criança nascida em 2020 deve enfrentar cerca de 30 ondas de calor ao longo da vida. Ele lembra ainda que, entre 2030 e 2050, as mudanças climáticas poderão resultar em até 250 mil mortes infantis em todo o mundo.

Cuidados que podem ajudar

Embora o problema seja global e estrutural, algumas medidas práticas podem ajudar famílias a protegerem as crianças. Entre elas estão:

↪︎ Evitar atividades ao ar livre em dias de calor extremo ou alta poluição, principalmente para crianças asmáticas.

↪︎ Melhorar a qualidade do ar interno: usar purificadores de ar, manter ambientes limpos e ventilados, evitar umidade e mofo.

↪︎ Monitorar qualidade do ar e pólen: em dias de alerta, permanecer em locais fechados bem arejados pode proteger os pequenos.

↪︎ Vacinação em dia: manter o calendário vacinal atualizado para prevenir infecções respiratórias graves.

↪︎ Hidratação e vestimentas adequadas: muito recomendadas em ondas de calor — água, roupas leves, chapéus e sombra.

↪︎ Adaptação urbana e estrutural: pediatras podem influenciar políticas locais que promovam espaços verdes, habitação resiliente e menos poluída.

Essas orientações ajudam no dia a dia, mas não substituem a necessidade de mudanças mais profundas nas cidades, como mais áreas verdes, habitações adaptadas e transporte menos poluente.

Um futuro que pede ação

Se nada for feito, a crise climática tende a se tornar também uma crise de saúde pública infantil. O relatório da OPAS já aponta que a poluição do ar está associada a 50% dos casos de pneumonia e 44% dos de asma, além de cerca de 600 mil mortes de crianças todos os anos.

Nesse contexto, é fundamental investir em políticas públicas que combinem mitigação dos efeitos climáticos, redução da emissão de poluentes e maior proteção para as populações vulneráveis.

A equidade também deve estar no centro das discussões: crianças indígenas, quilombolas e de famílias em situação de pobreza são as que mais sofrem os efeitos das mudanças climáticas e as que menos têm acesso a cuidados de saúde.

Como reforça o UNICEF, priorizar os mais vulneráveis não é apenas uma questão de justiça social, mas de sobrevivência.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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