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Quando “se encaixar” custa caro: esconder o TEA para ser aceito pode gerar sofrimento emocional

Estratégias usadas por adultos com Transtorno do Espectro Autista para serem aceitos socialmente podem gerar desgaste emocional e impactos no bem-estar.

3 min de leituraPublicado em 18/12/2025
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Quando “se encaixar” custa caro: esconder o TEA para ser aceito pode gerar sofrimento emocional

Muitas pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tentam ajustar seu jeito de agir para se sentir aceitas em situações sociais. Esse ajuste pode incluir esconder ou alterar comportamentos típicos do autismo, processo que pesquisadores chamam de camuflagem social.

Embora pareça uma forma de “sobreviver” socialmente, estudos mostram que essa adaptação constante pode trazer efeitos negativos para o bem-estar emocional de quem vive com TEA.

Camuflagem social envolve esforços como suprimir comportamentos espontâneos, imitar gestos ou expressões de outras pessoas e prestar muita atenção em padrões sociais para evitar julgamentos ou críticas.

Esse esforço contínuo, embora possa ajudar a navegar certas situações, é cansativo e pode ter um preço alto na saúde mental.

Consequências para a saúde mental

Pesquisas científicas indicam que esse tipo de adaptação está ligada a sintomas mais elevados de ansiedade, depressão e estresse crônico em adultos autistas.

Em um grande estudo internacional, adultos que relataram maior uso de estratégias de camuflagem também relataram níveis mais altos de ansiedade, depressão e diminuição da autoestima.

Outro aspecto observado em pesquisas é que quanto mais uma pessoa tenta esconder aspectos naturais de seu comportamento, maior é a sensação de esgotamento e menos tempo ela sente que pode ser ela mesma de forma autêntica. Isso reduz a participação em ambientes de apoio e pode contribuir para sentimentos de isolamento social.

Além dos dados globais

No Brasil, a psicóloga Tally L. Tafla, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), conduziu um estudo específico sobre esse fenômeno em adultos com TEA.

A pesquisa teve como objetivo identificar padrões de camuflagem social entre adultos autistas brasileiros e comparar esses dados com informações coletadas em outros países, como Reino Unido e Austrália, onde a maioria das pesquisas anteriores foi feita.

Acreditamos que, ao compararmos os dados do Brasil com os do Reino Unido, vamos encontrar taxas mais elevadas de camuflagem”, diz a psicóloga, segundo o Jornal da USP.

Embora o trabalho ainda esteja em fase de análise, com os dados da amostra brasileira, a equipe da USP pretende verificar se as estratégias de camuflagem se apresentam com frequência semelhante ou maior do que em outras culturas.

Uma hipótese é que as normas sociais brasileiras, que frequentemente valorizam maior expressividade e troca social, podem aumentar a pressão para que pessoas com TEA adaptem seus comportamentos.

Além disso, parte do estudo focou em investigar se ter filhos influencia a forma como adultos com TEA camuflam seus comportamentos. A pesquisa inclui entrevistas com mães e pais autistas para entender melhor como as demandas sociais ligadas à parentalidade podem afetar esses padrões.

Compreender a camuflagem social é importante não apenas para saber como o comportamento influencia o bem-estar das pessoas com TEA, mas também para informar estratégias de suporte mais eficazes.

Intervenções e políticas de saúde mental que reconheçam os impactos da camuflagem podem ajudar profissionais de saúde, familiares e a sociedade a promover ambientes mais acolhedores, que valorizem a diversidade em vez de pressionar a conformidade.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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