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Refrigerante zero: ele ajuda a cortar calorias, mas não deve ser tratado como opção “saudável”

Zero açúcar pode reduzir calorias, mas associações com riscos à saúde fizeram órgãos como a OMS pedir cautela.

3 min de leituraPublicado em 25/11/2025
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Refrigerante zero: ele ajuda a cortar calorias, mas não deve ser tratado como opção “saudável”

O refrigerante zero já foi o queridinho de quem busca reduzir calorias sem abrir mão do sabor doce, porém, estudos e recomendações de organismos internacionais deram um “freio” nesse entusiasmo.

A ideia não é demonizar o produto, mas entender o que a ciência de boa qualidade tem mostrado: apesar de ser livre de açúcar, ele não é uma solução garantida para controlar peso e pode estar associado a alguns riscos quando consumido em excesso.

Refrigerantes zero e bebidas diet contêm adoçantes não calóricos (como aspartame, sucralose, sacarina) em vez de açúcar. Esses compostos deixam a bebida doce sem as calorias do açúcar, por isso são chamados de adoçantes não calóricos ou substitutos do açúcar.

Esses ingredientes têm limites de ingestão considerados seguros pelas agências reguladoras, mas investigação sobre efeitos a longo prazo continua em curso.

Evidências recentes

Pesquisas com grandes grupos de pessoas mostram associações entre consumo frequente de bebidas adoçadas artificialmente e maior risco de algumas doenças.

Meta-análises e estudos de coorte indicam relação com maior mortalidade geral e eventos cardiovasculares em consumidores habituais, embora os números variem entre estudos e não provem que o adoçante seja a causa direta.

Em linguagem simples: pessoas que bebem muito refrigerante zero tendem a apresentar mais problemas de saúde em alguns estudos, mas isso pode refletir também diferenças no estilo de vida ou saúde prévia dessas pessoas.

Um exemplo concreto foi uma análise feita com dados do UK Biobank que encontrou que quem consumia mais de 2 litros por semana de bebidas adoçadas artificialmente teve cerca de 20% mais risco de desenvolver fibrilação atrial, um tipo de arritmia cardíaca.

O mesmo estudo mostrou aumento menor (10%) para bebidas com açúcar. Importante frisar que esse é um estudo observacional, então não prova causa e efeito, apenas uma associação que merece atenção e mais investigação.

Como os especialistas e organismos internacionais interpretam isso

Em 2023 a Organização Mundial da Saúde publicou orientação recomendando que adoçantes não sejam usados para controle de peso ou para reduzir risco de doenças crônicas, porque as evidências não mostram benefícios duradouros e existem sinais de possíveis efeitos adversos.

Sociedades médicas e revisões científicas também pedem cautela e sugerem priorizar água e bebidas sem adoçantes como primeira escolha. Isso não é um “basta definitivo”, é um alerta para não confiar no zero como atalho saudável.

Muitos estudos são observacionais, ou seja, acompanham pessoas ao longo do tempo e registram hábitos e doenças. Esse tipo de estudo não consegue provar que o refrigerante zero causou o problema, assim, há sempre a possibilidade de que quem já tem problemas de saúde prefira bebidas zero, ou que outros hábitos (dieta, sedentarismo, tabagismo) expliquem parte do risco.

Além disso, diferentes adoçantes podem agir de maneiras distintas no organismo; nem todos os estudos distinguem qual foi usado.

E na comparação com refrigerante comum?

Do ponto de vista do açúcar e das calorias, refrigerante zero é melhor do que o açúcar em excesso.

O consumo de refrigerantes açucarados tem associação clara e consistente com obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A questão é se trocar um por outro resolve o problema a longo prazo; a resposta tende a ser não se a pessoa não ajustar alimentação e hábitos em geral.

Muitas autoridades continuam a recomendar reduzir ambas as categorias, preferindo água como primeira opção.

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Refrigerante zero não é necessariamente “veneno”, mas também não é uma solução mágica.

As evidências mais recentes pedem moderação e atenção: para hidratar e cuidar da saúde, água e bebidas não adoçadas continuam sendo a melhor escolha.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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