Remédios sem receita batem recorde no Brasil
Autocuidado e compras online fazem mercado de medicamentos crescer mais de 110% em cinco anos.

Comprar um analgésico, um antigripal ou até um suplemento sem precisar de receita médica virou hábito cada vez mais comum no Brasil.
Nos últimos cinco anos, a venda de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) cresceu mais de 110%, mostrando que os brasileiros estão adotando o autocuidado e aproveitando a facilidade do varejo digital para ter sempre uma “farmacinha” à mão.
O que explica esse crescimento?
↪︎ Autocuidado em alta: cada vez mais pessoas preferem resolver sozinhas sintomas leves, como dores, resfriados ou problemas digestivos.
↪︎ Farmácias digitais: comprar remédio pelo celular ou computador, com entrega rápida e preços comparáveis, virou rotina.
↪︎ Perfil do consumidor: adultos acima de 40 anos, em sua maioria das classes A e B, estão entre os que mais consomem esses produtos — com destaque para multivitamínicos, antigripais e analgésicos.
O peso desse mercado
Esse segmento já movimenta mais de US$ 3,2 bilhões por ano, representando um terço das vendas de medicamentos no Brasil. O país, inclusive, está entre os líderes da América Latina no consumo de MIPs.
Riscos Envolvidos
Especialistas alertam: automedicação não é sinônimo de segurança. Tomar remédios por conta própria pode mascarar doenças mais graves, causar intoxicações ou interações perigosas com outros medicamentos.
"Nem sempre o maior acesso pode trazer benefícios. Apesar de ser isento de prescrição, todo medicamento tem um risco e, dependendo da quantidade, pode, sim, ser perigoso à saúde. O uso irracional de medicamentos pode, inclusive, mascarar um problema maior. Um antiácido, por exemplo, pode esconder uma úlcera ou um câncer no estômago, no pior dos cenários", ressaltou Gustavo Pires, Secretário Geral do Conselho Federal de Farmáca.
Além disso, cresce o debate sobre liberar a venda de MIPs em supermercados, o que divide opiniões: de um lado, a praticidade; de outro, a preocupação com o uso sem orientação adequada.
Como lembra Marli Sileci, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para o Autocuidado em Saúde: “O autocuidado é fundamental, mas deve ser praticado com responsabilidade e informação.”
A expectativa é de que as vendas continuem subindo, impulsionadas pela tecnologia e pelo estilo de vida acelerado. Mas médicos e farmacêuticos reforçam: autocuidado é importante, desde que feito com informação e responsabilidade.

O cenário reforça a necessidade de regulamentações claras e campanhas educativas para garantir que o crescimento do mercado de medicamentos sem receita seja acompanhado por práticas seguras e conscientes, beneficiando o consumidor sem comprometer sua saúde.



