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Rins cansados: o que o caso Benedito Ruy Barbosa nos ensina

A perda lenta e silenciosa da função renal afetava o autor há três anos e acende um alerta sobre os perigos das infecções urinárias de repetição.

4 min de leituraPublicado em 07/07/2026
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Rins cansados: o que o caso Benedito Ruy Barbosa nos ensina

A partida do brilhante autor de novelas Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, deixou o Brasil em luto e trouxe à tona um assunto que merece toda a nossa atenção: a insuficiência renal crônica (IRC).

Esta condição ocorre quando os rins perdem a capacidade de filtrar o sangue de forma gradual e irreversível.

O escritor enfrentava o diagnóstico há três anos e convivia com um histórico de reinternações causadas por infecções urinárias recorrentes, aquelas que vão e voltam a todo momento.

O caso dele acende um alerta importante, já que essa condição costuma evoluir de maneira muito silenciosa e, nos quadros mais graves, exige tratamentos duros como a diálise ou até um transplante.

O filtro do nosso corpo em câmera lenta

Para entender sem complicação, pensa assim: nossos rins funcionam como grandes e sofisticados filtros. Eles limpam as impurezas do sangue o dia inteiro e jogam o "lixo" fora através da urina.

No entanto, na insuficiência renal crônica, esses filtros vão se desgastando e rasgando aos poucos.

O grande perigo é que esse processo acontece de forma lenta e quase imperceptível.

A pessoa não sente dor nos rins e, quando os primeiros sintomas claros começam a aparecer, a capacidade de filtragem do órgão já pode estar seriamente comprometida.

O elo perigoso das infecções de repetição

No caso do novelista, as infecções urinárias recorrentes eram um obstáculo frequente e que exigia idas constantes ao hospital

Vejamos, quando uma bactéria invade o sistema urinário repetidas vezes, ela não causa apenas aquele desconforto ou ardência clássica ao urinar.

Se a infecção "subir" para os rins, o tecido desses órgãos sofre agressões consecutivas. Cada episódio de infecção gera uma espécie de cicatriz no rim.

Com o tempo, o excesso de cicatrizes destrói as unidades filtrantes, acelerando o relógio da falência renal, especialmente na terceira idade, quando o corpo já está mais fragilizado.

O caminho silencioso até o tratamento

Nos estágios iniciais, o tratamento busca frear o avanço da doença com remédios para controlar a pressão arterial, mudanças na dieta e redução do sal.

Só que, se os rins chegam na fase de falência renal, que é quando o órgão perde quase toda a sua capacidade de funcionar, medidas mais drásticas se tornam vitais.

É aí que entram a hemodiálise, o processo em que uma máquina limpa o sangue no lugar do rim, ou a diálise peritoneal, a filtragem feita por meio de um cateter no abdômen, além da fila para um transplante de rim.

Protegendo os seus filtros biológicos

Para evitar que a doença avance sem ser notada, a prevenção e o diagnóstico precoce são as melhores armas.

Então, cuidar dos rins exige atenção diária e exames simples de rotina, que muitas vezes deixamos passar.

Manual de blindagem dos seus rins:

Beba água com consciência: Não espere sentir sede para buscar um copo d'água; manter a hidratação ajuda os rins a trabalharem mais leves.

Monitore a pressão e o açúcar: A hipertensão (pressão alta) e o diabetes são os maiores vilões dos rins; mantenha ambos rigorosamente controlados.

Cuidado com os analgésicos: O uso exagerado e sem receita de anti-inflamatórios e analgésicos comuns pode intoxicar e destruir os seus filtros biológicos.

Investigue as infecções: Se você tem infecção urinária mais de duas ou três vezes por ano, não remedie apenas os sintomas; procure um médico para descobrir a causa raiz.

Quando procurar ajuda urgente?

→ Fique atento a inchaços inexplicáveis nas pernas, pés ou ao redor dos olhos, acompanhados de uma fraqueza ou cansaço extremo sem motivo aparente.

→ Observe alterações na urina, como cor muito escura, presença de espuma abundante ou redução drástica na quantidade de vezes que vai ao banheiro.

Cuidar da saúde renal é um compromisso diário com a nossa longevidade.

O diagnóstico de Benedito Ruy Barbosa mostra que mesmo quem tem acesso aos melhores recursos médicos precisa enfrentar o caráter silencioso da falência renal se os sinais passarem batidos.

Que o caso do escritor sirva como um divisor de águas na sua rotina: proteger os rins não é um cuidado para o futuro ou apenas para os mais velhos, mas uma atenção necessária agora no seu dia a dia.

💬 Sabe aquela história de que "só lembramos de beber água quando sentimos sede"? Esse hábito pode ser um perigo invisível para os seus rins. Você tem feito seus exames de rotina ou costuma esquecer desse cuidado?

Conte para nós nos comentários a sua experiência!

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Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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