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Seu corpo pode eliminar parte dos químicos do plástico em 7 dias

Estudo mostra que mudanças simples na alimentação e na cozinha reduzem substâncias ligadas ao plástico no organismo.

4 min de leituraPublicado em 06/05/2026
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Seu corpo pode eliminar parte dos químicos do plástico em 7 dias

Uma pergunta que parecia impossível começa a ter resposta: dá para reduzir a quantidade de substâncias do plástico no corpo em apenas uma semana.

Um estudo recente publicado na Nature Medicine mostrou que sim, ao menos para alguns compostos. A descoberta importa porque esses químicos estão ligados a problemas metabólicos e hormonais, e fazem parte da nossa rotina sem que a gente perceba.

O estudo que colocou isso à prova

Pesquisadores da Universidade da Austrália Ocidental conduziram o chamado PERTH Trial, um ensaio clínico randomizado, ou seja, um estudo com divisão aleatória dos participantes, considerado padrão ouro na ciência.

Foram 60 voluntários divididos em quatro grupos:

→ Um trocou utensílios por versões sem plástico;

→ Outro usou produtos de higiene com menos plástico;

→ Um terceiro recebeu alimentos com mínimo contato com plástico;

→ E o último seguiu a rotina normal.

Durante 7 dias, os cientistas mediram substâncias na urina como o Bisfenol A (BPA), um composto usado em plásticos que pode imitar hormônios no corpo e o Ftalatos, que são substâncias que deixam o plástico mais flexível e estão em embalagens e cosméticos.

Os resultados chamam atenção: reduções de até quase 60% em alguns desses compostos.

É como se você estivesse respirando um ar poluído todos os dias e, de repente, passasse uma semana no campo. O corpo responde rápido.

O que mais fez diferença?

Entre todas as mudanças, uma se destacou: a alimentação com mínimo contato com plástico.

Os pesquisadores chamaram isso de “do plantio ao prato sem plástico”. Isso envolveu desde o cultivo até o armazenamento e transporte dos alimentos.

Foi como evitar um “efeito cascata” de contaminação. Sabe quando um alimento passa por várias etapas embalado em plástico? Cada etapa é uma chance de absorver pequenas partículas ou químicos.

Esse grupo teve a maior redução geral dos compostos analisados, o que reforça uma suspeita que cientistas vêm discutindo há alguns anos, onde a comida pode ser uma das principais portas de entrada dessas substâncias no organismo.

Os pesquisadores observaram que reduzir esse contato ao longo de toda a cadeia alimentar teve um impacto mais forte do que apenas trocar utensílios domésticos ou produtos de higiene.

Isso não significa que o problema esteja somente na embalagem final. O estudo sugere que a exposição é acumulativa e acontece em pequenas doses ao longo do dia, quase sem percebermos.

Mas medir plástico no corpo é tão simples assim?

Aqui entra um ponto importante. Existe um debate científico relevante sobre como medir microplásticos no corpo humano.

Microplásticos são fragmentos minúsculos de plástico, muitas vezes invisíveis a olho nu, assim são difíceis de detectar com precisão.

Alguns estudos podem superestimar ou subestimar a quantidade por limitações técnicas, como contaminação das amostras ou métodos diferentes de análise. Ou seja, quando falamos de “plástico no corpo”, estamos lidando com duas coisas diferentes:

→ Microplásticos físicos (partículas sólidas);

→ Compostos químicos do plástico (como BPA e ftalatos).

O estudo PERTH mediu principalmente esses compostos químicos na urina, que são mais fáceis de quantificar.

Então, atenção, pois a redução observada não significa necessariamente que todo o “plástico acumulado” saiu do corpo, mas sim que a exposição recente diminuiu bastante.

O que isso tem a ver com a sua saúde?

Devemos destacar que os pesquisadores observaram que os níveis mais altos de ftalatos estavam associados a piores marcadores cardiometabólicos.

Cardiometabólico parece complicado, mas é simples: envolve saúde do coração e do metabolismo, como colesterol, inflamação e risco de diabetes.

Outras fontes confiáveis, como a Organização Mundial da Saúde e a Endocrine Society, já alertam que BPA e ftalatos podem agir como desreguladores endócrinos, substâncias que “bagunçam” os hormônios.

É como se esses compostos enviassem sinais confusos para o corpo, interferindo no funcionamento normal cardiovascular e metabólico.

Pequenas mudanças, efeito rápido

Sabe aquele pensamento de que “não adianta fazer pouco”? Esse estudo vai na direção oposta. Em apenas 7 dias, mudanças relativamente simples já impactaram os níveis desses compostos.

Isso sugere que a exposição é contínua, mas também reversível em parte. Isto sugere que o corpo não é uma “caixa sem saída”. Ele responde quando o ambiente muda.

E, como reduzir a exposição na prática?

→ Prefira utensílios de vidro, inox ou madeira;

→ Evite aquecer comida em plásticos sem indicação de aquecimento, especialmente no micro-ondas;

→ Reduza alimentos ultraprocessados e enlatados;

→ Dê preferência a alimentos frescos e, quando possível, a granel;

→ Use garrafas reutilizáveis de vidro ou inox.

O estudo não resolve todas as dúvidas sobre microplásticos no corpo, especialmente porque ainda há limitações na forma de medir essas partículas. Mas ele traz um recado importante: a exposição a compostos do plástico pode cair rapidamente com mudanças simples.

E isso muda o jogo. Em vez de um problema invisível e inevitável, passamos a ter algum controle sobre ele.

No fim das contas, não é sobre eliminar totalmente o plástico da vida, o que hoje é quase impossível. É sobre reduzir o excesso onde dá.

💬E você, já parou para pensar quanto plástico faz parte da sua rotina sem perceber? Conta pra gente nos comentários!

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Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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