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Seus remédios são seguros após os 60?

Critérios de Beers alertam para riscos de medicamentos comuns em idosos.

4 min de leituraPublicado em 22/04/2026
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Seus remédios são seguros após os 60?

Uma lista criada pela Sociedade Americana de Geriatria está chamando atenção para um ponto importante: nem todo remédio é seguro para pessoas mais velhas.

Os chamados Critérios de Beers reúnem medicamentos que podem trazer mais riscos do que benefícios após os 60 anos. E isso importa porque o envelhecimento muda a forma como o corpo reage às substâncias.

Por que alguns remédios viram problema com a idade?

Os Critérios de Beers são uma espécie de “guia de alerta” para médicos e profissionais de saúde. Eles listam medicamentos potencialmente inapropriados para idosos, ou seja, aqueles que devem ser evitados ou usados com muita cautela.

Na prática, é como se fosse uma lista de “atenção redobrada”. Não significa que o remédio está proibido, mas que o risco pode ser maior dependendo da pessoa.

Com o envelhecimento, acontecem mudanças importantes:

→ Redução da função renal (os rins filtram menos o sangue);

→ Alterações no fígado (metaboliza mais devagar);

→ Maior sensibilidade do cérebro a certas substâncias.

Isso faz com que o remédio “fique mais tempo circulando”, aumentando efeitos colaterais e transformando um medicamento comum em algo perigoso. É como tomar um café muito forte: o que antes só dava energia, agora pode causar tremor, insônia ou até confusão.

Alguns efeitos adversos comuns incluem:

→ Quedas;

→ Confusão mental;

→ Sonolência excessiva;

→ Pressão baixa.

Segundo a própria American Geriatrics Society, esses riscos aumentam especialmente quando há uso de vários medicamentos ao mesmo tempo, situação chamada de polifarmácia.

Exemplos de medicamentos que entram na lista

A lista inclui diversas classes de medicamentos bastante conhecidas. Entre elas:

→ Benzodiazepínicos (usados para ansiedade e insônia);

→ Anticolinérgicos (presentes em remédios para alergia e bexiga);

→ Alguns antidepressivos;

→ Anti-inflamatórios não esteroides;

→ Relaxantes musculares.

Sabe aquele remédio “para dormir melhor”? Em idosos, ele pode agir como um “freio exagerado” no cérebro, aumentando risco de quedas durante a noite.

Ressaltamos que, isso não significa que todo idoso deve parar de usar esses medicamentos. A decisão sempre precisa ser individualizada e discutida com o médico.

Essa lista não é para assustar, mas para orientar. Ela ajuda médicos a escolherem tratamentos mais seguros.

Na prática, é assim: o profissional avalia se existe alternativa mais segura ou se o benefício ainda compensa o risco. Muitas vezes, ajustar a dose ou trocar o medicamento já resolve.

Outro ponto importante é a revisão periódica dos remédios. Aquilo que foi indicado há 10 anos pode não ser mais a melhor opção hoje.

Um olhar além da lista

Além dos Critérios de Beers, organizações como a Organização Mundial da Saúde alertam para o uso racional de medicamentos em idosos.

Estudos mostram que até 1 em cada 3 idosos pode usar ao menos um medicamento potencialmente inapropriado, dependendo da população analisada.

Uma revisão publicada no Journal of the American Geriatrics Society reforça que revisar medicamentos regularmente reduz internações e eventos adversos.

Outro ponto importante é que esses critérios ajudam a revisar e ajustar tratamentos de doenças comuns no envelhecimento, sempre buscando opções mais seguras.

Em outras palavras, a lista é só o começo. O essencial é o acompanhamento constante dos medicamentos.

Como separar cuidado de exagero na prática?

→ Leve sempre sua lista de medicamentos atualizada em consultas;

Pergunte ao seu médico: “Esse remédio ainda é o mais seguro para mim?”

→ Evite automedicação, principalmente para dormir ou dor;

→ Revise seus medicamentos pelo menos 1 vez ao ano;

→ Informe efeitos como tontura, quedas ou confusão.

Os Critérios de Beers foram criados com base na realidade dos Estados Unidos. Então, nem sempre tudo se aplica exatamente ao Brasil, principalmente por diferenças de medicamentos disponíveis e contexto de saúde.

Por isso, eles são usados como bússola, uma ferramenta de apoio do médico brasileiro, não como mapa fechado.

Essas diretrizes funcionam como um guia para escolhas mais seguras, não como uma proibição. Com o envelhecimento, o corpo muda, e os cuidados precisam acompanhar esse processo.

Rever os medicamentos deixa de ser detalhe e passa a ser parte essencial para manter independência e qualidade de vida.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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