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Sífilis no Brasil: infecções continuam altas, com impacto preocupante entre mulheres jovens e gestantes

Os dados mostram que a sífilis segue em alta, indicando desafios no controle e a necessidade de mais testes e tratamento.

3 min de leituraPublicado em 15/12/2025
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Sífilis no Brasil: infecções continuam altas, com impacto preocupante entre mulheres jovens e gestantes

A sífilis, infecção sexualmente transmitida causada pela bactéria Treponema pallidum, segue em ritmo acelerado de crescimento no Brasil.

Segundo o Boletim Epidemiológico da Sífilis 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, o país continua registrando um número elevado de casos tanto entre adultos quanto em gestantes, com reflexos diretos na saúde de mães e recém-nascidos.

Dados atualizados mostram que, no ano de 2024, foram notificados 256.830 casos de sífilis adquirida em adultos, o que representa uma taxa de 120,8 casos por 100 mil habitantes.

Embora essa taxa tenha se estabilizado em relação a anos anteriores após um período de forte crescimento, os números ainda são considerados altos e indicam persistência da transmissão na população adulta.

Crescimento entre gestantes e transmissão vertical: o risco para bebês

A situação entre mulheres grávidas permanece particularmente preocupante. Entre 2005 e junho de 2025 foram registrados 810.246 casos de sífilis em gestantes no Brasil, com taxa nacional de detecção de 35,4 casos por mil nascidos vivos em 2024.

A transmissão vertical, ou seja, quando a infecção passa da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto, é uma consequência grave dessa tendência.

A taxa de detecção da sífilis em gestantes varia significativamente entre as regiões brasileiras. A Região Sudeste lidera, com 43,7 casos por mil nascidos vivos, e a cidade do Rio de Janeiro registrou a maior taxa, com 92,8 casos por mil nascidos vivos.

Estados do Nordeste como Piauí e Maranhão, por outro lado, apresentaram taxas consideravelmente menores.

Quando a sífilis não é tratada adequadamente durante a gestação, ela pode evoluir para sífilis congênita no recém-nascido. Essa forma pode causar aborto espontâneo, natimorto, baixo peso ao nascer, problemas neurológicos e até morte infantil.

Em 2024, foram notificados 24.443 casos de sífilis congênita no país com 183 óbitos em crianças menores de um ano.

Vale observar que mesmo com esforços de detecção e tratamento no pré-natal, a sífilis congênita continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo.

Entre os jovens, prevalência elevada exige atenção

Os dados epidemiológicos também apontam para uma elevada prevalência de sífilis entre mulheres jovens, especialmente aquelas em idade reprodutiva.

Uma análise científica com registros clínicos na região amazônica observou maior prevalência entre gestantes com idade inferior a 23 anos, indicando que mulheres mais jovens têm risco mais elevado de infecção quando comparadas a faixas etárias maiores.

A combinação de fatores comportamentais, acesso variado a serviços de saúde e lacunas na educação sexual e reprodutiva contribui para esse cenário.

A sífilis, diferentemente de algumas outras infecções, pode ser assintomática em fases iniciais, ou seja, não apresenta sintomas visíveis, o que dificulta a detecção precoce sem testagem regular.

Avanços, estratégias e desafios

Apesar do cenário desafiador, há movimentos de resposta coordenada.

O Ministério da Saúde lançou recentemente uma Campanha Nacional de Enfrentamento à Sífilis, com foco em jovens, gestantes e seus parceiros, reforçando que “sífilis tem cura – faça o teste, trate-se e previna-se”. A iniciativa amplia testagem e tratamento gratuitos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Os dados indicam uma redução de casos de sífilis congênita nos últimos três anos, fruto do maior acesso ao diagnóstico precoce e atendimento adequado.

Contudo, devido as taxas gerais de infecção ainda permanecem altas, o controle sustentável exige ampliação contínua de estratégias preventivas, educação em saúde sexual e atenção primária fortalecida.

É importante ressaltar que a sífilis pode ser prevenida com preservativos, testagem regular e tratamento quando detectada.

Assim, a continuidade dos esforços de vigilância, promoção de saúde sexual, acesso a testes e tratamento oportuno são fundamentais para reduzir a transmissão, especialmente em grupos mais vulneráveis como mulheres jovens e gestantes.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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