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Tratamento para Alzheimer é aprovado no Brasil com promessa de desacelerar perda de memória em estágios iniciais

Leqembi representa avanço em terapias biológicas, mas não substitui cuidados clínicos habituais.

4 min de leituraPublicado em 09/01/2026
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Tratamento para Alzheimer é aprovado no Brasil com promessa de desacelerar perda de memória em estágios iniciais

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do Leqembi, um medicamento inovador desenvolvido pelas farmacêuticas Biogen e Eisai, para pacientes com Alzheimer em estágio inicial ou demência leve.

A aprovação marca uma nova fase no tratamento dessa condição que afeta milhões de pessoas no mundo todo.

A Anvisa tomou sua decisão com base em estudos clínicos internacionais envolvendo cerca de 1.795 pacientes com Alzheimer em fases iniciais. Os resultados não significaram que os pacientes voltaram ao normal, mas que a velocidade de piora cognitiva foi diminuída.

O que é Leqembi e como funciona?

O Leqembi não é uma pílula tradicional, mas uma terapia biológica baseada em um anticorpo monoclonal chamado lecanemabe.

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Ampola de Leqembi, novo medicamento contra o Alzheimer

Anticorpos monoclonais são proteínas projetadas em laboratório para se ligarem a alvos específicos no corpo, no caso aqui, as proteínas beta-amiloides que se acumulam no cérebro de pessoas com Alzheimer.

No Alzheimer, essas proteínas se agrupam formando placas que interferem na comunicação entre células nervosas e contribuem para o declínio cognitivo.

O lecanemabe se liga às formas solúveis e fibrilares dessas proteínas, ajudando o organismo a reduzir o acúmulo dessas placas.

O tratamento é administrado por infusão intravenosa a cada duas semanas, num procedimento que dura cerca de uma hora, sempre em ambiente médico.

Quem pode receber o medicamento?

A indicação aprovada pela Anvisa destina-se exclusivamente a adultos com diagnóstico clínico de comprometimento cognitivo leve ou demência leve devido ao Alzheimer, com confirmação de patologia amiloide no cérebro.

Isso significa que o paciente ainda não está em estágios avançados da doença, momento em que as funções cognitivas já estão mais comprometidas.

Em termos simples, o Leqembi é indicado principalmente para pessoas que não têm um tipo específico de gene ligado a maiores riscos de efeitos colaterais.

Esse gene, chamado ApoE ε4, pode aumentar a chance de problemas no cérebro durante o tratamento.

Quem tem duas cópias desse gene corre mais risco e, por isso, geralmente não é o público ideal para usar o remédio. Já quem não tem nenhuma cópia ou tem apenas uma pode usar o medicamento com mais segurança, desde que seja avaliado pelo médico.

Limitações e cuidados importantes

É essencial enfatizar que o Leqembi não cura o Alzheimer. Ele pode retardar o avanço dos sintomas em pacientes selecionados, principalmente quando usado nas fases iniciais da doença, quando ainda há maior reserva cognitiva.

O medicamento apresenta possíveis efeitos colaterais, como reações relacionadas à infusão, hemorragias e edemas cerebrais e dor de cabeça, que exigem monitoramento cuidadoso por meio de exames de imagem como ressonância magnética antes e durante o tratamento.

Pacientes com histórico de hemorragia cerebral significativa, múltiplas micro-hemorragias ou sinais de angiopatia amiloide cerebral não são considerados elegíveis para iniciar a terapia.

Comparação com outras terapias e contexto global

O Leqembi integra uma nova geração de terapias que buscam interferir diretamente nos mecanismos biológicos do Alzheimer, ao invés de apenas aliviar sintomas.

Outro medicamento semelhante, o donanemab (Kisunla), também atua removendo placas de beta-amiloide e foi aprovado em alguns países como uma opção alternativa.

Nos Estados Unidos, versões do tratamento Leqembi mais convenientes, como aplicações subcutâneas semanais após o ciclo inicial de infusão, têm sido aprovadas, o que pode facilitar a adesão em longo prazo em alguns pacientes.

O que esperar no Brasil?

A Anvisa autorizou o registro do medicamento, mas ainda não há previsão oficial para quando ele estará disponível nas farmácias ou centros de infusão no Brasil. A entrada no mercado depende da estratégia comercial das empresas detentoras do registro.

Além disso, não há, por enquanto, confirmação sobre a inclusão do Leqembi no Sistema Único de Saúde (SUS) ou sobre cobertura por planos de saúde, fatores que influenciarão diretamente o acesso dos pacientes.

Nesse contexto, o diagnóstico precoce continua sendo um componente chave para ampliar os benefícios terapêuticos.

Especialistas em neurologia e Alzheimer destacam que terapias como o Leqembi marcam um avanço, mas ainda têm eficácia modesta e devem ser acompanhadas de estratégias clínicas amplas, incluindo cuidados com estilo de vida, suporte social e monitoramento médico regular.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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