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Trauma na infância aumenta em 50% o risco de transtornos mentais na vida adulta

Pesquisa australiana reforça tendência global e dialoga com dados brasileiros que mostram impacto duradouro das adversidades precoces.

3 min de leituraPublicado em 04/12/2025
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Trauma na infância aumenta em 50% o risco de transtornos mentais na vida adulta

Traumas vividos na infância deixam marcas que podem atravessar décadas. Uma pesquisa recente conduzida pela University of Sydney, com 15.893 adultos australianos, revelou que 42% deles passaram por pelo menos um evento traumático quando crianças.

Isso inclui situações como violência dentro de casa, abuso, acidentes graves, perdas inesperadas ou testemunho de ferimentos e mortes.

A análise mostrou que pessoas expostas a essas adversidades apresentam 50% mais chance de desenvolver transtornos mentais quando adultas.

Os pesquisadores destacam que metade dos traumas ocorreu antes dos 10 anos de idade. Quanto mais cedo o impacto emocional, maior tende a ser a probabilidade de que ele interfira no desenvolvimento psicológico.

O peso dos traumas ao longo da vida

A equipe australiana observou maior risco de depressão, ansiedade, transtornos relacionados ao estresse e uso problemático de álcool e outras substâncias.

A pesquisa também identificou aumento na probabilidade de ideação suicida ao longo da vida.

Embora não seja uma regra — nem toda pessoa traumatizada desenvolverá um transtorno — os dados apontam para um padrão consistente, o qual eventos adversos na infância alteram o funcionamento emocional, cognitivo e até biológico.

Isso significa que o impacto não é apenas psicológico, mas também pode afetar o corpo, ampliando o risco de doenças físicas como asma, artrite e problemas renais.

O mundo segue a mesma tendência

Não é só na Austrália. Um grande estudo que reuniu dezenas de dados de mais de 14 milhões de pessoas em diferentes países, concluiu que experiências adversas na infância aumentam em média 66% o risco de problemas de saúde mental na vida adulta.

Essa revisão incluiu pesquisas sobre abuso físico ou sexual, negligência emocional, violência doméstica e instabilidade familiar. Quanto maior o número de adversidades, maior o risco acumulado de transtornos.

A ciência também já demonstrou que um ambiente inseguro ou imprevisível pode alterar mecanismos de estresse no cérebro em desenvolvimento, deixando crianças mais vulneráveis a adoecer no futuro.

E o Brasil? Um cenário que exige atenção

No Brasil, dados também mostram forte associação entre traumas na infância e adoecimento mental.

Um estudo de grande porte produzido pela Coorte de Nascimentos de Pelotas (2004) acompanhou crianças até os 18 anos e identificou que cerca de 30,6% dos diagnósticos psiquiátricos nessa idade estavam ligados a experiências traumáticas na infância e adolescência.

Outra pesquisa realizada na Região Metropolitana de São Paulo revelou que adversidades precoces, especialmente abuso físico, estão associadas ao aumento de tentativas de suicídio na vida adulta.

Essas evidências revelam que a realidade brasileira não é muito diferente da australiana: violência familiar, negligência, perdas traumáticas e instabilidade emocional são fatores comuns que podem moldar a saúde mental ao longo de toda a vida.

Cuidado precoce pode mudar trajetórias

Os especialistas defendem a ampliação de políticas públicas que incorporem o que chamam de “cuidado informado por trauma”.

Isso significa treinar profissionais de saúde, educação e assistência social para reconhecer sinais de sofrimento psicológico e agir com acolhimento, em vez de punição.

Quanto mais cedo o apoio, maiores são as chances de interromper o ciclo de adoecimento.

A infância é um período de enorme plasticidade — tanto para se ferir quanto para se recuperar.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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