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Uma nova era na prevenção do HIV começa com injeção semestral

Lenacapavir pode transformar prevenção do HIV ao exigir apenas duas doses por ano; custo e inclusão no SUS ainda dependem de decisões regulatórias.

3 min de leituraPublicado em 23/01/2026
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Uma nova era na prevenção do HIV começa com injeção semestral

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente um novo medicamento preventivo contra o HIV que pode marcar um ponto de inflexão na luta contra a infecção pelo vírus.

O lenacapavir, comercializado como Sunlenca, é uma opção injetável de longa duração, administrada apenas duas vezes por ano, com eficácia próxima de 100% para reduzir o risco de contrair o HIV-1, segundo os dados apresentados à agência reguladora.

O que é Lenacapavir e como ele funciona?

O lenacapavir é um medicamento antirretroviral inovador que atua bloqueando o capsídeo do HIV-1, que é a estrutura proteica que protege o material genético do vírus e facilita sua multiplicação no corpo.

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Foto: Medicação Lenacapavir (Sunlenca).

Ao interferir em diversas etapas desse processo, o medicamento impede que o vírus consiga se reproduzir no organismo humano.

A forma injetável é aplicada sob a pele (injeção subcutânea) a cada seis meses, o que representa uma grande mudança frente às opções anteriores de prevenção que exigem comprimidos diários.

Essa característica tende a melhorar a adesão à estratégia de prevenção, um dos principais desafios das formas atuais de profilaxia pré-exposição (PrEP).

PrEP é a profilaxia pré-exposição ao HIV

De forma simples, é o uso de medicamentos por pessoas que não têm HIV para evitar a infecção antes de qualquer contato com o vírus.

Esses medicamentos criam uma proteção no organismo que impede o HIV de se estabelecer caso a pessoa seja exposta.

Quem pode usar e o que os estudos mostram?

A indicação aprovada pela Anvisa abrange adultos e adolescentes a partir de 12 anos com peso mínimo de 35 quilos que não vivem com HIV, mas estão sob risco de exposição ao vírus.

Antes de iniciar o uso, é necessário realizar um teste que confirme que a pessoa não tem a infecção.

Nos estudos clínicos submetidos para análise pela Anvisa, o lenacapavir demonstrou:

100% de eficácia na redução de novos casos de HIV em mulheres cisgênero em um dos ensaios clínicos.

96% de eficácia na comparação com a incidência habitual de infecção em outras populações estudadas.

Desempenho 89% superior ao de regimes de PrEP oral diária em alguns cenários de pesquisa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como parte da prevenção combinada, que combina várias medidas de prevenção, como uso de preservativos, testagem regular e PrEP, para conter a transmissão do HIV.

A OMS descreveu essa opção como a ferramenta mais eficaz disponível desde que não existe ainda uma vacina contra o HIV.

O que falta para chegar ao público?

A aprovação da Anvisa é um passo regulatório essencial, porém o medicamento ainda não está disponível no mercado brasileiro.

O próximo passo é a definição do preço máximo pelo órgão regulador de preços (CMED). Só depois disso o medicamento pode ser comercializado.

Infectologistas que acompanharam o processo reforçam que a aprovação técnica é um passo importante, mas a disponibilidade efetiva depende de negociações comerciais e políticas de saúde. O principal desafio agora é o preço elevado.

Medicamentos de longa duração, como o lenacapavir, podem ter custos altos, o que dificulta sua oferta imediata no Sistema Único de Saúde (SUS).

A inclusão no SUS dependerá de avaliações da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e de decisão do Ministério da Saúde.

Antes da aprovação do lenacapavir, o Brasil já tinha disponível outra PrEP injetável chamada cabotegravir, aplicada a cada dois meses.

Embora essa também represente um avanço frente aos comprimidos diários, o novo medicamento injetável semestral pode facilitar ainda mais a adesão ao esquema preventivo.

💬 E você, já tinha ouvido falar nessa nova forma de prevenção contra o HIV?

Conte nos comentários o que mais te chamou atenção nessa inovação.

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Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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