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Vacina contra a Covid-19 pode ajudar no tratamento do câncer

Estudo mostra que imunizantes de mRNA estimulam o sistema imune e podem aumentar a sobrevida de pacientes em tratamento oncológico.

3 min de leituraPublicado em 24/10/2025
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Vacina contra a Covid-19 pode ajudar no tratamento do câncer

Em um estudo publicado na revista Nature, uma das mais conceituadas no mundo, os pesquisadores observaram que vacinas de RNA mensageiro (mRNA) originalmente criadas para combater a Covid‑19 podem dar um “empurrão” extra no sistema imune de pacientes com câncer, em especial aqueles com câncer de pulmão de células não pequenas ou melanoma.

Este estudo mostrou que pacientes que receberam a vacina de mRNA dentro de 100 dias antes ou depois de iniciar terapia de imunomodulação (imunoterapia) viveram significativamente mais do que aqueles que não receberam a vacina.

Por que isso acontece?

As vacinas de mRNA, mesmo sendo voltadas para o vírus SARS‑CoV‑2, ativam fortemente o sistema imune, gerando, por exemplo, um tipo de alarme interno do corpo (resposta de interferon tipo I).

Esse “alarme” pode ajustar o microambiente do tumor, tornando tumores que antes escapavam da imunidade mais “visíveis” para as terapias de imunoterapia.

Em testes com animais e células humanas, os pesquisadores perceberam que o tumor passou a produzir mais PD-L1, uma proteína que normalmente ajuda o câncer a se esconder do sistema imune. Esse aumento, paradoxalmente, tornou o tumor mais visível para as imunoterapias, que conseguiram agir com mais força e eficiência.

Nesse contexto, o estudo evidenciou que pacientes com câncer de pulmão que receberam a vacina dentro de 100 dias da imunoterapia tiveram sobrevida mediana de 37,3 meses contra 20,6 meses dos que não receberam.

Em melanoma, também viu‐se melhora, embora os dados exatos variem conforme o estágio. Assim, os autores dizem que essa estratégia pode “despertar” tumores que eram resistentes à imunoterapia.

O que isso significa na prática?

A mensagem é que uma vacina, criada para um propósito diferente, pode ter um papel de “parceira” na luta contra o câncer, quando bem combinada com tratamentos já existentes.

Mas é importante lembrar:

↪︎ O estudo é retrospectivo, ou seja, analisou registros antigos. Ainda não há ensaios clínicos completos com randomização que confirmem a causa direta da vacina + imunoterapia.

↪︎ Isso não significa que toda pessoa com câncer deve mudar seu plano de tratamento por conta própria. Qualquer decisão deve ser feita com oncologista.

↪︎ Ainda não se sabe exatamente em quais tipos/tumores isso funciona melhor, nem qual o melhor momento para a vacina ou qual tipo ideal de imunoterapia.

Uma conversa franca

Imagina que seu sistema de defesa do corpo estava meio “adormecido” e a vacina chegou como um despertador: “Atenção! Ativem os radares!”. A imunoterapia chega depois dizendo “Agora podemos atacar!”.

E juntos, eles têm mais chance de encontrar o tumor escondido e dar conta do recado. Isso, em linguagem simples, é o que esse estudo sugere que possa estar acontecendo.

A descoberta pode abrir caminho para um novo paradigma: o uso de vacinas genéricas de mRNA, não necessariamente criadas para atacar o tumor, mas capazes de preparar o sistema imunológico para responder melhor às terapias contra o câncer.

Se os resultados forem confirmados em estudos maiores, essa estratégia pode tornar mais pessoas responsivas à imunoterapia, ampliar as taxas de sucesso e até reduzir custos de tratamento.

Por enquanto, os especialistas reforçam que a aplicação dessa abordagem ainda está em fase de pesquisa. As vacinas de mRNA continuam sendo utilizadas com segurança para prevenir a Covid-19, e seu possível papel no tratamento do câncer ainda está sendo avaliado.

É essencial seguir as orientações médicas e acompanhar o avanço dos novos ensaios clínicos, que vão definir quando, e para quem, essa promessa poderá se tornar realidade.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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