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Vacina contra HPV reduz 58% dos casos de câncer de colo do útero e 67% das lesões graves

Estudo revela impacto real da imunização; conheça os tipos de vacinas disponíveis, suas doses e eficácia.

3 min de leituraPublicado em 08/10/2025
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Vacina contra HPV reduz 58% dos casos de câncer de colo do útero e 67% das lesões graves

Uma nova evidência científica reforça algo que especialistas vêm afirmando há anos: vacinar contra o HPV salva vidas.

Um estudo realizado pela Fiocruz, publicado recentemente na The Lancet, com dados do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2019 e 2023, constatou que mulheres vacinadas apresentaram 58% menos casos de câncer de colo do útero e 67% menos lesões pré-cancerosas graves (NIC 3) em comparação às que não foram vacinadas.

Isso é ainda mais impressionante porque esse impacto foi observado inclusive antes das mulheres atingirem 25 anos, faixa em que começa comumente o rastreamento sistemático desse câncer.

Por que essa vacina faz diferença?

O HPV (papilomavírus humano) é transmitido por contato íntimo e, entre seus muitos tipos, os classificados como “alto risco” são capazes de provocar alterações nas células do colo uterino. Com o tempo, essas alterações podem evoluir para câncer.

No Brasil, estima-se que, para cada ano no triênio 2023-2025, ocorram cerca de 17.010 novos casos de câncer do colo do útero. Em 2023, foram contabilizados mais de 7.200 óbitos atribuídos à doença, o que equivale a uma taxa ajustada de mortalidade de aproximadamente 4,79 óbitos por 100 mil mulheres.

Nesse contexto, a vacinação pode estimular o corpo a produzir anticorpos contra os tipos mais perigosos do vírus, ajudando o sistema imunológico a impedir que a infecção persista ou que leve ao desenvolvimento de lesões graves.

O efeito observado no estudo, que mostrou redução de casos invasivos e de lesões prévias, reforça que as vacinas são capazes de interromper a progressão da doença antes mesmo de ela se tornar clínica ou detectável por exames de rotina.

Ressalta-se que, a vacina não trata uma infecção já existente, mas protege contra tipos que a pessoa ainda não foi exposta. Por isso, vacinar antes de iniciar a vida sexual é ideal.

Esquema vacinal no Brasil hoje

Desde 2024, o Brasil mudou o esquema vacinal contra HPV no SUS, adotando a dose única para boa parte da população-alvo, com exceções para grupos específicos.

Essa estratégia foi adotada com base em evidências de que uma dose é suficiente para conferir proteção comparável nos menores de 20 anos, e também para ampliar a cobertura vacinal.

Entretanto, para pessoas imunocomprometidas, vítimas de violência sexual, usuários de PrEP ou que não foram vacinadas na faixa de 9 a 14 anos, o esquema permanece em até 3 doses.

No setor privado, há vacinas que cobrem mais tipos de HPV (como a nonavalente) e que seguem esquemas padronizados conforme bula.

A seguir, conheça os tipos principais de vacina contra HPV disponíveis, quem pode tomar, quantas doses e a proteção estimada:

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Se você (ou alguém que você conhece) se enquadra nas faixas indicadas, procure uma unidade de saúde ou serviço privado para confirmar se já está vacinado e/ou realizar a vacinação.

Para a quadrivalente, com o novo esquema de dose única para 9 a 14 anos, se você está nessa faixa e nunca recebeu a vacina, está plenamente elegível com apenas uma aplicação.

Mesmo quem já tomou uma dose (e parou) não precisa necessariamente completar as duas, segundo o Ministério da Saúde, quem teve uma dose já está considerado protegido pelo novo esquema.

Vale destacar que a vacina não substitui o exame de Papanicolau ou de HPV, esses exames continuam fundamentais para detectar lesões que possam escapar do efeito vacinal, já que nenhuma vacina protege contra todos os tipos de HPV.

Os resultados do estudo da Fiocruz reforçam que a imunização tem impacto real e mensurável uma vez que as reduções consideráveis de nos casos invasivos e de lesões graves aponta para uma transformação possível na prevenção dessa doença, especialmente se combinada com boa cobertura vacinal e rastreamento eficiente.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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