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Vacina personalizada contra câncer avança e reduz volta do melanoma

Moderna e Merck anunciam que combinar a vacina a um remédio de imunoterapia atrasou a volta do melanoma em teste clínico avançado.

6 min de leituraPublicado em 19/08/2026
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Vacina personalizada contra câncer avança e reduz volta do melanoma

As farmacêuticas Moderna e Merck anunciaram, recentemente, que uma vacina experimental contra o câncer, feita sob medida para cada paciente, reduziu o risco de o melanoma voltar depois da cirurgia.

O resultado é preliminar, veio de um estudo de fase 3, que é a etapa mais avançada de testes antes de um remédio chegar ao mercado e envolveu mais de mil pessoas com melanoma em estágio avançado.

Para quem já passou pela cirurgia de retirada do tumor e vive com medo da recidiva, que é quando o câncer volta, a notícia é um sinal concreto de que a ciência está perto de oferecer mais uma ferramenta de proteção.

Uma vacina feita à medida do seu próprio tumor

A vacina se chama intismeran autogene (também conhecida como V940 ou mRNA-4157) e ela não se parece em nada com as vacinas que você já conhece.

Ela não previne o câncer antes de ele aparecer, então ela é fabricada depois, sob medida, a partir de um pedaço do tumor que já foi retirado do paciente.

Para visualizar melhor, imagine a seguinte cena: os cientistas pegam uma amostra do tumor e sequenciam suas mutações genéticas, como se estivessem montando um retrato falado bem detalhado daquele câncer específico.

Com base nesse "retrato", é produzida uma vacina de mRNA, a mesma tecnologia usada nas vacinas contra Covid-19, que ensina o sistema de defesa do corpo a reconhecer e atacar justamente aquelas células cancerígenas específicas, caso elas tentem voltar.

O que o estudo descobriu?

O estudo, batizado de INTerpath-001, acompanhou 1.137 pacientes com melanoma em estágio IIB a IV, ou seja, já bastante avançado, que haviam passado por cirurgia para remoção completa do tumor e ainda não tinham feito nenhum outro tratamento.

Os voluntários foram divididos em dois grupos: dois terços receberam a vacina combinada com Keytruda (pembrolizumabe), remédio de imunoterapia da Merck, e um terço recebeu só o Keytruda, por cerca de um ano.

O resultado foi que a combinação atingiu o objetivo principal do estudo, que era aumentar o tempo até o câncer voltar, e isso se chama sobrevida livre de recorrência.

Além disso, a combinação também atingiu um objetivo secundário importante, que era reduzir o risco de o tumor se espalhar para outras partes do corpo, que se chama sobrevida livre de metástase à distância.

As empresas classificam essa melhora como estatisticamente significativa e clinicamente relevante frente ao uso do Keytruda isolado.

Por enquanto, Moderna e Merck não divulgaram os números exatos, como o percentual de redução de risco, por exemplo. Eles serão apresentados em um congresso médico internacional ainda este ano, junto com o compartilhamento dos dados às agências regulatórias.

Como a dupla vacina e imunoterapia trabalha junto

Sabe aquele freio de mão que, quando solto, deixa o carro andar livre? A imunoterapia com Keytruda funciona de um jeito parecido: o câncer costuma "puxar o freio" do sistema imunológico usando uma proteína chamada PD-1, o que impede as células de defesa de atacarem o tumor. O Keytruda bloqueia esse freio.

A ideia por trás do estudo é juntar as duas coisas, assim, a vacina aponta o alvo exato, ou seja, as mutações daquele tumor; e o Keytruda solta o freio do sistema imune para que ele ataque com mais força.

Segundo as empresas, o perfil de segurança da combinação nesse estudo de fase 3 ficou em linha com o que já havia sido visto em estudos anteriores, sem novos sinais de alerta.

Um capítulo anterior já dava pistas

Esse não é o primeiro resultado positivo dessa dupla. Em uma fase anterior do estudo, a fase 2b, a combinação já havia reduzido em 49% o risco de recorrência ou morte e em 59% o risco de metástase ou morte, na comparação com o Keytruda sozinho, após cinco anos de acompanhamento.

O resultado desta quarta-feira é o primeiro dado positivo da fase decisiva, com mais pacientes e mais rigor estatístico, para esse tipo de vacina individualizada contra o câncer.

Por que o melanoma preocupa tanto?

O melanoma é responsável por apenas 1% dos casos de câncer de pele, mas concentra a maior parte das mortes causadas pela doença, justamente por sua capacidade de se espalhar rápido para outros órgãos.

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Exemplo de melanoma que apresenta mais que 20 milímetros de diâmetro, múltiplas cores e bordas irregulares. Fonte: Grupo Brasileiro de Melanoma

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 8.980 novos casos de melanoma por ano no triênio 2023/2025, distribuídos de forma bem equilibrada entre homens e mulheres.

Mesmo depois da cirurgia, boa parte dos pacientes de alto risco ainda enfrenta chance de o câncer reaparecer, principalmente nos dois primeiros anos.

O que vem a seguir?

As empresas já sinalizaram que vão conversar com agências reguladoras sobre o pedido de aprovação, e a expectativa de executivos da Moderna é que o tratamento possa chegar ao mercado já em 2027, dado o status de terapia inovadora concedido à vacina.

Mas, até lá, ela segue sendo experimental: não está aprovada, não está disponível para venda e ainda faltam dados sobre sobrevida global, que é quanto tempo os pacientes tratados vivem no total. Dados que só virão com mais tempo de acompanhamento do estudo.

O melanoma sempre foi tratado como uma corrida contra o tempo. Quanto antes descoberto, maior a chance de cura.

Nesse contexto, o que esses resultados sugerem é uma segunda linha de defesa, depois da cirurgia, feita sob medida para cada paciente.

Ainda é cedo para falar em cura definitiva, mas não é exagero dizer que a ciência está, pela primeira vez, testando com sucesso uma vacina desenhada a partir do próprio câncer de cada pessoa.

💬 Se você ou alguém da sua família já passou por um diagnóstico de melanoma, esse tipo de notícia costuma trazer uma mistura de esperança e cautela. Conte pra gente: o que você sentiu ao ler isso?

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Fontes:

MERCK & MODERNA. Merck and Moderna Announce Phase 3 INTerpath-001 Trial of Intismeran Autogene Plus KEYTRUDA® Met Endpoints of Recurrence-Free Survival (RFS) and Distant Metastasis-Free Survival (DMFS) in Patients With Completely Resected Stage IIB-IV Melanoma. Comunicado oficial conjunto, 19 ago. 2026. Disponível aqui. Acesso em: 19 ago. 2026.

Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa de incidência de melanoma no Brasil, triênio 2023/2025. Acesso em: 19 ago. 2026.

CNN Brasil (Reuters). Moderna salta após resultado positivo de vacina contra melanoma em estudo. 19 ago. 2026. Acesso em: 19 ago. 2026.

Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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